terça-feira, 28 de outubro de 2014

Charles Cullen - O Enfermeiro Assassino


"Entre os anos 80-90, uma onda de mortes sacudiu os hospitais de Nova Jersey, EUA. Os pacientes faleciam por overdoses de medicamentos que não precisavam. Charles Cullen, um enfermeiro, estava por trás de tudo. Ele foi acusado formalmente de uns 40 assassinatos, embora os especialistas digam que as cifras reais estariam por volta de 400 vítimas..."

Nas décadas de oitenta e noventa, os hospitais de Nova Jersey, EUA, ganharam má reputação quando vários pacientes começaram a falecer por overdoses de remédios que não precisavam. O centro médico de Somerset levou a cabo uma investigação que descobriu quem estava por trás das mortes: era um enfermeiro instável mentalmente, chamado Charles Cullen, que mudava de trabalho de hospital em hospital.

Um passado suicida

Quando trabalhava como enfermeiro, fantasiava com 
roubar drogas do hospital para se suicidar.
Em uma ocasião, ele cravou tesouras na própria cabeça:
teve que ser operado de emergência..
.
Charles Edmund Cullen nasceu em 22 de fevereiro de 1960 em West Orange, Nova Jersey. Ele era o mais jovem de oito irmãos, seu pai, Meme Cullen, era motorista de transportes escolares e sua mãe era dona de casa. Meme faleceu quando Charles tinha apenas 7 meses de vida, pelo qual, a falta de uma figura paterna deixou instável a mente do jovem e em 1969, tentou se suicidar com produtos químicos que roubou do laboratório da escola. Esta foi a sua primeira de vinte tentativas de suicídio.

Cullen descreveu sua infância como "miserável". O futuro assassino cresceu em um bairro de operários e trabalhadores, dentro de uma família católica, no entanto a tragédia voltou a impactar a vida de Charles quando, em 6 de Dezembro de 1977, sua mãe morreu em um acidente de trânsito em que sua irmã conduzia o veículo.

A raiz de sua perda, o jovem abandonou seus estudos e em abril de 1978, se alistou na Marinha dos Estados Unidos.
Depois de ser alocado no Corpo de Submarinos, serviu na seção de balística e mísseis a bordo do USS Woodrow Wilson. Durante esse período, Cullen obteve a categoria de contramestre de terceira classe na equipe que operava os mísseis Poseidon. No entanto Charles começou a mostrar sinais de problemas mentais, como uma vez que realizou seu turno vestindo um uniforme de cirurgia verde, com máscara e luvas de látex, equipamento que roubou do estojo de primeiros socorros do navio.

Posteriormente foi transferido à nau de abastecimento USS Canopus e nos anos seguintes, Cullen tentou se suicidar em sete ocasiões até que a Marinha lhe deu alta por razões médicas em 30 de Março de 1984.

Em 1987, Cullen estudou na escola de enfermaria de Mountainside, conseguindo um trabalho no St. Barnabas Medical Center em Nova Jersey. Nesse mesmo ano, contraiu matrimônio com Adrienne Taub, o casal teve duas filhas. Quando trabalhava como enfermeiro, fantasiava com roubar drogas do hospital para se matar, e em uma ocasião cravou tesouras na sua cabeça, tendo que ser operado imediatamente.

Enfermeiro Homicida: como cometeu seus crimes

Cullen costumava assassinar a suas vítimas injetando
doses elevadas de fármacos que não precisavam,
como insulina e digoxina, um medicamento empregado
em doentes com problemas cardíacos.
Enquanto trabalhava no hospital de St. Barnabas, Cullen cometeu o seu primeiro assassinato em 11 de Junho de 1988, quando o Juiz John W. Yengo ingressou ao hospital depois de sofrer uma reação alérgica a um medicamento para o sangue. Charles administrou-lhe uma dose letal de remédios intravenosos que o matou. Durante sua estadia no St. Barnabas, Charles alegou ter assassinado onze pacientes, incluindo um paciente com AIDS a quem deu uma overdose de insulina. Em Janeiro de 1992, Charles Cullen pediu demissão quando as autoridades do hospital começaram a investigar quem havia adulterado bolsas de fluído intravenoso.

O enfermeiro assassino conseguiu emprego no Warren Hospital em Phillisburg, em Fevereiro de 1992, período em que assassinou a três idosas depois de administrar altas doses de digoxina, um fármaco diagnosticado para pessoas com problemas de coração. Sua última vítima disse que um enfermeiro suspeito lhe injetou algo enquanto dormia, mas a família da senhora e os médicos do centro descartaram seu comentário.

A esposa de Charles, Adrienne Cullen, apresentou o divórcio em 22 Janeiro de 1993, depois da separação ela realizou duas denúncias por violência doméstica contra ele. As denúncias sobre Cullen, mostravam sua natureza perversa agravada por seu alcoolismo. Também abusava de animais de estimação, metendo os animais em bolsas de boliche e latas de lixo. Charles costumava fazer brincadeiras sinistras em que colocava líquidos inflamáveis na bebida das pessoas ou passava trotes por telefone a casas funerárias.

Após o divórcio, Cullen compartilhava a custódia de suas filhas e mudou-se para um apartamento em um porão da Avenida Shafer em Phillisburg. Em 1993, Charles queria renunciar ao seu trabalho como enfermeiro, mas os pagamentos para a manutenção de suas filhas o forçaram a seguir trabalhando para poder pagar a pensão.

Mas em Março de 1993 a condição mental de Cullen piorou, quando entrou sem autorização na casa de uma colega de trabalho enquanto ela e seu filho dormiam. O enfermeiro havia saído com a mulher poucas vezes e quando ela negou a sua proposta de casamento, o enfermeiro se tornou obcecado. Posteriormente Charles começou a segui-la ao trabalho e pela cidade. Também fazia chamadas telefônicas e deixava mensagens constantemente. Ela denunciou a Cullen por assédio e este foi culpado por invadir propriedade particular, passando um ano sob liberdade condicional. Ao dia seguinte de sua detenção, Charles tentou se suicidar, deram-lhe dois meses de descanso no trabalho e foi tratado em dois centros psiquiátricos por depressão.

Afirmou que não podia tolerar que salvem a vida
de um paciente que já devia morrer,
pelo qual, ele ajudava a acabar com seu sofrimento
.
Antes de que terminasse aquele ano de 93, Charles Cullen tentou se matar em mais duas ocasiões. Em agosto do mesmo ano, Charles assassinou a Helen Dean, uma mulher de 91 anos que se recuperava de uma cirurgia, o enfermeiro entrou discretamente e lhe injetou uma dose de digoxina quando ninguém via.

Charles terminou seu trabalho no hospital Warren em Dezembro de 1993, e logo em seguida conseguiu emprego no Centro Médico Hunterdon, no Município de Raritan, Nova Jersey. Em 1994, Cullen se converteu em um enfermeiro licenciado na Pensilvânia e no início do mesmo ano, trabalhou na unidade de cuidados intensivos e cardíacos, posição que manteve por três anos. Charles diz que nos primeiros dois anos não matou ninguém, no entanto, os registros desse tempo foram destruídos quando Cullen foi preso no ano de 2003, já que o enfermeiro confessou ter matado a cinco pacientes nos primeiros nove meses de 1996, depois de administrar altas doses de digoxina nas vítimas.

Meses depois, Charles conseguiu emprego no Morristown Memorial Hospital, em Morristown, Nova Jersey, mas foi despedido em Agosto de 1997 por seu mau desempenho no trabalho. Os seguintes seis meses ele ficou desempregado e não pagou a pensão de suas filhas. Em Outubro do mesmo ano Cullen apareceu no hospital Warren para ser tratado por depressão, foi admitido em um instituto psiquiátrico, mas o tratamento não melhorou sua saúde mental. Os vizinhos de Charles reportaram terem visto ele perseguindo gatos pelas ruas durante à noite, às vezes gritava ou falava sozinho e fazia caretas para as pessoas quando estas não estavam olhando.

Em Fevereiro de 1998, Charles foi contratado pelo centro de reabilitação Liberty Nursing em Allentown, Pensilvânia. Cullen trabalhou na sala dos pacientes que precisavam de ventilação assistida para respirar. No mês de Maio, o enfermeiro declarou falência pessoal, com dívidas acima de 67.000 dólares. Cullen foi despedido em Outubro do mesmo ano após ser descoberto entrando com uma seringa no quarto de um paciente: a vítima terminou com o braço quebrado, mas aparentemente não foi injetada, também foi acusado de administrar drogas a doentes em horários não programados.

No final de novembro de 1998, Cullen conseguiu emprego no hospital Easton, na Pensilvânia e em 30 de Dezembro, assassinou com digoxina a Ottomar Schramm. Os resultados forenses demonstraram que uma dose letal desse medicamento havia sido administrada, a investigação não mostrou evidências claras e Cullen não pôde ser relacionado.

Cullen saía com uma mulher quando trabalhava no
Centro Médico Somerset; mas, mesmo assim entrou
em uma grande depressão: para se aliviar,
assassinou oito pacientes...
O enfermeiro assassino continuou procurando emprego e a falta de enfermeiros a nível nacional, tornava fácil que conseguisse um novo emprego com rapidez. Em Março de 1999, Charles pediu demissão do hospital Easton por um emprego no Lehigh Valley Hospital em Allentown, Pensilvânia, durante sua estadia, o enfermeiro matou um paciente e tentou liquidar a outro.

Nesse mesmo ano, o médico forense do condado de Northampton, Zachary Lysek, informou às autoridades que havia um "anjo da morte" operando no Hospital Easton, o forense chegou a esta conclusão depois de examinar o corpo de Schramm, um paciente de 78 anos, que faleceu depois de receber uma dose fatal de digoxina (sua condição não requeria esse medicamento). Como Schramm provinha de um asilo, começou uma investigação no hospital quando um dos parentes comentou ter visto um enfermeiro com agulhas próximo do paciente. O forense Lysek se frustrou ao não conseguir levar adiante a sua investigação e Cullen transladou-se ao hospital St. Luke próximo de Bethlehem.

Cullen tentou suicídio novamente em Janeiro de 2000, usando uma grelha de carvão com a que esperava se sufocar com a fumaça. Seus vizinhos, ao verem a fumaça, chamaram os bombeiros e a polícia, Charles foi internado em um centro psiquiátrico, mas lhe deram alta no dia seguinte.

Em 2002, uma enfermeira do hospital St. Luke disse que havia um colega de comportamento estranho chamado Charles Cullen. Quando Lysek informou às autoridades do condado, logo descobriram que sete enfermeiros do hospital haviam pesquisado a Cullen previamente, os administradores informaram à polícia do Estado que Charles matava pacientes, já que em Junho de 2002, encontraram pacotes abertos de um remédio e haviam visto sair o estranho enfermeiro de quartos cujos pacientes depois faleciam, como foi o caso de Diane Mackrell de 48 anos e Esther Stoneback de 71. Durante os turnos de Charles, havia um acréscimo de código azul (atuações por paradas cardiorrespiratórias ); quando questionaram a respeito das drogas perdidas, Cullen abandonou seu trabalho sem dar explicações.

Durante o mês de Setembro do ano de 2002, Cullen trabalhou na unidade de cuidados intensivos do Centro Médico Somerset em Somerville, Nova Jersey. Charles saía com uma mulher, mas mesmo assim entrou em uma grande depressão e para sentir alívio, assassinou a oito pacientes utilizando doses letais de digoxina e insulina. Em 18 de Junho de 2003, Cullen tentou assassinar a Phillip Gregor, mas este sobreviveu e lhe deram alta, mas morreu 6 meses depois por causas naturais.

No ano seguinte, o Estado contratou ao Dr. Isadore Mihalakis, um patólogo de renome que iniciou uma extensa investigação de todas as mortes, mas em Março de 2003 entregou seu relatório e não descobriu atividade criminosa. A sorte de Cullen ia se esgotando enquanto trabalhava no Centro Médico de Somerset, como o sistema, totalmente controlado por computador, revelou que ele revisava arquivos de pacientes que não estavam a ele atribuídos. Seus colegas o viam entrar e sair. Finalmente o registro computadorizado dos gabinetes médicos, descobriu que Cullen solicitava medicamentos para pacientes que não precisavam.

No mês de Julho, Steven Marcus, o diretor executivo de informação de venenos e sistemas de educação de Nova Jersey, informou que haviam quatro pacientes mortos com doses excessivas suspeitas e que tudo indicava que era obra de um enfermeiro. Em Outubro do mesmo ano, as autoridades foram contactadas, mas Cullen já havia assassinado a cinco pacientes e tentava liquidar o sexto. Nesse período, os oficiais do Estado penalizaram ao Hospital Somerset pela morte de um paciente depois de receber uma overdose de insulina. A última vítima de Cullen, faleceu por ter pouco açúcar no sangue. Imediatamente, as autoridades foram notificadas e levaram a cabo uma extensa investigação sobre o historial de Cullen nas mortes durante sua carreira como enfermeiro. Charles Cullen foi despedido em 31 de Outubro de 2003, por ter mentido em sua solicitação de emprego. Por várias semanas, a polícia o vigiava enquanto a investigação chegava ao fim.

O fim de seus atos criminosos

No dia 14 de Dezembro do 2003, Charles foi preso
enquanto comia em um restaurante; já na corte,
prometeu cooperar com a investigação
se o deixassem viver...
A investigação demonstrou a participação de Cullen na morte do Reverendo Florian Gall e também a tentativa de homicídio de Tin Kyushu Han, ambos foram pacientes do hospital Somerset. Os oficiais prenderam Charles enquanto comia em um restaurante em 14 de Dezembro de 2003. Além disso, o enfermeiro assassino admitiu ter matado a Ottomar Schramm.

Em Abril de 2004, Charles Cullen se declarou culpado por ter assassinado a treze pacientes e tentar matar a mais dois por meio de injeção letal enquanto esteve no hospital Somerset. O enfermeiro jurou ante a corte cooperar com a investigação, desde quando não fosse sentenciado com a pena de morte. Em Novembro, Cullen afirmou ser culpado do assassinato de seis pacientes no Liberty Nursing de Allentown, Pensilvânia. Em Julho de 2005, o enfermeiro passava suas noites na prisão do condado de Somerset em Nova Jersey.

No final do mesmo ano, Cullen foi declarado culpado de ter assassinado a quarenta pacientes durante os seus 16 anos de serviço como enfermeiro em dez hospitais distintos.

Acredita-se que a cifra real poderia ser muito superior e alguns especialistas falam inclusive de 400 assassinatos, podendo ser convertido dessa forma, no mais ativo assassino em série da história nos Estados Unidos.

Em 10 de março de 2006, enquanto esperava o veredito, Cullen repetia sem cessar:

"Meritíssimo, você precisa renunciar"

O juiz ordenou que amordaçassem a sua boca com um pano e fita adesiva. Foi sentenciado pelo Juiz William Pratt a onze condenações perpétuas sem liberdade condicional na prisão Estadual de Nova Jersey, em Trenton. Após o julgamento muitos familiares das vítimas foram lá para insultá-lo e perguntar por seus parentes mortos.

O que motivou Cullen a assassinar os seus pacientes?

O trastornado assassino disse que pensava por vários 
dias antes de matar o paciente, mas no final, 
o fazia por impulso.
Durante os interrogatórios, o enfermeiro justificava seus atos aos detetives dizendo que não podia tolerar que salvem a vida de um paciente que logo devia morrer. Cullen admitiu que matava para libertá-los de seu sofrimento e também para prevenir que o pessoal do hospital desumanizasse os pacientes com tratamentos que não funcionavam.
O enfermeiro disse que pensava por vários dias antes de matar o paciente, mas no final matava por impulso.

Em dezembro de 2003, ele disse aos detetives Timothy Braun e Daniel Baldwin que tinha vivido toda sua vida como em uma neblina. Comentou também o fácil que era se mover de um local a outro no momento em que escutava rumores sobre seus atos.

As ações do enfermeiro assassino ajudaram a aprovação de uma nova lei em abril de 2004, quando o governador de Nova Jersey, James McGreevey, assinou um documento que obrigava a todos os centros médicos a reportar erros sérios e também, a fazer uma avaliação mais extensa antes de contratar empregados.

Fonte Fonte Fonte

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