quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O Horror do Tráfico de Espécies nos Olhos de um Filhote de Chimpanzé



Segundo os que resgataram o filhote, "o bebê chora sem parar quando os humanos se aproximam dele". Os olhos grandes e cheios de medo e incerteza deste pequeno chimpanzé, são apenas uma pequeníssima amostra do horror do tráfico de espécies, um negócio ilegal que compartilha espaço com o império da droga por estar entre as cinco máfias que mais dinheiro manipulam.

A imagem acima mostra um filhote de chimpanzé resgatado junto aos restos de sua família.

Por trás das lágrimas deste filhote, está o brutal assassinato de sua família. "As fêmeas com bebês são as mais expostas, porque os pequenos se aferram a suas mães e isso faz elas ficarem mais lentas", explica ao jornal EL MUNDO, Federico Bodganowicz, diretor executivo do Instituto Jane Goodall Espanha (IJG).

Por trás do medo aos humanos deste pequeno símio, não só estão as balas, mas também o fogo e o aço. "Matam às mães e defumam o corpo para preservar a carne. É uma 'delicatessen', um requintado prato em países como Camarões", conta condoído Bogdanowicz. Junto deste bebê foram encontradas 7 cabeças e quase 30 extremidades. "Os filhotes são deixados para viver e são vendidos como mascotes. São transportados em malas para a China e ao Oriente Médio, porque ali pagam muito dinheiro".

Especificamente, por um casal de chimpanzés exportados com selo CITE (Convênio sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestre), os traficantes obtêm mais de 16.000 euros (50 mil reais) no Cairo, onde são transladados a outros países. No entanto, um caçador ilegal da Guiné, só recebe uns 40 euros (126 reais) pelo trabalho sujo, segundo dados da GRASP (Great Apes Survival Partnership).

"Esquartejam os adultos para vendê-los como comida de luxo e deixam vivos os filhotes para oferecê-los como mascote a países do Oriente Médio."

Mas o problema não fica só centrado nos mais pequenos dos grandes símios, mas sim, também atacam aos bonobos -no qual, os traficantes recebem quase 38.000 euros (119 mil reais) por um casal - e os gorilas, os quais chegam à estrondosa cifra de mais de 240.000 euros (756 mil reais) para o traficante e quase 2.000 euros (6 mil e 300 reais) para o caçador furtivo.

Assim, tanto o IJG como o próprio GRASP coincidem em que "o verdadeiro problema são os traficantes, não os caçadores ilegais. Acabando com os traficantes, não haverá mais furtivos". Na caçada a esta máfia, implicou-se a Organização Não Governamental (ONG) que resgatou o bebê chimpanzé e os restos de sua família, LAGA, fundada por Ofir Drori, um jovem israelense que leva 8 anos de sua vida percorrendo a África. LAGA protagoniza a parte legal desta perseguição, um tipo de polícia pró-animal que busca acabar com o tráfico de espécies.

Federico Bogdanowicz com o chimpanzé Lemba em Tchimpounga. 
Segundo esta ONG, o comércio ilegal de grandes símios é uma estrutura "transnacional, organizada e especializada". Estes terríveis acontecimentos "são comuns nas numerosas operações de detenção de traficantes de símios realizadas neste ano". Desta vez, dois traficantes foram detidos pela LAGA na fronteira de Camarões com Nigéria enquanto transportavam o bebê chimpanzé e os restos. "admitiram o delito, o que significa que poderiam ser enquadrados a um máximo de três anos de detenção", explicou o IJG.

Em países como o Congo, LAGA trabalha cara a cara com o Instituto Jane Goodall. Assim, a equipe de Ofir Drori efetua o resgate e as detenções e posteriormente translada às vítimas aos centros de reabilitação do IJG, como o de Tchimpounga, onde trabalham com os bebês lhes mostrando que, do mesmo modo que nem todos os galhos são seguros, nem todos os humanos são maus.

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