quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Jérôme - O Misterioso Homem de Nova Escócia


Era início da manhã de 08 de setembro de 1863. Um pescador de Sandy Cove, Nova Escócia, que estava coletando algas nas rochas ao longo da beira do mar, percebeu um figura negra escorada em uma grande pedra na baía de Fundy beach. Quando o pescador se aproximou, viu a forma encolhida de um homem, cujas pernas haviam sido amputadas acima dos joelhos.

Ao lado dele havia um jarro com água e uma lata de biscoitos. Suas pernas haviam sido, obviamente, amputadas por um cirurgião qualificado e os cotos estavam apenas parcialmente curados e enfaixados. O homem também estava sofrendo de frio e desorientação.

O pescador lembrou que um dia antes do dia anterior, um navio havia passado a uma meia milha da costa na baía de St. Mary. Assim que ele supôs, que o pobre homem pôde ter sido trazido desse navio após o anoitecer e deixado em terra. Uma outra versão diz que Jérôme foi encontrado por um menino chamado George Colin "Collie" Albright.

O suposto náufrago foi levado para à casa do Sr. Gidney em Mink Cove, onde foi envolto em cobertores e a ele servidas bebidas quentes. Através dos seus gemidos e murmúrios, apenas uma única palavra foi entendida "Jérôme". Então, eles passaram a chamá-lo por esse nome.

As mãos de Jerome não eram calejadas e suas roupas possuíam um corte refinado. Muitas pessoas ansiosas para saber mais sobre ele, visitaram-lhe em seu leito de doente e através disso, descobriram que ele não podia (ou não queria) entender francês, latim, italiano ou espanhol. Ele aparentemente evitava a atenção desses curiosos, rosnando como um cachorro aos hóspedes indesejados.

Fofoca vai, especulação vem e logo muitos na baía passaram a acreditar que ele havia tentado um motim e fora punido por amputação. Outros sugeriram que ele fora lançado ao mar de um navio pirata. A maioria pensava, no entanto, que ele era herdeiro de uma fortuna, teria sido mutilado e abandonado para morrer dando lugar a outra pessoa que queria a sua herança.

Nenhuma das histórias jamais foi comprovada.

Jérôme parecia gostar de crianças. Ele passava a maior parte do seu tempo com as crianças e parecia gostar de vê-las brincar.


Jérôme comportava-se com dignidade e quando lhe ofereciam dinheiro, ele parecia se sentir humilhado. No entanto, ele aceitava presentes como doces, tabaco e frutas. Ele se comportava de modo desconfiado na presença de estranhos, mas na aparência e na forma, era todo um cavalheiro e fácil de cuidar. Ele conseguiu ser capaz de se mover com agilidade com o que sobrou de seus membros, mas permanecia sentado a maior parte do tempo.
Logo perceberam que Jérôme chegou para ficar e por isso, o Governo da província contribuiu para o seu sustento, beneficiando ele com US $ 2 dólares por semana.

Marinheiros de várias nacionalidades foram trazidos ante Jérôme para ver se ele falava a língua deles. Mesmo assim ele nunca falou, mas alguns acreditavam pelas suas expressões, que ele estava familiarizado com as línguas europeias. Ele também ficava muito irritado quando qualquer visitante mencionava a palavra Trieste (Trieste é uma cidade do norte da Itália). Alguns acreditavam que ele era de nobre classe e que ele deveria ter sido um oficial. Com base na sua aparência e tez, sentiam que ele poderia ser francês ou italiano.


Jérôme foi levado para a casa de John Nicholas, em Meteghan, homem esse que falava várias línguas europeias. O Sr. Nicholas tentou quebrar o silêncio de Jérôme, mas não conseguiu.
Jérôme passou 7 anos com o Sr. Nicholas e os restantes 42 anos de sua vida com a família Deider Comeau e com à família Alphonse de Clare.

Muitas tentativas foram feitas para encontrar a identidade desse homem misterioso mas nenhuma conseguiu. Jerome morreu em 19 abril de 1912 e levou consigo o segredo de sua mutilação e de sua chegada misteriosa na Baía de Fundy.

Recentemente, um grande marco de pedra que carrega o nome de Jérôme foi revelado no cemitério paroquial de Meteghan onde ele foi enterrado.

Possíveis explicações

É possível que as dificuldades de Jérôme com a fala, poderia estar ligado a uma lesão cerebral, provavelmente na Área de Broca, parte do cérebro que regula a fala. Jerome teria sido incapaz de falar em qualquer tipo de linguagem compreensível. Isto pode explicar a capacidade de Jérôme para fazer ruídos animalescos, mas não reproduzir a linguagem humana.

Jérôme tem figurado fortemente no imaginário popular da Nova Escócia e vários livros foram escritos sobre o caso. Em 1994, um longa-metragem foi produzido e dirigido por Phil Comeau, chamado de "Jerome's Secret".

Em 2008, um historiador local chamado Fraser Mooney Jr. publicou um livro, "Jerome: Solving the Mystery of Nova Scotia's Silent Castaway" ("Jerome: Resolvendo o mistério do silencioso náufrago de Nova Escócia"), no qual, ele oferece uma solução para as misteriosas origens do homem. 

Ele relata que através da baía de Nova Escócia em Chipman, New Brunswick, em 1859 (alguns anos antes da aparição de Jérôme) um jovem estrangeiro foi reportado como tendo caído no rio congelado. Ele sofreu gangrena em ambas pernas devido ao acidente e tiveram que ser amputadas por um médico local. 
Aqui, ele ficou conhecido como "Gamby", provavelmente porque ao despertar ele continuamente falou a palavra "gamba", "pernas" em italiano. 

Gamby provou ser um fardo para o povo de Chipman, e haviam rumores de que um capitão de escuna passando pelo local, foi pago para transportá-lo para bem longe. O capitão poderia ter simplesmente navegado para o lado oposto da baía de Nova Escócia e abandonando ele em Sandy Cove.

As considerações de Moody foram recebidas como controversas. Notavelmente, o escritor Noah Richler chamou o livro de especulativo e uma ficção. 

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