quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Orenburg, A Hiroshima Secreta


Hoje em dia, a grande maioria das pessoas pensa que a experimentação com seres humanos foi exclusividade de Mengele, algo assombroso e inaceitável sem dúvida, mas o que pouco se sabe é que durante a Guerra Fria, a União Soviética e os Estados Unidos realizaram todo tipo de experimentos para conhecer a capacidade de operação de seus exércitos, após uma guerra nuclear.

Os Estados Unidos realizariam no deserto de Nevada, utilizando soldados aos quais, nunca lhes disseram bem o que enfrentavam. Por outro lado, a União Soviética, em um experimento similar mas ainda mais destrambelhado, lançou uma bomba próximo na região de Orenburg, no raio de alcance da vila de Totskoe, no dia 14 de Setembro de 1954, no qual, depois de detoná-la a 350 metros de altura às 9:33 da manhã, espalhou uma chuva radioativa sobre a população civil.

O experimento de Orenburg: Operação Snezhok


Zhukov junto a Malyshev
revisando os últimos
detalhes do exercício
Ao mesmo tempo, depois de uma ordem do nefasto Marechal Georgi Zhukov (o mesmo que depois da Segunda Guerra ordenou estupros em massa de centenas de milhares de mulheres alemãs e polonesas com a finalidade de "abater o orgulho"), 1200 tanques e veículos de combate bem como 320 aviões, avançaram ao centro de impacto, com o fim de realizar simulações de combate.

Milhares de pessoas foram afetadas e centenas perderam suas vidas. No caso da URSS calcula-se que 45 mil civis e soldados da região de Totskoe morreram indiretamente como resultado do experimento. Entre as vítimas se encontrava o piloto do Tu-4, que soltou a bomba, que morreu de leucemia e seu copiloto que faleceu de câncer de medula.

Hoje em dia a quantidade de casos registrados de câncer em Orenburg é o dobro dos encontrados em Chernobil e é comparável com os níveis detectados em Hiroshima e Nagasaki.

É assustador pensar que 350 metros abaixo do lançamento da bomba, haviam 70 mil pessoas espalhadas em uma área de 10 quilômetros.

A bomba do experimento possuía 40 quilotons.


Só uma pequena quantidade de imagens destes experimentos vazou, todas assombrosas, apesar de que essas imagens talvez não sejam tão chocantes como as de Nevada, já que o duro filtro imposto pela União Soviética impediu sua difusão.

Logo após a detonação, manobras militares foram realizadas nas proximidades do epicentro.

As provas de Nevada

O maior número de provas realizadas pelos Estados Unidos, ocorreu em 1951 e consistiam em posicionar soldados a uma distância das detonações, que não fossem atingidos pela onda de choque mas alcançados pela radiação. A prova em questão pertence à operação "Buster" e a bomba detonada era denominada "Dog", com um poder total de 21 quilotons. Os soldados, se encontravam a não mais de 9,66 km de distância, o suficiente para serem alcançados por ventos radiativos. Este experimento terminaria como uma das maiores vergonhas na história dos Estados Unidos e ficaria famoso pelos milionários processos realizados pelos sobreviventes.

No seguinte vídeo, feito público graças ao Nuclear Weapons Film Declassification Project (e fonte da maioria das imagens que ilustram este post, inclusive a imagem de topo onde aparece um cavalo queimado pela explosão.), se pode ver os soldados caminhando em direção à zona zero com um total desconhecimento do fatal destino que lhes aguardava.
Na década de 1950, as armas atômicas eram desconhecidas e altamente classificadas. Apenas poucas pessoas sabiam de seu devastador efeito.

Minuto 3:32 em diante:
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