quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O Frankenstein de Zehnder


Hoje compartilhamos uma fotografia muito especial, uma imagem que tem um espaço singular reservado na história da ciência e da tecnologia. O "Frankenstein" de Zehnder...

O termo "Frankenstein" grosseiramente utilizado neste post, nada mais é que uma comparação distante com a obra de Mary Shelley, afinal de contas, a imagem foi realizada com exposições de cinco a quinze minutos a raios X sobre diversas partes dos corpos de várias pessoas. Especificamente, o que se vê na imagem é a primeira radiografia de um corpo humano completo visto através de raios X ou, melhor, um mosaico de nove tomas.

Foi realizada em agosto de 1896 por Ludwig Zehnder, assistente de Röntgen, que no ano anterior havia descoberto os raios X. No princípio, poucos cientistas acharam que aqueles raios misteriosos fossem algo real, afinal de contas as primeiras notícias que chegavam de jornais eram pouco menos que fantásticas e muitos ainda não tinham lido o artigo de Röntgen intitulado "Sobre um novo tipo de raios, comunicação preliminar", uma obra prima da literatura científica, exemplo simples e direto de comunicação a respeito de uma investigação.

Em 5 de janeiro de 1896 apareceu uma primeira menção na imprensa em um jornal de Viena. O tema era tão assombroso que em meados daquele mesmo mês, já havia aparecido no New York Times.

O caso dos raios que penetravam a matéria e plasmavam as sombras em placas havia dado a volta ao mundo, para pesar do próprio Röntgen. Os jornais não faziam mais que publicar imagens obtidas com a ainda radiação sem nome, mas não iam mais que além do divertimento.
Para o cientista alemão, aquilo não tinha graça, ele se preocupava em descobrir a natureza do descobrimento, não converter a descoberta em um espetáculo circense.

Em poucos meses proliferaram as máquinas de raios X, principalmente as construídas por fotógrafos. Os artigos científicos logo aclararam as dúvidas; aquilo era real. Uma febre se espalhou por todo o planeta, em que pensavam utilizar a novíssima radiação para tudo e claro, o pobre Röntgen, amante da tranquilidade e de um estilo de vida metódico e afastado da algazarra, se sentia incomodado. Pese a tudo, não saiu de sua rotina diária e continuou com suas investigações como se nada acontecesse.

Recusou as ofertas para dar conferências, salvo em algum caso pontual e mal respondia a alguma das cartas que chegavam. Não pôde se ver livre, no entanto, de dar certos discursos. Em 1901 foi lhe concedido o primeiro Prêmio Nobel de física da história. Cabe dizer que o dinheiro do prêmio foi doado por Röntgen ao departamento de física da Universidade de Würzburg, para que fosse utilizado em investigação e bolsas. Nesse lugar administraram tão admiravelmente bem esse dinheiro que a dia de hoje, ainda utilizam os lucros com os mesmos fins.

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