quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Os Últimos Sobrevivientes do Holocausto

Baron Paul Halter, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. "As tropas soviéticas me disseram que caminhasse para a Cracóvia. No caminho, fiquei contente em ver aos alemães pendurados das árvores. Balançavam de quase todos os galhos. Querem saber como sobrevivi? Mantive a ideia de ver o colapso da Alemanha nazista, vê-la reduzida a cinzas."

Em 2009 o fotógrafo Maciek Nabrdalik começou a reunir, entrevistar e tomar retratos da última geração de sobreviventes do Holocausto. A série foi intitulada de "O Irreversível".


Nabrdalik sentiu a necessidade de atuar com rapidez , alguns sobreviventes faleceram muito pouco depois de que pusesse entrar em contato com eles, incluindo o último sobrevivente gay conhecido, Gad Beck.  A maioria de sobreviventes lhe confessava que, enquanto haviam conseguido refazer sua vida e ter um futuro, nunca haviam conseguido escapar dos pesadelos do passado.

Zofia Posmysz, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau e do campo de concentração de Ravensbruck. "Os trens estacionavam, eu via sair deles pessoas com total desconfiança e aterrorizadas. Vi eles esperando em fila para entrarem nos chuveiros. Esperavam e esperavam, a continuação, entravam e... Desapareciam."


Nabrdalik, junto de sua esposa Agnieszka que levaram a cabo as entrevistas disse:

"Queríamos mostrar quão profunda é a experiência de campo para aqueles que sobreviveram e como afeta a suas relações, a suas percepções, suas psiques, seus pontos de vista, e o funcionamento do dia-a-dia".

Esse sentimento se converteu no título do projeto , porque "... é difícil escapar de algo que está tão profundo e volta nos sonhos sem ser convidado, nos medos e nas associações. Ou seja, irreversível".

Jerzy Ulatowski, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. "Em um certo um dia, percebi que havia uma planta comestível que crescia próximo da barraca. Eu a apanhei e a comi. Mais tarde descobri que a planta era frondosa porque naquele mesmo local, haviam sido espalhadas as cinzas de judeus queimados ."
Irena Ekert, sobrevivente do campo de concentração de Ravensbruck. "As tropas ucranianas selecionavam às garotas mais bonitas da multidão para violentá-las. Minha mãe me havia dito para que eu me enfeiasse o máximo possível, que franzisse o cenho, que dissimulasse ter um defeito físico. Funcionou para mim, mas minha amiga não recebeu tão inteligente conselho..."
Maciek e Agnieszka viajaram por todo o mundo com o objetivo de localizar e entrevistar aos sobreviventes, visitando suas casas, escritórios e inclusive nos acampamentos. Foi uma tarefa muito complicada, e muitos não quiseram ser entrevistados.

"Sabíamos que a maior parte dos sobreviventes já havia sido entrevistada por instituições que diligentemente registravam seus dados, mas eles (os sobreviventes) se encontram agora em uma etapa diferente de sua vida".

"Não me interessam as fotografias que se limitam a mostrar o aspecto físico das pessoas ou dos locais que aparecem. Minha ambição é visualizar quais são seus sentimentos ou como se sentem ao estar em um determinado local".

Tadeusz Sobolewicz, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, C.C. de Buchenwald, C.C. de Flossenbürg e C.C. de Regensburg. "Alguns rapazes estavam fervendo um pedaço de carne. Não gosto, mas engulo um pedaço. Me disseram mais tarde onde o haviam encontrado. Era parte de um cadáver em que cortaram um pedaço de suas nádegas."
Sabina Nawara, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, C.C. de Ravensbruck e C.C. de Buchenwald. "Trabalhamos juntos nos tanques de peixes. Quando minha amiga se negou a entrar na água, nosso supervisor a derrubou no solo, pôs seu sabre sobre seu pescoço, o pisou, e a estrangulou."
"Percebemos que nos importa mais do que os detalhes dos campos, são as reflexões, sentimentos. Tratar de compreender o que aconteceu aos sobreviventes.", disse Nabrdalik

Embora inicialmente estava ansioso por conhecer as reações dos sobreviventes a respeito de seus retratos, Nabrdalik confessou que muitos sobreviventes expressaram que as fotografias haviam regressado eles momentaneamente ao seu passado.

Danuta Bogdaniuk, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz - Birkenau e C.C. de Ravensbruck. "Após untarem algo sobre minha cabeça, caiu todo o meu cabelo, ficando somente a pele, fiquei completamente calva. Comecei a chorar porque pensei que não ia crescer de novo. Mas finalmente cresceu."

Jakob Rotenbach, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau e do C.C. de Mauthausen-Gusen. "Hoje em dia, falo quando alguém me pergunta, mas não inicio a conversa, porque posso ver que o mundo não aprendeu nada, e nada mudou. As pessoas são cruéis. E se um novo Hitler aparecesse, o mesmo aconteceria de novo".
Tola Grynholc Urbach, sobrevivente do campo de concentração de Klooga. "Haviam vinte e dois acampamentos na pequena Estônia. Só eu e minha irmã sobrevivemos. Saímos do acampamento e vimos algo incrível - centenas de caixas vazias de garrafas de vodca. Acho que os alemães precisavam de álcool, a fim de conduzirem o seu trabalho."
Wanda Ojrzynska, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.
"Nós sabíamos que eles estavam no seu caminho em direção à morte, mas nós ainda não sabíamos exatamente como isso aconteceria. Lembro-me claramente que havia no acampamento um violinista húngara conhecida, uma judia. Os alemães disseram-lhe para dar um concerto ao seu pessoal nos banheiros, perto da rampa e da chaminé. Nós não estávamos trabalhando naquele dia e quando descobrimos sobre seu espetáculo, fomos para ouvir a performance. 

Nós não podíamos entrar, apesar da porta estar aberta. Ela seguiu tocando peças verdadeiramente magníficas e os carros que transportavam pessoas, passavam junto a nós. Aquelas pessoas não sabiam o que as esperava e continuavam acenando para nós. Era macabro. Você não podia dizer nada a eles, de todos modos, o que você diria? E eu tampouco não podia acenar de volta".




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