segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ilha de Gorée: Centro de Comércio de Escravos do Senegal

Gorée é uma pequena ilha situada ao largo da costa de Dakar, no Senegal, a cerca de 2 km mar a dentro. Era o local de um dos primeiros assentamentos europeus na África Ocidental e serviu por muito tempo como um posto avançado para o tráfico de escravos.

Alegadamente, o tamanho pequeno da ilha (apenas 45 acres) tornou fácil para os comerciantes controlarem os cativos e as águas circundantes são tão profundas que qualquer tentativa de fuga seria morte certa por afogamento.

Milhões de escravos teriam supostamente passado pela ilha, rumando para trabalharem na América, embora recentemente, estudiosos contestem os números. Hoje, a ilha com cerca de 1.300 habitantes, é tão tranquila que não há veículos, nem edifícios modernos e nenhum crime, e dizem que aqueles que visitem Gorée, se comportam mais como peregrinos que vão a um santuário sagrado do que como turistas.

Os primeiros a povoarem Gorée, eram marinheiros portugueses que chegaram à ilha em 1444. Os holandeses capturaram a ilha em 1588, e pelos próximos dois séculos, Gorée frequentemente mudou de mãos entre holandeses, ingleses e franceses. Em 1817, a França assumiu o controle da ilha e manteve até a independência do Senegal, em 1960.

Entre 1536 e 1848, a ilha esteve ativa no comércio de escravos no Atlântico. O comércio de escravos era realizado na "Casa dos Escravos", construída pelos holandeses em 1776 - uma das muitas casas de escravos e a última que resta na ilha de Gorée.

Em um certo ponto da história, a ilha costumava ter 28 casas de escravos, de acordo com a versão de um guia turístico apresentado à CNN. No entanto, os historiadores discutem se Gorée foi um importante entreposto para o comércio ou simplesmente um dos muitos centros a partir dos quais, os africanos eram levados para as Américas.

Os pesquisadores discordam principalmente sobre o número de escravos que supostamente teriam passado pela ilha. Eles argumentam que o tamanho da ilha não suportaria os "milhões" de escravos, imagem frequentemente citada, quando atribuem a quantidade de forçados que passaram pela ilha.

De acordo com os céticos, apenas 26 mil africanos escravizados foram registrados como tendo partido de Gorée, rumo as Américas, totalizando não mais que algumas centenas de escravos por ano. Estes estudiosos acreditam que a ilha e sua "Casa dos Escravos" são assim descritas apenas pelo interesse em fazer alguns dólares dos turistas crédulos.

Independentemente do número, escravos de fato passaram pela ilha e pela "Casa dos Escravos", que foi transformada em museu em 1962, ainda é uma grande atração para os turistas estrangeiros no Senegal.

Uma parede no Museu: um mural representando escravos sendo conduzidos na vegetação Africana pelos europeus.
A Casa dos Escravos era onde os escravos africanos eram mantidos em cativeiro até que pudessem ser vendidos. No piso térreo da casa haviam celas de 2,6 metros por 2,6 metros onde de 15 a 20 escravos do sexo masculino eram aprisionados em cada cela.

Celas para mulheres e crianças eram localizadas em uma parte diferente da casa. As meninas eram frequentemente mantidas separadamente para venda ou para satisfazer os desejos dos comerciantes.
Sentados com as costas contra a parede, acorrentados pelo pescoço e braços, os prisioneiros normalmente precisavam esperar na cela por cerca de três meses.

Uma vez por dia, eles eram alimentados e autorizados a fazerem suas necessidades. As condições eram tão terríveis e insalubres que as doenças eram endêmicas.

Após o período de espera, os escravos eram levados para fora das celas para o comércio e eram reunidos no pátio central da casa. Os compradores e comerciantes se debruçavam sobre a varanda com vista para o pátio e observavam os escravos durante a negociação de preços.

Localizado na parte de trás da casa, de frente para o Oceano Atlântico, está a chamada "porta sem retorno", através da qual, os escravos vendidos eram levados a um navio à espera que cruzaria o oceano, e para nunca mais voltarem aos seus lares.

A Ilha de Gorée foi designada como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1978. Esse Lugar é visitado por cerca de 200.000 visitantes por ano. Vários líderes mundiais, inclusive o Papa João Paulo II, George Bush, Barack Obama e Nelson Mandela, visitaram o lugar.

Uma estátua na "Maison des Esclaves" (Casa dos Escravos) 




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