quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O Escultor Mecânico de Sir Arthur Conan Doyle

Revisando uma postagem que fiz a respeito de um certo tipo de impressão 3D, que oferece modelos em miniatura de seus usuários, lembrei que havia visto algo similar antes...Ao menos no sentido de copiar um modelo tridimensional.

Apesar da distância e o espaço de tempo, eis que surge a máquina de esculturas criada pelo engenheiro e escultor italiano Augusto Bontempi, que conseguiu várias patentes para esta ideia entre 1898 e 1902.
O mecanismo de Bontempi não tem semelhança alguma com as modernas impressoras 3D, mas a ideia de conseguir cópias tridimensionais de objetos reais vem a ser a mesma.

Plano da máquina escultora de Bontempi. 


Conta-se que a máquina podia fazer cópias de qualquer objeto, incluindo o busto de algum voluntário que se submetesse ao procedimento, embora ao que parece, isto nunca foi levado a cabo. Em teoria, o sujeito deveria ficar quieto, literalmente como uma estátua, enquanto um operador guiava habilmente um furador de madeira sobre a superfície do modelo.

O mecanismo amplificava e transmitia esse movimento a uma série de "impressoras", tantas quantas cópias desejassem obter, que funcionavam guiando brocas de ponta de aço que reproduziam os movimentos sobre um bloco de pedra. Se o modelo era algo inanimado, o resultado seria bem mais perfeito.

Processo de cópia de um busto e exemplo de escultura com a máquina de Bontempi sobre uma coluna.
Já para um modelo humano, aquilo deveria ser uma sessão de tortura e ninguém teve o ânimo de tentar. Portanto, a máquina de Bontempi estava projetada para criar cópias de objetos e não de seres vivos, ainda que por erro, era assim mencionada em algum jornal da época como na imagem que abre este post.

O escultor mecânico, tal e como foi conhecido, chamou muito a atenção nos primeiros anos do século 20, mas muito cedo caiu no esquecimento. Tanto, que as referências são escassas e se limitam a uns poucos recortes de jornal da época. Parece que ninguém voltou a prestar atenção ao engenhoso escultor desde então.

O sistema era muito complexo e talvez por isso, não tenha feito sucesso, mas a ideia é atraente e adiante do seu tempo, pois ainda que tenham construído outras máquinas parecidas ao longo do século passado, esta é a primeira desse tipo que se tem notícia.

Vários estágios no processo de cópia de um objeto ao longo de horas de trabalho. 
Se Bontempi havia pensado em revolucionar o mundo das artes ou da indústria, logo tiraram essa ideia de sua cabeça. E assim foi pois, iludido, apresentou ante a imprensa seu "robô" para copiar esculturas, pensando que tudo ia ser elogios. Sim, a máquina funcionava, mas o que obteve foi uma chuva de expressões contraditórias e muitos insultos.
Os escultores profissionais gastaram todo o vocabulário de palavrões contra ele e os críticos de arte, inclusive os arquitetos, o olharam com desprezo. Mecanizar a arte! Que pecado terrível...

Para fortuna do jovem e idealista que criou a máquina, o genial Sir Arthur Conan Doyle, pai literário de Sherlock Holmes, viu nela todo um eco do futuro e comprou os direitos da patente à Inglaterra. Mais tarde, financiou a construção e montagem de várias destas máquinas para deleite de amigos e curiosos. 
As cópias eram bastante boas, mas sempre precisavam do toque fino de um artesão para serem concluídas.

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