terça-feira, 28 de outubro de 2014

Os Fogos de Jharia

Jharia e a aldeia vizinha Bokapahari, no estado de Jharkhand, se encontram dentro de uma das maiores reservas de carvão da Índia. O carvão de coque mineral é importante para a economia da Índia como fonte de mais de 70% do fornecimento de energia do país. Mas, para as 90.000 pessoas que vivem em torno de Jharia, não há nenhum benefício.
Fogos de carvão rugem abaixo da superfície e gases nocivos são vomitados por fissuras e em torno das casas.

A mineração incessante e o fogo subterrâneo queimando por quase um século, contaminou tudo - o solo, a água e o ar. O dióxido de enxofre, monóxido de carbono e hidrocarbonetos emitidos pela queima de carvão, causam doenças que variam de derrame a doença pulmonar crônica. Quase todo mundo em Jharia está doente. Ocasionalmente, a terra desmorona, engolindo prédios e pessoas no abismo.

O carvão pode inflamar-se espontaneamente mesmo quando frio, quando expostos a certas condições de temperatura e oxigênio. Isto pode ocorrer naturalmente ou o processo de combustão pode ser desencadeado por outras causas. Em Jharia, uma grande quantidade de mineração é feito ilegalmente em minas a céu aberto. Lá o carvão é extraído bem do lado das casas, nas ruas, nas linhas ferroviárias e na própria estação de trens. Desde que as minas de carvão foram nacionalizadas em 1971, os moradores têm levado uma vida de dificuldade vendendo carvão roubado no mercado local.

Convencionalmente após a mineração a céu aberto, as áreas são recarregadas com areia e água, para que a terra possa ser cultivada novamente. Isso nunca aconteceu em Jharia, cujas camada de carvão entram em contato com o oxigênio e pegam fogo. Uma vez que um filão de carvão se incendeia, e os esforços para deter o fogo em fase precoce falham, pode continuar a queimar por dezenas a centenas de anos, dependendo principalmente da disponibilidade de carvão e oxigênio como acontece no caso da cidade de Centralia nos EUA.
Confira no Noite Sinistra: Silent Hill teria sido baseado em um diário encontrado em Centralia

Os fogos de Jharia foram detectados pela primeira vez em 1916, e foram causados principalmente por causa de minas abandonadas indevidamente desativadas. Desde então, um grande fogo subterrâneo e mais de 70 queimadas na superfície consumiram cerca de 41 milhões de toneladas de carvão de coque, no valor de bilhões de dólares, para não mencionar a enorme quantidade de gases de efeito estufa liberados no ar.

Estima-se que cerca de 1,5 bilhão de toneladas de carvão são inacessíveis devido à queima. Jharia vai continuar a queimar até que uma prevenção contra incêndio eficaz e procedimentos de extinção, sejam desenvolvidos e empregados ou até que o carvão queime até o fim. Mas a posição do governo é de totala indiferença.

Moradores acusam a empresa estatal de carvão BCCL de deixar o fogo queimar, esperando que os residentes abandonem o lugar e assim, a empresa possa explorar os 12 bilhões de dólares em carvão de coque de alta qualidade que fica sob as suas terras.

Em 1996, o governo empreendeu um programa de translado massivo para mover todos os moradores de Jharia e áreas afetadas pelo fogo em torno de Belgharia, para um novo assentamento a 8 km de distância. Mas Belgaria não possui escola, nem assistência médica ou comércio e não há empregos. Tudo o que foi prometido foram míseros 10 mil Rúpias (167 Dólares ou 411 Reais na cotação de 2014) em indenização e 250 dias de trabalho. Não é à toa que muitos decidiram ficar em Jharia apesar das chamas, da fumaça e da poluição.











Fonte

Nenhum comentário:

Postar um comentário