quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Codex Gigas: A Bíblia do Diabo


Codex Gigas. Livro Grande. Sob este inquietante nome se esconde o livro medieval de maior tamanho que dispomos hoje em dia. Foi escrito presumivelmente no século XIII por um monge beneditino chamado Heman (o presidiário), no mosteiro de Podlažice na Boêmia (atual República Checa).

Trata-se de uma obra tão magna e abrangendo tantas disciplinas, que parece impossível que tenha sido realizada por uma única pessoa, e precisamente nesse aspecto se encontra o seu maior mistério. Um livro com dimensões de 92 x 50,5 x 22 cm e aproximadamente 75 kg, criado naquele tempo onde as trevas da razão e o obscurantismo da lógica, fez com que denominassem a esta obra singular de "A Bíblia do Diabo". Porque naquele tempo, acreditavam que foi o próprio demônio quem ajudou ao monge beneditino a elaborar semelhante obra literária...Em apenas uma única noite.



Este incrível exemplar medieval contém em suas maltratadas páginas, toda a versão Vulgata Latina da Bíblia, exceto para os livros de Actos e Apocalipse, provenientes de uma versão pré-Vulgata, o texto completo da Chronica Boemorum (Crônica dos Boêmios), tratados mágicos, curas medicinais, estudos do historiador judeu Flavio Josefo, as Etimologias do arcebispo São Isidoro de Sevilha, tratados médicos de Constantino o Africano, listas de pessoas falecidas, um calendário e anedotas, muitas e floridas anedotas da época...Uma combinação de textos tão espetacular quanto impossível, e tão misteriosa que poderia ofuscar o livro mais enigmático da história: O manuscrito Voynich


Dispõe de 624 páginas, e quem teve o privilégio de vê-lo em pessoa, acredita que é sem dúvida uma experiência única para os sentidos. Cada folha é iluminada a base de tintas azuis, vermelhas, amarelas verdes e ricas tonalidades em ouro adornando pequenos e sutis detalhes. Deixando de lado a inquietante lenda associada ao Codex Gigas, cabe dizer que o livro é por si só uma autêntica obra de arte que temos ainda hoje em dia entre nós, em perfeito estado. Um tributo medieval que abrange todos os saberes da época.

A lenda sobre a origem do Codex Gigas

Conta a lenda negra que o monge realizou tal colossal obra em uma única noite. Era uma penitência. Uma penitência a cumprir por seu crime cometido, algo tão grave que sua própria ordem o condenou a ser enterrado vivo em uma parede. Mas o monge Heman declarou que para compensar seu crime, redigiria um livro com todo o conhecimento da época incluindo uma reprodução da Bíblia. E o faria tudo em uma só noite...


E segundo a lenda, ele assim o fez. Em uma só noite ofereceu ao seu mosteiro aquela obra incomparável. E os clérigos não viram mais explicação que a sobrenatural: que o próprio Demônio guiou a sua pena e o ajudou. E mais ainda. Como prova, deixou sua própria assinatura em uma das páginas. Uma ilustração do próprio Satã na página 290, que ainda hoje, nos enche de espanto.

O Codex Gigas, "A Oitava maravilha do mundo"

Obviamente, e deixando a um lado a lenda, o livro não foi escrito em uma só noite. Foi há alguns anos quando uma equipe de investigação, dirigido pela National Geographic, quis abordar uma série de análises para tentar chegar a uma conclusão objetiva sobre a origem e autoria do Codex. 

E os resultados são interessantes. Acredita-se que pôde ter demorado entre 20 e 30 anos para terminá-lo, mas que é muito possível que fosse uma só pessoa quem o criou. Tal conclusão é baseada na caligrafia tão peculiar e o estilo tão pouco visto até o momento. É possível pois, que fosse tarefa de um só escriba dotado de grandes conhecimentos e muita, muita paciência.


Seja como for, o Codex Gigas se alçou de imediato naquela época como um dos maiores tesouros da Tchéquia. Chegando a ser catalogado inclusive como, "A Oitava maravilha do mundo" e como tal, era desejada por muitas pessoas e países influentes. O brilho de sua fama e o rastro de sua lenda obscura, fez com que se convertesse em pouco tempo, em um cobiçado botim de guerra, e como não podia ser menos, acabou sendo usurpado pelo estado sueco ao terminar a guerra dos 30 anos em 1648.

Foi então quando o livro foi posto sob rigoroso estudo, especialistas do mundo todo viajavam desde terras longínquas para analisá-lo. E não cabia dúvida: era uma das obras mais valiosas da história, algo assombrosamente perfeito, belo e um tributo à cultura universal. Embora a ilustração demoníaca intercalada entre as folhas do Codex, convertem o livro nos dias atuais, em uma das obras mais estranhas e dotadas de uma escuridão tão atraente quanto tenebrosa.


Fatos sobre da Bíblia do Diabo:

As 310 folhas (620 páginas) da Bíblia do Diabo são feitas de papel velino, de peles processadas de 160 animais, muito provavelmente de burros.
Acredita-se que algumas páginas da Bíblia do Diabo foram removidas, e ninguém sabe o que aconteceu com elas.
A Bíblia inteira do Diabo está escrita em latim. Toda a caligrafia está ricamente em iluminura.
Incluindo a sua capa de madeira, que é ornamentada com metal, o Codex é tão pesado (cerca de 75 quils) que é preciso pelo menos de dois adultos para transportá-lo.
O retrato do diabo está de frente para uma imagem da "Cidade do Céu", a única outra imagem na Bíblia do Diabo. Alguns estudiosos acreditam que a imagem do Céu nega o retrato do diabo. Outros notaram que nenhuma pessoa pode ser vista na cidade do Paraíso.
Também na Bíblia do Diabo está a "enciclopédia" por São Isidoro, que mais de um milênio depois dele ter vivido, é considerado o santo padroeiro da Internet.
A Etimologia de Isidoro foi uma tentativa de gravar todo o conhecimento universal de seu tempo, no século 7.


Caso deseje vê-lo em pessoa, o curionauta deverá ir até a Suécia, à Biblioteca Nacional da Suécia. Embora graças ao seu perfeito estado, o Codex Gigas costuma viajar com muita frequência, disposto a fazer parte de interessantes exposições sobre a Idade Média, como a do Metropolitan Museum de Nova Iorque e como a realizada há alguns poucos anos na Biblioteca Nacional Tcheca.

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