quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Osborne Reef: O Recife Artificial de Pneus Descartados que Não deu Certo


Há cerca de 2 quilômetros da costa de Sunrise Boulevard ao largo de Fort Lauderdale, na Florida, encontra-se um deserto subaquático de pneus apodrecendo. Este é Osborne Reef (Recife Osborne), um cemitério submarino com 2 milhões de pneus que foram colocados lá na década de 1970 como parte de uma operação ecológica que não conseguiu criar um recife artificial.

Ao longo dos anos, muitos dos pneus foram desalojados por tempestades tropicais e furacões e causou danos a recifes de corais existentes nas proximidades. Quarenta anos mais tarde, os pneus ainda estão lá causando mais mal do que bem nas águas costeiras da Flórida.

O Osborn Reef foi idealizado por um grupo sem fins lucrativos chamado de Broward Artificial Reef, ou BARINC, composto por um grupo de pescadores. Naquele tempo, na primavera de 1972, a ideia era criar um recife usando pneus velhos que foram se acumulando ao redor do município, em aterros sanitários e áreas rurais. Isso foi antes da reciclagem se estabelecer. Eles estavam convencidos de que os corais se uniriam e cresceriam com os pneus, fornecendo um habitat adicional para a vida marinha. Era bem intencionado, mas não era particularmente um plano bem pensado.

Barcaça usada para implantar os pneus descartados na construção do recife de pneus 
Com o apoio dos engenheiros do corpo do exército dos Estados Unidos e mais de 100 embarcações de propriedade privada, a colocação dos pneus começou em mais de 145 mil metros quadrados no fundo do oceano, há 2 mil metros da costa e 19,81 metros de profundidade. A Goodyear Tire and Rubber Company forneceu equipamentos para a empresa, chegando ao ponto de apoiar o projeto deixando cair um pneu pintado de ouro para batizar o lugar.

Pneus interligados antes da implantação
Os pneus foram agrupados com grampos de aço e cordas de náilon e baixados ao fundo do mar. No entanto, as águas salgadas do oceano rapidamente corroeram esses materiais que impediam os pneus de se separarem, e foram levados pelas correntes oceânicas e ondas. Os pneus, com a sua mobilidade recém-descoberta, não só destruíram qualquer vida marinha que até então haviam crescido nos pneus, mas eles efetivamente impediam o crescimento de novos organismos. Além disso, os pneus soltos se espalharam pelo fundo do oceano, danificando os recifes existentes na área. Milhares de pneus foram vistos e retirados de praias no extremo norte, como na Carolina do Norte.

Desde 2001, várias organizações têm tentado realizar a remoção dos pneus, mas os custos associados com um projeto como este são surpreendentes. Em 2007, depois de vários alarmes falsos do ínicio do projeto de remoção, o exército dos Estados Unidos teve papel ativo utilizando o processo de limpeza para fins de mergulho e treinamento de resgate, poupando custos significativos para o estado. A partir de 2009, apenas 73 mil pneus foram recuperados. Fora os originais 2 milhões, cerca de 700.000 ainda descansam na costa de Fort Lauderdale.

Este projeto não é o único do seu tipo. Recifes semelhantes foram construídos no Nordeste dos Estados Unidos, no vizinho Golfo do México, Indonésia, Malásia, Austrália e África. Estes países agora estão vendo o alcance dos recifes de pneus em praias, espalhando a destruição em corais. De acordo com a Limpeza Costeira Internacional para Conservação de Oceanos, cerca de 11.956 pneus foram retirados de praias em todo o mundo.

Os membros da Iniciativa Blue Water, uma organização sem fins lucrativos de conservação marinha, posa com pneus recuperados das águas da Flórida.
Fonte

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