segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O Mistério do Oculto Centro Governante Maia

Ocultas entre frondosas árvores, o arqueólogo Iván Sprajc e um grupo de pesquisadores mexicanos descobriram recentemente duas novas cidades, Lagunita e Tamchén, localizadas a alguns quilômetros de Chactún, outra grande antiga zona urbana encontrada no ano passado.

Se tratam de três cidades que poderiam ter relação entre si e que revelariam a existência de um novo centro político nessa região de Campeche, no atual território que compreende a Reserva da Biosfera de Calakmul, declarada como Patrimônio misto da Humanidade pela UNESCO.

A zona sul de Campeche é uma região promissora pela grande densidade de vestígios arqueológicos que se escondem entre a vegetação selvagem. 
"Lagunita e Tamchén estão localizadas a poucos quilômetros ao sul de Chactún, em que acredita-se que este último era o centro reitor, ao menos durante o Clássico Tardio (600 d.C.- 900 d.C), época do apogeu destes assentamentos," assinala ao site el universal, o especialista do Centro de Investigações Científicas da Academia Eslovena de Ciências e Artes (ZRC SAZU), Iván Sprajc.

Até agora, explica, como as primeiras investigações foram focadas na exploração superficial, mediante a análise de fotografia área a larga escala e mapeamento da superfície, se desconhecem os detalhes da organização hierárquica regional. Mas com as futuras escavações, esperam compreender a interação cultural e a geografia política dessa região maia não explorada.

Nesse lugar, ocultos entre frondosas árvores de cedro e sapotilha, o arqueólogo esloveno Iván Sprajc e um grupo de pesquisadores mexicanos conseguiu trazer à luz duas novas cidades maias, a alguns quilômetros de Chactún, outra grande cidade descoberta no ano passado. 
O que sim conseguiram documentar, é que se tratam de cidades com estruturas monumentais, que possuem uma grande quantidade de relevos com inscrições, algumas delas com referências a personagens que seria dirigentes, como é o caso do monumento 1 de Tamchén, onde se observam as pernas e um bastão de comando que poderia ser do governante da cidade.

Tamchén, faz referência a uns 35 "chultunes" ou poços d'água que existem no lugar, os quais serviram para armazenar água e víveres, engloba 11 hectares, conta com uma série de edifícios prolongados e um templo piramidal que alcança 15 metros de altura. Esses poços d'água foram localizados em espaços habitados da área onde residia a elite dirigente e foram escavados no subsolo rochoso em forma cilíndrica.

Tamchén, onde detectaram praças, edifícios luxuosos e uma pirâmide de 15 metros.
Em Lagunita, cuja área cívico e cerimonial cobre 12 hectares, predominam "os edifícios prolongados, luxuosos, de caráter residencial ou administrativo e suas construções volumosas indicam sua importância sociopolítica a nível regional".

Segundo Sprajc, o maior destaque são os monumentos esculpidos e a fachada que representa as mandíbulas abertas do monstro da terra. "As fachadas deste tipo interpretaram-se de diversas maneiras, mas parece evidente que as mandíbulas abertas do monstro da terra simbolizam a entrada a uma gruta e, de modo geral, ao submundo aquático, o local de origem mítica do milho e o aposento dos ancestrais", explica.

"Essa fachada", acrescenta o especialista, "parece ter marcado um dos acessos principais ao centro cívico e cerimonial desse assentamento."

Lagunita, composta de dois complexos arquitetônicos, seis praças, um campo de jogo de bola e 50 estruturas de diferentes formas e dimensões, entre elas um edifício piramidal que alcança os 17 metros de altura. 
No lugar, os arqueólogos também conseguiram registrar uma oferenda com pedaços de vasilhas monocromáticas e lascas de sílex, dois altares em forma de prego e um quadrado, além de 10 monumentos lisos e gravados. Entre elas o Monumento 1, que só conserva a parte inferior, onde se observam as pernas e um bastão de comando de um governante.

Sua identidade e importância será conhecida a partir das investigações que serão realizadas pelo arqueólogo e epigrafista do projeto, Octavio Espalhe Olguín, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

Foram encontrados também, uma grande quantidade de "chultunes" ou poços d'água que serviram para armazenar água e víveres. 

Até agora, comenta o especialista, o Projeto Arqueológico de Reconhecimento no Sudeste de Campeche, que conta com o aval do Conselho de Arqueologia do INAH, se dedicou à exploração superficial, mas não descartam empreender uma próxima temporada para continuar com as prospecções ou focar em uma investigação mais sistemática e completa de um lugar ou de uma área mais reduzida.

 "Em vista da grande densidade de vestígios arqueológicos na área de Chactún, Tamchén e Lagunita, esta tarefa seria particularmente promissora", comenta o arqueólogo, quem afirma que o alcance de suas investigações depende do financiamento de seus patrocinadores.

O arqueólogo, pesquisador do Centro de Investigações Científicas da Academia Eslovena de Ciências e Artes, afirma que apesar de que conseguiram registrar estes lugares, essa zona segue guardando segredos por descobrir. 

"Pela quantidade de vestígios registrados e suas dimensões, estes lugares, agrega Sprajc, requerem de trabalhos de exploração mais intensos, não só pelo interesse científico mas também porque a presença constante de pesquisadores e acadêmicos seriam obstáculos contra as tentativas de saque". Esses Trabalhos, considera o pesquisador do Centro de Investigações Científicas da Academia Eslovena de Ciências e Artes, deveriam iniciar cedo, já que a proximidade dos povoados modernos, representa um grande perigo para a enorme quantidade de vestígios que foram encontrados.



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