terça-feira, 19 de agosto de 2014

Kasensero: Local de Origem da AIDS

Quando a primeira epidemia de AIDS global aconteceu na aldeia de Kasensero em Uganda, muitos acreditavam que se tratava de bruxaria. Médicos identificaram a doença como vírus. Hoje, 33% dos habitantes são soropositivos.

Uma aldeia de pescadores

Kasensero é uma aldeia pequena e pobre situada na margem do Lago Vitória no distrito de Rakai no sul de Uganda na fronteira com a Tanzânia. Em 1982, a aldeia tornou-se famosa a nível mundial. Em apenas alguns dias morreram milhares de pessoas com uma doença desconhecida. O HIV já era conhecido nos EUA, na Tanzânia e no Congo. Mas uma epidemia com esta dimensão nunca havia acontecido.
Milhares de pessoas morrem

Kasensero 1982: Thomas Migeero era a primeira vítima. Primeiro perdeu a fome e depois os cabelos. No fim ele só era pele e osso, se lembra o seu irmão Eddie: "Alguma coisa dentro dele o comeu". Durante o funeral, o seu pai não se aproximou do caixão. Todo mundo acreditava em uma maldição. Hoje sabemos: morreu de AIDS.
Uma cidade morta

Quando a doença começou a matar milhares de pessoas, os habitantes começaram a abandonar a cidade. As famílias que podiam, partiram e deixaram os seus campos de milho, bovinos e caprinos. Até hoje, Kasensero parece uma cidade abandonada e morta. Só os mais pobres ficaram.
Como o vírus chegou a Kasensero

Presumivelmente o vírus chegou através das rodovias da África Oriental a Kasensero. Condutores de veículos pesados passam a noite nos postos fronteiriços de Kasensero. Muitos procuram prostitutas como esta mulher de 30 anos de vestido rosa, que gostaria de não ser reconhecida. Conta que os homens pagam quatro vezes mais para o sexo sem preservativo. Ela não se importa, pois é soropositiva.
AIDS como normalidade

Joshua Katumba é soropositivo. O pescador de 23 anos nunca visitou uma escola e não sabe ler e escrever. Não tem uma perspetiva para um futuro melhor – como a maioria dos que vivem em Kasensero. Um terço dos habitantes estão infectados com o vírus da AIDS – um dos índices de contaminação pelo HIV mais altos do mundo.
Medicamentos grátis

Yoweri Museveni, o Presidente da Uganda, foi o primeiro presidente da África, que reconheceu a AIDS como uma doença. A seguir, a Uganda desenvolveu-se como modelo da luta contra a AIDS. Pesquisadores internacionais chegaram a Rakai. Subsídios foram distribuídos. No hospital da região, os doentes com HIV passam horas na fila para pegar os seus medicamentos: são grátis.
Violência sexual

Há cinco anos, que Judith Nakato é soropositiva. Provavelmente ela foi infectada quando foi estuprada e ficou grávida. Pouco antes do parto, os médicos perceberam que ela tinha o vírus e conseguiram evitar uma transmissão ao bebê. Todos os dias, Judith tem que tomar os seus medicamentos contra a AIDS.
Anti-retrovirais escassos

Desde que Judith Nakato começou a tomar os seus medicamentos, conseguiu voltar a trabalhar. Os comprimidos, chamados anti-retrovirais ou ARV, evitam que a AIDS se desenvolva totalmente. Os medicamentos são pagos pelo Fundo Global contra a AIDS. Mas Judith Nakato tem que deslocar-se a uma outra cidade a mais de cem quilômetros para receber a sua medicação, pois os medicamentos são escassos.
Pacientes estão moribundos

Olive Hasal de 50 anos emagreceu a pele e ossos. Ela respira com muito esforço e os olhos parecem cansados. Ela mostra o comprimido que está embrulhado num pano. "Este é o último", diz ela. Hasal já viu morrer o seu marido e as suas duas crianças. Ela sabe que ela também vai morrer se ninguém for buscar os medicamentos na capital do distrito que fica a 140 quilômetros de distância.
Modelo de luta contra a AIDS?

Uganda foi considerada modelo da luta contra a AIDS: grandes somas de dinheiro foram doadas pela comunidade internacional. No início com sucesso: os casos de infecções diminuíram em cerca de dois terços a partir de 1990. Mas nos últimos dez anos, o número das infeções aumentou novamente.
Testes clínicos e pesquisas

Desde as primeiras tentativas de terapias em 1996, os habitantes foram usados para estudos de longo prazo. Kasensero é o laboratório das pesquisas globais da AIDS. O resultado da pesquisa mais recente: homens circuncidados reduzem o risco de infeção em 70 %. O Uganda aposta agora na circuncisão masculina para reduzir a propagação do HIV-AIDS.

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