terça-feira, 12 de agosto de 2014

Um "Simulador da Morte", a Última Atração na China


Todos nos perguntamos como é a morte. Agora, há um jogo que afirma, poder saciar nossa curiosidade, sem nos matar pra valer.

"Samadhi - Experiência de morte 4D", é um jogo mórbido de "escape" que usa efeitos especiais dramáticos para aproximar os jogadores ao que os seus criadores imaginam, seria uma experiência de morte.
Quando for aberto em Xangai, em setembro de 2014, convidarão os participantes a competir em uma série de desafios para evitar "morrer".

Os perdedores serão cremados... ou ao menos, fazem com que se deitem em uma esteira transportadora que passa a pessoa pelo incinerador falso de uma funerária para simular os ritos funerários.
O crematório falso utilizará ar quente e projeções de luz para criar o que os organizadores chamam de "uma autêntica experiência de incineração".

"Samadhi - Experiência de morte 4D", foi apresentado pela primeira vez na exposição de empresas sociais em Gondyi Xiantiandi em Xangai
Depois da cremação, os participantes são transladados a uma cápsula suave e redonda como um útero, o que simboliza seu "renascimento".
E o ganhador?
"Ele também terá que 'morrer'", diz Ding Rui, o co-fundador do jogo fatalista.
Como na vida, explica, "todos morrerão ao final, sem importar o que supere".

A vida e a morte

Ding e seu colega Huang Wei-ping esforçaram-se muito na investigação de seu jogo, estudando o processo de cremação que geralmente é esperado por 50% da população chinesa após a morte.
A dupla visitou um crematório real e pediram para passar pelo forno com as chamas apagados.
"Ding entrou primeiro ao crematório, e ver ele de afora foi esstresante para mim", diz Huang.
"O controlador do crematório também estava muito nervoso; geralmente, ele só se concentra em inserir os corpos, mas não tirá-los".

"A china me fez rico, mas não me ensinou a viver uma vida plena. Estava perdido" Diz Huang Wei-pin, criador de um jogo com temática de morte em que os participantes podem experimentar um caixão.
Quando chegou a vez de Huang, lhe pareceu insuportável.
"Tinha muito calor. Não podia respirar e pensei que minha vida havia acabado", disse.
A dupla diz que o realismo é essencial para motivar os participantes a que pensem na vida e na morte.
Eles operarão o jogo enquanto também dirigem o Hand in Hand, uma organização que se especializou em brindar apoio hospitalar para os pacientes terminais em um hospital de oncologia.

Período de reflexão

Huang diz que seu interesse na morte surgiu durante um período de muita reflexão depois de ter uma carreira como comerciante que foi lucrativa mas pouco gratificante em termos espirituais.
"A china me fez rico, mas não me ensinou a viver uma vida plena. Estava perdido", diz.
Decidiu estudar psicologia e se ofereceu para ajudar nas sequelas do terremoto de 2008 na província Sichuan, ao oeste da China, e lançou a Hand in Hand pouco depois.
Para conseguir realismo à simulação de ser queimado em um crematório, os criadores do jogo visitaram um crematório real e entraram no forno.
"Isto abriu uma nova porta para mim... fui para ajudar, mas também me salvaram".
Ding, enquanto, tinha empreendido sua própria busca para encontrar um sentido à vida mediante a organização de seminários com experts no tema.
"Convidava a 'experts na vida' de diferentes religiões e de outros campos para que viessem e falassem sobre que é a vida", diz.

"Fiz isso durante dois anos antes de perceber que, em lugar de me sentar aqui e escutar de forma passiva, também podia fazer algo".
Foi aí quando os dois se associaram para criar a "Experiência de Morte em 4D".

Curiosidade mórbida

No início, a dupla não estava certa do apetite por seu conceito mórbido, embora empresas similares já tinham sido abertas na Coreia do Sul e em Taiwan.
O trabalho voluntário em um hospital mostrou a eles que poucas pessoas queriam confrontar a ideia da morte, inclusive quando estavam perto.

"A parte mais triste do trabalho, não era ver que os pacientes morriam, mas sim, como as famílias se negavam a enfrentar a morte... os últimos dias com seus entes queridos, se consistiam de mentiras amáveis porém vazias", diz Ding.
"Carecemos de um entendimento sobre a morte, e o temor pode chegar a ser bastante obscurecedor".

Para dar a conhecer a ideia, Huang e Ding iniciaram uma campanha de arrecadação de fundos em jue.so, a versão chinesa de Kickstarter.
"Recebemos mais de 410.000 RMB (67.000 dólares ou 152,351,65 Reais) em três meses, com o que superamos nossa meta", diz Huang." Acontece que muitas pessoas na China sentem curiosidade pela morte".

Os fundadores do projeto "Samadhi - Experiência de morte 4D", Ding Rui (Ponta esquerda) e Huang Wei-pin (Extrema direita) com os dois principais desenhadores do jogo, Yu-hong-tao (De óculos) e Xu Yang-xin.

Ding diz que eles esperam que a experiência promova uma "educação sobre a vida", e motive às pessoas a se fazerem perguntas sobre o que estão fazendo com suas vidas e guiando-os a enfrentar a morte de maneira pessoal. "Não há respostas modelo na educação sobre a vida e a morte, diferente desses cursos que te ensinam a ser rico e bem-sucedido", diz Huang. "É mais importante que as pessoas experimentem de forma pessoal".
"Uma vez estive em um acidente de carro e no único que pensava era 'por que não comprei um seguro?'", diz Huang.

"Não era o que tinha imaginado para os últimos momentos de minha vida. Essa ideia romântica de que lembre toda tua vida nos últimos momentos antes da morte... isso não ocorreu".

"Samadhi - Experiência de morte em 4D" será concluída no final de agosto e sua inauguração está programada para setembro. As sessões serão levadas a cabo em chinês. As entradas custarão RMB 249 (40 dólares ou 90,96 Reais).
Endereço:
101-104, Edifício 2, Gongyi Xintiandi, 105 West PuYu Road, distrito Huangpu, Xangai.

Fonte

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