terça-feira, 21 de outubro de 2014

Peter Norris Dupas: O Monstro Ordinário


"Por trás de seu inocente aspecto, Peter Norris Dupas escondia um atroz estuprador e assassino que desde muito jovem começou sua carreira delituosa. Sua brutalidade era tal, que a algumas vítimas ele amputava seus seios e os enfiava na boca..."

Desde os 70, um predador sexual espreitou durante trinta anos às mulheres de Melbourne, Austrália. Tratava-se de Peter Duplas, um sujeito trastornado que, apesar de ter crescido em um lar cheio de amor, nasceu com o mau dentro de si. Quanto a suas razões, o único fiável que saiu de sua boca de mentiroso é que todas os estupros que cometeu eram porque simplesmente sentia "urgência". Descrito por quem dirigiu a investigação de um de seus numerosos crimes como "um malvado, frio, com cara de moleque mentiroso", o estuprador Peter Duplas passou a engrossar o obscuro rol dos grandes delinquentes do século 20.

Antecedentes e primeiros delitos

Detido em várias ocasiões por estupro, era liberado em 
pouco tempo ou cumpria breves condenações. 
Sua escalada de violência crescia até começar 
a assassinar e mutilar os seios de suas vítimas.
Peter Norris Dupas nasceu em 6 de julho de 1953 em Sidney, Austrália, no setor de New South Wales. Peter era o menor de três irmãos de uma família decente e amorosa. Sua família mudou-se a Melbourne quando ele ainda era um bebê.

Como seus pais tinham uma idade avançada e seus irmãos eram mais velhos que ele em muitos anos, Peter era tratado como se fosse filho único.

Durante sua etapa escolar, Peter era chamado de "Pugsley" já que por seu excesso de peso, se parecia ao filho da "Família Adams". Além disso, o tratavam como "o bobo da classe" e, entre outras coisas, debochavam dele por sua lentidão em aprender. Naturalmente, todas estas coisas foram alicerçando a sua condição de inadaptado, ressentido e pouco sociável.

Em 3 de outubro de 1968, Peter de 15 anos frequentava o Waverly High School no leste da periferia Mount Waverly de Melbourne. O adolescente, com seu uniforme escolar, visitou a uma vizinha de 27 anos para pedir-lhe uma faca dizendo que a precisava para cortar verduras. No entanto, algo aconteceu em sua mente e ele a apunhalou no estômago e posteriormente na mão, rosto e pescoço enquanto ela tentava se defender. Segundo o relato da mulher atacada, enquanto a apunhalava ele dizia:

"É tarde demais, já não posso parar, eles me prenderão!"

Quando foi preso, disse à polícia que não sabia por quê a tinha atacado nem lembrava nada após ter a faca na mão. Após o ataque, foi sentenciado a 18 meses de liberdade condicional e uma avaliação no hospital psiquiátrico Larundel. Duas semanas depois ele deu alta e recebia tratamento como um paciente externo.

Em outubro de 1969, houve um ataque no necrotério do hospital de Austin, local onde os cadáveres de duas idosas foram mutilados. Pela natureza das feridas, a polícia suspeitou que fora obra de Dupas, principalmente quando depois compararam as marcas com as do cadáver de outra de suas vítimas: Nicole Patterson.

Estupros e Encarceramentos

Cumpriu pena por estupros em repetidas
ocasiões, mas assim que era liberto, voltava
a agredir em poucos dias.
Em 5 de novembro de 1973, Peter abusou de uma mulher casada, a vítima aproximou-se a ele quando este pediu ajuda para consertar seu carro. Enquanto a mulher procurava uma chave de fenda, Dupas escondeu-se na casa e ameaçou com uma faca a ela e ao seu bebê de 18 meses, posteriormente amarrou à mulher com uma corda e a atingiu na cabeça quando ela tratou de resistir e depois a estuprou em sua própria cama.

Nas semanas seguintes, Peter tentou esta tática várias vezes, mas só conseguiu roubar dinheiro. Inclusive nesses dias o sargento Ian Armstrong, o detetive que seguiu o caso de Peter, o interrogou em 30 de novembro de 1973 no posto de polícia de Nunawading. Depois de seu encontro, disse que Dupas era fraco e complacente, mas também acrescentou que era um homem malvado e impiedoso com a cara de um bebê.

O juiz John Leckie sentenciou a Dupas a 9 anos depois de estuprar a mulher casada em sua casa e ameaçar ao seu bebê. Os programas de reabilitação da prisão não tinham efeito em Peter e enquanto esteve preso, o reconhecido doutor Allen Bartholomew examinou Dupas e concluiu que ele tinha um sério problema psicossexual; um problema que ele negava, no qual lhe convertia em um estuprador muito perigoso.

Após cinco anos, foi libertado em 4 de setembro de 1979 e apenas duas semanas depois, atacou a quatro mulheres, às quais deixou mentalmente marcadas pelo resto de suas vidas. Nesta ocasião, Peter estava equipado com uma faca e uma balaclava, ambos objetos se converteram em sua marca de estuprador e assassino. O evento aconteceu em um banheiro público de Frankston, onde Peter estuprou a sua vítima e psicologicamente torturou ao restante delas com sua atividade Voyeurista. A mulher mais velha do grupo opôs resistência, enquanto as outras escapavam; Dupas a apunhalou e fugiu.

Devido ao seu aspecto de "gordinho", quando era 
criança foi apelidado como "Pugsley" 
(o filho da Família Adams). Esta rejeição de seus colegas,
 converteu a Dupas em uma pessoa antissocial.

Logo a polícia prendeu a Peter e ele confessou tudo o que havia feito. Durante uma entrevista, o estuprador afirmou que não sabia o que acontecia com ele e que não podia ser detido, também disse que tinha este problema desde há mais de seis anos. Em 28 de fevereiro de 1980, o juiz Leio Lazarus sentenciou a Dupas a 6 anos e meio de detenção. Os promotores não estiveram a gosto com a sentença que consideraram muito benevolente já que era o segundo encarceramento de Peter.

Em 27 fevereiro de 1985, Peter foi libertado e um mês depois estuprou a uma mulher de 21 anos na praia de Blairgowrie. Dupas seguiu à mulher até seu veículo e a sodomizou, em sua confissão disse que ele achava que estava curado e que só queria viver uma vida normal. Posteriormente recebeu uma sentença de 12 anos por este crime.

Enquanto estava preso em Castlemaine, Peter casou-se em 1987 com Grace McConnell, uma enfermeira de Castlemaine que era 16 anos mais velha que ele. Depois de 7 anos de terapias foi libertado em 3 de março de 1992. No entanto suas tendências criminosas voltaram a metê-lo em problemas e depois de cumprir uma curta condenação, saiu em 1996. Enquanto isso, sua esposa o havia deixado e ele conseguiu um emprego em uma fábrica.

Primeiros Assassinatos e Mutilações.

Em 13 de fevereiro de 1985, foi encontrado o corpo de Helen McMahon de 47 anos na praia de Rye. Apesar de que Dupas estava preso nesse momento, os oficiais descobriram que Peter havia saído da prisão com uma permissão e que nesse tempo vivia na área de Rye quando McMahon foi assassinada. A mulher se bronzeava semi-nua na praia; no entanto, seu corpo foi encontrado nu próximo do local onde Peter havia estuprado a uma mulher de 21 anos. Até o dia de hoje, a polícia acha que McMahon foi a primeira vítima de Dupas, mas o caso não foi resolvido.

Foto de Dupas em que aparece o resumo 
de um de seus crimes mais atrozes. 
Cemitério Fawker, em que assassinou a 
Mersina Halvagis, os pais da vítima e 
imagens do assassino em um dos julgamentos.
Mersina foi estuprada e apunhalada 87 vezes 
nos joelhos, pescoço e seios até causar a sua morte. 
Peter Dupas escondeu seu corpo 
no mesmo cemitério onde a atacou.
Em 4 de outubro de 1997, Margaret Maher, uma prostituta local de 40 anos, foi sequestrada e assassinada por Dupas. Seu cadáver foi encontrado por um homem enquanto recolhia latas de alumínio próximo da estrada de Cliffords, Somerton. O corpo de Margaret encontrava-se coberto por uma caixa de papelão. A autópsia revelou que Maher havia sido apunhalada no pulso; o pescoço da mulher foi atingido com um objeto contundente, igual que sua sobrancelha direita, também tinha cortes em seu braço direito. O seio esquerdo de Maher foi amputado com uma faca e colocado em sua boca. Após quatro semanas Dupas atacou novamente.

Em 01 novembro de 1997, Mersina Halvagis de 25 anos visitava o túmulo de sua avó no cemitério Fawkner no norte de Melbourne, mas quando se ajoelhou para arranjar um buquê de flores, ela foi atacada. Posteriormente sua ausência em uma reunião alertou ao seu noivo e rapidamente foi iniciada a busca; no entanto, seu corpo não foi descoberto até o dia 5 de novembro de 1997. O noivo de Halvagis encontrou ela em um túmulo com flores ao redor.

A autópsia realizada no cadáver revelou que ela estava de joelhos quando foi atacada. Dupas subiu a roupa dela acima de sua cabeça e posteriormente a apunhalou 87 vezes em seus joelhos e pescoço, mas a maioria das feridas se focaram em seus seios. Como a casa de Peter estava próxima do cemitério e os depoimentos de duas testemunhas que disseram tê-lo visto no cemitério no dia que Mersina foi assassinada, os oficiais prenderam a Peter. Anos depois o assassino confessou ter assassinado a Halvagis, enquanto os oficiais o interrogavam na prisão de Port Phillip em 2002.

A psicoterapeuta e conselheira de jovens, Nicole Amanda Patterson de 28 anos, era uma pessoa que ajudava a jovens drogados em seu tempo livre. Patterson tinha seu próprio consultório em sua casa de Northcote. Foi ali, em seu consultório, onde Peter a assassinou brutalmente e depois disso, limpou todas as pistas possíveis e deixou o rádio ligado em volume alto e o televisor aceso. seria o crime perfeito se Peter não esquecesse de levar o diário de consultas de Nicole.

Assim que na manhã do dia 19 de abril de 1999, um vizinho amigo de Nicole foi pegá-la para uma reunião e então encontrou com o cadáver da psicoterapeuta, no qual, apresentava sinais de ter sido apunhalada 27 vezes (tinha feridas em suas mãos e braços) e de ter sido amarrada com uma fita amarela. Mas o pior de tudo foi que os dois seios de Nicole haviam sido mutilados e não estavam na cena do crime. Estas mutilações lembraram aos oficiais a outra vítima: Margaret Maher. Agora, quando a polícia procurou nos pertences de Nicole, encontrou o seu diário de consultas, graças ao qual puderam encontrar a Peter através de um processo de rastreio a partir de um número de telefone celular.

Julgamento e Sentença

Devido aos antecedentes de Dupas na corte de Melbourne, seu julgamento foi levado a cabo em 26 de setembro do 2006 na Suprema Corte de Vitória, onde foi acusado pelo homicídio de Mersina Halvagis. Em 9 de agosto de 2007, Dupas foi declarado culpado do homicídio de Halvagis, oito dias depois foi condenado a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Durante o julgamento, saíram à luz os homicídios de Renita Brunton, de 31 anos, encontrada em Sunburry, Vitória, em 1993. Também era suspeito de ter assassinado a Kathleen Downes de 95 anos, que foi apunhalada em 31 de dezembro de 1997 no asilo Brunswick Lodge, o qual aconteceu um mês após o homicídio de Halvagis. As investigações policiais descobriram que Dupas havia chamado por telefone ao asilo pouco tempo antes do assassinato.

Desde o ano de 2006, Peter Dupas cumpre sua sentença na prisão de segurança máxima de Port Phillip em Laverton. Os guardas da prisão descrevem a Dupas como um prisioneiro modelo; no entanto, o monstro sexual que habita dentro dele, jamais será libertado novamente.

Fonte Fonte

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