terça-feira, 9 de setembro de 2014

De mãos Dadas na Eternidade: O casal que Permaneceu Unido Além da Morte


A primeira coisa que atrairá sua atenção caso visite o belíssimo cemitério de Roermond na Holanda, é o fato de que seu muro delimite várias partes desse lugar de descanso eterno. Isso se dá porque há algumas zonas exclusivas para os católicos, outra para os protestantes e uma terceira para os judeus.

É algo habitual em muitos cemitérios, e este do sul dos Países Baixos não podia ser menos. Curiosas divisões que delimitam onde enterrar cada pessoa segundo sua fé, segundo suas crenças; nos demonstrando que nem mesmo à morte parece unir às pessoas nesses aspectos sempre discrepantes.

À medida que avance por essa delimitação de tijolos, o visitante encontrará de repente com uma construção singular, com duas lápides unidas acima do muro, duas mãos de pedra que se entrelaçam entre si, com a força da rocha, para sempre unidas.


Estas mãos representam a um casal, formado pelo coronel Jacob Werner Constantin van Gorkum pela parte protestante do cemitério, e a Josephina van Aefferden, pela parte católica. Suas religiões obrigaram a que seus corpos permanecessem separados para sempre, cada um no território de sua religião. Mas antes de falecerem, ambos criaram um brilhante plano de seguirem unidos de algum modo. Hoje em dia este pequeno monumento reflete aquele projeto, onde seguem visíveis suas iniciais para deleite de todo amante de histórias românticas: JWC Van Gorum e JCPH Aefferden.

Uma relação mal vista

Conta a história que ele era um coronel de cavalaria, que professava a religião protestante e que ocupou o cargo de embaixador. Era um homem de muito boa posição que em um certo dia conheceu a uma jovem de boa família, uma garota católica por quem se apaixonou de imediato. Uma flechada absoluta por parte de ambos. Apesar da oposição de suas famílias serem contra a relação, se casaram em 1842. Ele tinha 33 anos e ela 22.


Poderíamos dizer que a vida de ambos foi feliz e plena, que desfrutaram de uma existência cheia de tranquilidade e filhos em comum. Mas não foi assim. O casal era constantemente criticado, foram sempre atacados por suas respectivas famílias e por seus vizinhos devido a suas religiões. Eles se adoravam e sabe-se que eles professavam um amor absoluto que tiveram que defender sempre desse contexto social da época, que não aceitava a união de um protestante e uma católica. Nunca puderam ter tranquilidade em um povoado ou em uma cidade.

Jacob Werner Constantin van Gorkum

Nota de falecimento de Josephine Van Aefferden

Ele foi o primeiro em falecer. Tinha 71 anos e como mandava a tradição, foi baixado à uma sepultura no lado protestante do cemitério de Roermond. Mas isso sim, engenhosamente procurou uma localização ideal junto ao muro que limitava ambas áreas - o plano já estava previsto de antemão - Ela, morreu dez anos depois. Uma década de absoluta tristeza que terminou no dia em que abandonou o mundo dos vivos. Antes de morrer pediu para ser enterrada o mais perto possível de seu amado marido, justamente do outro lado do muro.


Ambos haviam encomendado muitos anos antes, a construção de dois monumentos fúnebres, um de cada lado, para serem unidos por cima do muro que os separava, com dois braços que se seguram pelas mãos. Nem o tempo, nem as religiões separaram o casal.

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