quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A Ilha Habitada por Chimpanzés Antes Usados em Experimentação Animal


Acredite ou não, um Planeta dos Macacos da vida real existe em uma área isolada localizada nas profundezas das selvas da África Ocidental. É o lar de dezenas de chimpanzés de laboratório aposentados que foram em algum ponto, usados para pesquisas médicas. Estes chimpanzés são praticamente heróis - eles conseguiram sobreviver a doenças, duas guerras civis e numerosos exames médicos e experiências.

Os macacos são ex-moradores do Instituto de Pesquisas Biomédicas da Libéria (Vilab II), que desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de tratamentos para doenças como hepatite, durante a década de 1970. A unidade foi fechada em meados da década de 2000, devido à crescente pressão de ativistas dos direitos dos animais, e os macacos foram transferidos para uma ilha remota da Libéria no meio do rio Farmington, para viver uma vida de aposentadoria tranquila.

A ilha - conhecida popularmente como "Monkey Island" (ilha dos macacos) - é o lar de mais de 60 chimpanzés que só permitem que aos familiarizados cuidadores se aproximem de suas praias. Sua história foi divulgada por um pequeno documentário chamado de "Island of the Apes" (Ilha dos Macacos) feito para promover o filme "Planeta dos Macacos: O Confronto" de 2014.


O documentário mostra a jornada do jornalista americano Kaj Larsen a Monkey Island, e suas experiências lá. Para chegar à ilha, Larsen teve que dirigir 64 quilômetros a partir de Monrovia para a aldeia de Marshall, e depois negociar com os moradores para levá-lo à ilha em uma de suas canoas.

Depois de acertar por US $ 80 (aprox. 212 reais), ele também teve que comprar frutas para oferecer aos chimpanzés. Também disseram a Larsen em termos inequívocos, que ele não deveria pisar na ilha, se ele valorizasse a sua vida. "Eles vão te comer cru!", Avisaram os moradores. "Se você é uma pessoa estranha, ok, quando você vai lá, eles se tornam agressivos", disse Jerry, um guarda de segurança na ilha. "Mas a única coisa que os chimpanzés têm medo é de água. Eles não atravessam a nado. Eles simplesmente caminham na beira d'água."


Assim que o barco é puxado até a ilha, os chimpanzés tiveram um vislumbre da equipe de Larsen e começaram a gritar em agitação. As coisas pareciam sair do controle quando um grande homem saiu para fora do barco, mas recuaram quando viram que a água era mais profunda. "Eles estavam super agressivos mostrando os dentes quando apareci pela primeira vez, mas agora que oferecemos um pouco de comida, eles se acalmaram um monte", disse Larsen. "Mesmo que eu flutuasse a poucos metros dos macacos, era difícil acreditar que este lugar realmente existe", acrescentou. Mas o que ele achou ainda mais surpreendente foi a história por trás de como e por que eles chegaram lá.

Ele viajou para o campus do Vilab, onde descobriu que mais de 100 chimpanzés foram injetados com doenças infecciosas, na esperança de encontrar a cura. Larsen entrevistou Betsy Brotman, ex-diretora do Vilab, a fim de saber mais sobre a instalação. Ela explicou que a Libéria foi escolhida por sua grande população de chimpanzés. "Um monte de pessoas tiveram chimpanzés como animais de estimação", revelou ela. "E quando eles passaram uma certa idade de cerca de cinco anos, eles não eram mais tão bons animais de estimação. E é assim que nós adquirimos os nossos animais até que tivemos animais em idade fértil o suficiente."

"Eles são a única espécie suscetível à Hepatite," explicou o Dr. Preston Marx, virologista do instituto. "Uma vez que um chimpanzé mostra positivo para hepatite, então você começa a precisar de animais normais (que não tenham sido utilizados em experiências). Então eles começaram a soltá-los nessas ilhas. A razão pela qual eles teriam feito isso, é porque os chimpanzés não sabem nadar." Haviam seis ilhas onde todos os chimpanzés foram liberados.

O problema começou a efervescer na Libéria em 1989, o que resultou em duas sangrentas guerras civis, deixando o programa Vilab sob ameaça. No meio de toda a violência, eles estavam lutando para continuar a investigação e também proteger os chimpanzés que foram jogados nas ilhas. Betsy decidiu ficar, mesmo que isso significasse colocar sua vida em risco, simplesmente porque as centenas de animais precisavam ser alimentados. Eventualmente, ela se viu obrigada a ajudar as vítimas humanas da guerra, também.

Tanto o laboratório quanto seus funcionários conseguiram se manter ilesos até 1993, quando a guerra civil finalmente chegou à sua porta. Forças terroristas invadiram a casa de Betsy um dia e foram atrás do seu marido Brian, acusando-o de que ele havia  trabalhado para o ex-presidente da Libéria Charles Taylor. Infelizmente, Brian foi baleado e morto.




Mesmo após o incidente horrível, Betsy se recusou a deixar os chimpanzés e as pessoas que precisavam de sua ajuda. Ela continuou a trabalhar no laboratório e o fez passando por duas guerras civis. No fim das contas, não foi a guerra, mas a mudança do sentido da opinião pública sobre experimentação animal que provocou o fechamento do laboratório.

Vídeos Anti-teste foram publicados descrevendo os métodos cruéis utilizados em outras instalações e em última análise, virou a maré contra a prática. No final de 1990, os cientistas concluíram que a maioria dos testes em chimpanzés foram mais cruéis do que eficazes. Mas o documentário afirma que a pesquisa de Betsy e sua equipe realizada no Vilab geraram vacinas que salvam vidas da Hepatite B, assim como um método de triagem para hepatite C - duas doenças que combinadas, afetam milhões de pessoas em todo o mundo.

Em 2005, o Vilab cedeu, incapaz de suportar a pressão de ativistas dos direitos dos animais. "Eu acho que eles estavam certos", Betsy admitiu. "Os chimpanzés realmente não devem ser usados em experiências. Eu realmente me sinto dessa forma. Se você estiver por fazer um trabalho com chimpanzés, você deve criar um sistema para que no final da pesquisa, eles tenham um lugar onde possam ser aposentados, de modo que possam viver uma vida agradável com o melhor de tudo o que está disponível ".

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E é por isso que Monkey Island tem tudo a ver - Betsy, junto com um núcleo de pessoal de apoio, continua a alimentar e cuidar de todos os chimpanzés aposentados. Um grupo de cuidadores treinados liberianos visita a ilha todos os dias para levar comida a eles, observá-los e garantir que tudo esteja certo com todos os animais.

Para surpresa de Larsen, quando ele fez uma segunda visita à ilha, juntamente com os cuidadores, os chimpanzés foram muito comportados. "Desta vez, ficou claro que os chimpanzés estavam muito familiarizados com os cuidadores e confiaram completamente", disse ele. "Apesar de terem sido infectados com doenças como Hepatite quando foram originalmente aposentados aqui, muitos, se não todos, têm se recuperado totalmente desde então", acrescentou. Os chimpanzés realmente parecem felizes e bem ajustados a este santuário só deles.

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