quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Um Casal Atípico Desafia a Rússia Conservadora


Um casal heterossexual em que ambos preferem se ver como garotas, se casa na Rússia ante a ira e impotência de uma burocracia conservadora.

A primeira vista, as fotos parecem corresponder a um casamento entre mulheres, algo que é preciso descartar em se tratando da Rússia, país onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo está proibido, e onde a intolerância para com os homossexuais experimentou uma escalada desmedida implícita a partir do próprio governo.


No entanto, um dos cônjuges é Dmitri Kozhukhov, um homem de 23 anos que prefere se vestir como mulher e prefere ser chamado de Alina. Além de seu aspecto, Dmitri afirma se sentir atraído pelas mulheres, e acaba de se casar com Alisa, de 19 anos. Ambos afirmam estarem muito apaixonados e querer ter "dois filhos ou mais".

O casal se casou ante a desaprovação oficial, em um escritório de registro civil cujos funcionários se mostraram horrorizados ante a possibilidade de que ambos comparecessem vestidos como noivas.


"Em maio, quando preenchemos o pedido, nossa aparência não gerou nenhuma pergunta, coisa que nos surpreendeu", conta Dimitri. No entanto, o silêncio oficial foi quebrado quando faltavam duas semanas para o casamento. "Começaram a nos chamar e como não puderam nos localizar, contataram a minha mãe", narra.

Ao que parece, o registro civil estava preocupado ante a possibilidade de que ambos comparecessem vestidos de noivas, coisa que efetivamente fizeram.

Alisa (à esquerda)diz que está profundamente apaixonado com a androginia de Dmitry Kozhukhov (à direita)

A diretora do Registro "Ameaçou com não permitir que vestíssemos esse tipo de roupa. Nos disse que recairia sobre nós uma multa administrativa, e nos disse que insultávamos os sentimentos dos crentes e coisas assim, embora nos não estivéssemos casando pela igreja", diz o flamante esposo em declarações citadas ao Daily Mail.

Finalmente, a diretora se rendeu, já que não encontrou argumentos legais para proibir que os cônjuges se vestissem conforme seu desejo. Além disso, Dmitri explica que outros escritórios do Registro Civil estavam prontos para recebê-los em caso de que a servidora pública conseguisse recusar o pedido. Nesse caso, se tratavam de escritórios regidos por pessoas menos preconceituosas, ou simplesmente ávidas por publicidade.


Finalmente, a servidora pública casou eles em uma cerimônia sumaríssima, embora não tenha poupado os recém-casados de um discurso sobre a feiura de sua conduta e considerando que o ato ia em contra os valores familiares do país.

Ante as incessantes perguntas a respeito, Dmitri faz questão de sua heterossexualidade. "As garotas quase sempre são mais lindas que os garotos, de modo que o fato de que um garoto consiga ser visto como uma garota é maravilhoso", considera.


Além disso, vê com bons olhos que as mulheres conquistem espaços na vida social e cultural que costumavam estar reservados aos homens, e não vê motivos para que não ocorra o inverso.
"As crianças, por exemplo, aprendem o que antes era só de homens, desenvolvem atividades que antes eram puramente masculinas e o fazem muito bem", explica.


Por isso mesmo, "os garotos também podem aprender algumas coisas das garotas, como o cuidado com a beleza e o arranjo pessoal, a empatia, e o calor emocional. E não tem nada que ver com ser homossexual. Idealmente, podem ser combinadas caraterísticas masculinas e femininas, e esse é o nível mais alto de desenvolvimento pessoal", conclui.



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