quarta-feira, 30 de julho de 2014

O Desmantelamento de Navios em Bangladesh

Perto da cidade portuária de Chittagong, em Bangladesh, encontra-se um dos maiores estaleiros de desmantelamento do mundo. Se estende por 18 km ao longo da costa, na Baía de Bengala, onde mais de 200 mil bengaleses quebram até 100 navios por ano.

Trabalhando em condições perigosas, os trabalhadores rasgam os cascos com as mãos, muitas vezes sem luvas, apenas com um maçarico para auxiliar, dissecando o navio parafuso por parafuso, rebite por rebite.

Cada pedaço de metal vale a pena ser salvo e o material é carregado em caminhões que ficam a espera no litoral para levá-lo aos fornos onde serão derretidos e moldados em barras de aço. O metal reciclado é responsável por metade de todo o aço de Bangladesh.

A indústria, que dá emprego a milhares e supre Bangladesh com a maior parte do seu aço, começou com um ciclone em 1960, quando uma violenta tempestade deixou um navio de carga grego encalhado nas margens do Sitakunda em Chittagong.

O navio não pode ser reflutuado e assim permaneceu por vários anos. Em 1965, A empresa Chittagong Steel House comprou o navio e com a ajuda de moradores, o desmantelou. O processo levou anos, mas a força de trabalho barata e resistente, juntamente com praias planas inaugurou o início de uma nova indústria em Bangladesh.

A indústria cresceu de forma constante durante os anos 1980 e em meados da década de 1990, o país foi classificado como o segundo do mundo em tonelagem desmantelada. Em 2008, haviam 26 locais de desmantelamento de navios na área e em 2009, haviam 40. Entre 2004 e 2008, a área foi o maior estaleiro de desmantelamento do mundo.

O processo começa depois que um atravessador adquire embarcações de um corretor internacional que lida com navios desativados. Um capitão especialista em manobras de encalhe é contratado para entregá-lo ao local de desmantelamento. Uma vez que o navio fica atolada na lama, seus líquidos são drenados, incluindo qualquer restante de combustível diesel, óleo do motor e extintores químicos de incêndio, que são revendidos.

Em seguida, as máquinas e equipamentos são removidos. Tudo é retirado e vendido para negociantes e onde são transformados em materiais de construção, vigas, chapas de metal e móveis. Nada vai para o lixo - Desde motores enormes, baterias, geradores, e quilômetros de fios de cobre a beliches da tripulação, vigias, botes salva-vidas, pias, vasos sanitários, e mostradores eletrônicos da ponte de comando.

Depois que o navio tenha sido reduzido a um brutamontes de aço, enxames de trabalhadores das regiões mais pobres de Bangladesh usam maçaricos de acetileno para cortar a carcaça em pedaços. Estes são transportados para fora da praia por equipes de carregadores, então são derretidos e refeitos em vergalhões para a construção civil.

O desmantelamento de navios é um negócio rentável em Chittagong. Em três ou quatro meses, um navio médio retorna o lucro aproximado de um milhão de dólares em um investimento de cinco milhões a um estaleiro de desmantelamento, em comparação aos menos de duzentos mil dólares de lucro no Paquistão. Mão de obra barata e padrões de segurança pobres, permitem que a margem de lucro seja mantida elevada.

Os próprios trabalhadores ganham cerca de quatro dólares por dia (Aprox. 8 Reais). Em troca, eles inalam fumaças nocivas e são vulneráveis ​​a eletrocussão, queda de destroços e explosões de gás. Muitos trabalhadores têm profundas cicatrizes, enquanto alguns lhes faltam dedos e outros são cegos de um olho.








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