segunda-feira, 24 de novembro de 2014

As Casas Flutuantes do Iraque - Um Paraíso Quase Destruído Por Saddam

Era o "Jardim do Éden" do Iraque; nas únicas terras úmidas no sul do país, onde um povo conhecido como Ma'dan, ou "árabes dos pântanos", viviam em uma Veneza mesopotâmica, caracterizada por lindas e elaboradas casas flutuantes inteiramente feitas de canas colhidas d'água.

Essas maravilhas arquitetônicas pouco conhecidas, são chamadas de "mudhif"; construídas sem pregos, madeira ou vidro em menos de três dias e até as ilhas onde repousam as casas, são feitas de barro compactado e juncos.

É um método de construção que tem sido utilizado pelos moradores das planícies por milhares de anos, mas, nas últimas décadas, essa arquitetura exótica desapareceu quase completamente e está em risco de se perder junto com ela, o antigo conhecimento da singular técnica em si.

Por que um banhado como esse desapareceria? Tal como aconteceu com a maior parte da injustiça que marcou o Iraque durante o final do século 20, a destruição deste paraíso do Oriente Médio chegou pelas mãos de um desafiante ditador: Saddam Hussein. Os pântanos e as casas flutuantes de junco foram por algum tempo, considerados um refúgio para os perseguidos do governo de Saddam e nos séculos passados ​​haviam sido um refúgio para os escravos e servos fugidos.

Durante os levantes de 1991 no Iraque, Saddam Hussein drenou os pântanos do sul do país, únicamente como um castigo para com os árabes do pântano, que haviam apoiado o levante e alegadamente dado refúgio a milicianos do governo considerados terroristas.

O governo iraquiano reviveu agressivamente um projeto de irrigação de 1970 que inicialmente, tinha sido abandonado depois que começou a interromper o fluxo d'água para os pântanos. Muito rapidamente, a sua fonte de alimento foi eliminada, suas aldeias foram presas e queimadas e esse exuberante paraíso sistematicamente convertido em um deserto. O pouco d'água que permaneceu teria sido envenenada.

Milhares de residentes foram forçados a deixar seus assentamentos, abandonar seu estilo de vida tradicional em favor de cidades e campos em outras áreas do Iraque ou para campos de refugiados iranianos. Apenas 1.600 dos cerca de meio milhão de árabes dos pântanos registrados na década de 1950, foram estimados como estando ainda morando nos alojamentos tradicionais no novo milênio.

Considerou-se uma cultura perdida até que uma recuperação notável começou a ocorrer em 2003, quando as comunidades locais começaram a romper os diques de Saddam Hussein após a invasão do Iraque pelos EUA. Uma seca de quatro anos, também chegou ao fim no mesmo ano e os pântanos foram restauradas cobrindo mais de 50% os níveis d'água da década de 1970 (Foto abaixo).


O ecossistema no entanto, pode demorar muito mais tempo para se restaurar do que levou para ser destruído. Muitos dos árabes dos pântanos se mudaram e aqueles que retornam são recebidos sem água potável, falta de saneamento, instalações de saúde ou educação. 

Somente a quilômetros de distância de cidades devastadas pela guerra, há poucos dispostos a arriscarem suas vidas para salvar um pântano e sua minguante comunidade eco-amigável, no entanto, há esperança. A Nature Iraq, fundada por um engenheiro hidráulico iraquiano-americano que desistiu da sua vida na Califórnia para ajudar a restaurar o jardim perdido do éden do país, está liderando esforços com o apoio financeiro dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Itália. 

Um de seus mais recentes esforços para reconstruir a comunidade Ma'dan, foi a organização reconstruir um "mudhif" tradicional, para demonstrar como a alternativa de baixo custo e métodos de construção sustentáveis,​​ poderiam funcionar mais uma vez.

No espírito da comunidade Ma'dan, que ao longo da história tem dado refúgio aos necessitados, a morada de cana funciona como uma casa de hóspedes, oferecendo alojamento para estadias de longa duração, assim como um centro comunitário onde os moradores e viajantes podem ter refeições e compartilhar as discussões sobre o futuro do jardim do Éden do Iraque.





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