quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O Armadilheiro Louco do Rio Rat


Albert Johnson chegou ao Forte McPherson, no noroeste do Canadá, vindo do Rio Peel em 9 de julho de 1931. Ele foi entrevistado pelo sargento da Polícia Montada, Edgar Millen mas Albert lhe deu poucas informações.

Millen relatou que o homem tinha um forte sotaque escandinavo, que mantinha-se limpo e barbeado e parecia trazer bastante dinheiro para mantimentos. Após navegar com uma jangada pelo delta do Rio Mackenzie, construiu uma pequena cabana perto do Rio Rat. Johnson não solicitou licença para caçar, o que foi considerado suspeito para alguém que vivia no mato.

Naquela época, muitas das áreas habitadas por nativos vinham sendo invadidas por foras-da-lei e outros andarilhos que tentavam escapar da Grande Depressão de 1929. Haviam muitas reclamações e tentativas de remoção daqueles forasteiros dali.

Em dezembro, um dos caçadores nativos foi a um destacamento da Polícia Montada em Aklavik, reclamar que alguém estava mexendo em suas armadilhas, desarmando-as ou pendurando-as em árvores. Johnson foi acusado como suspeito desses atos. Em 26 de dezembro, o oficial Alfred King e o oficial especial Joe Bernard, ambos especialistas na área, viajaram 90 quilômetros até a cabana de Johnson para interrogá-lo sobre as acusações.

Eles avistaram fumaça vinda da chaminé da cabana e se aproximaram para conversar. Johnson se negou a falar com eles e pareceu sequer notá-los. King se aproximou e olhou pela janela mas Johnson a cobriu com um saco. Eles decidiram ir embora e voltar com um mandado de busca.

Tiroteio

Cinco dias depois, quatro policiais retornaram ao local. Johnson novamente se recusou a conversar, e King decidiu usar o mandato e forçar a entrada pela porta. Johnson atirou nele logo em seguida através da porta de madeira. Um breve tiroteio aconteceu e os policiais decidiram retornar à Aklavik, em busca de reforços e carregando King ferido que viria a se recuperar.

 Policiais da Polícia Montada do Canadá.
Em uma nova investida, uma equipe de nove homens, 42 cães e 9 quilos de dinamite foi enviada ao local para expulsar Johnson da cabana. Após cercar o local, a dinamite foi usada e a cabana desabou.

Johnson começou a disparar em meio das ruínas da cabana. Ninguém foi atingido, e após um impasse de 15 horas que terminou às quatro da manhã e devido à baixa temperatura, os homens retornaram a Aklavik em busca de mais reforços.

Naquele momento, as notícias dos confrontos já haviam se espalhado d modo sensacionalista através do rádio. Depois de um período de nevasca, as equipes policiais retornaram ao local em 14 de janeiro e perceberam que Johnson havia escapado. Em 30 de janeiro, Johnson foi cercado em um bosque mas baleou no coração o ofical Edgar Millen, vindo a falecer. Com essa baixa, os policiais recuaram.

A cabana de Albert Johnson próxima do Rio Rat
após a Polícia Montada tê-la destruída com dinamite.
As equipes de busca continuaram a aumentar de número, incluindo nativos esquimós que conheciam bem a área. Johnson tentava sair do Yukon, mas as duas passagens pelas Montanhas Richardson estavam bloqueadas pelos policiais.

Porém, isso não o deteve, nem mesmo às baixas temperaturas e o pouco equipamento que levava. Ele conseguiu escalar um pico de 2 mil metros e uma vez mais desapareceu. A sua trilha só foi descoberta graças ao piloto de um aeroplano que a avistou ao sobrevoar as montanhas.

Em um ato de desespero de causa, a Polícia Montada contratou um aviador do pós-guerra chamado Wop May, para ajudar no rastreio da área através do ar. Ele chegou com seu monoplano Bellanca equipado com esquis, em 5 de fevereiro. No dia 14 do mesmo mês, ele descobriu a estratégia que Johnson usou para iludir seus perseguidores. 

Informou ter visto pegadas no centro da superfície congelada do Rio Eagle até os bancos de neve. Johnson usou as trilhas dos caribus no meio do rio, onde ele conseguia boa visibilidade e podia avistar seus perseguidores. Caminhando em meio aos rastros dos animais e se deslocando rapidamente pela neve dura sem usar seus sapatos de neve, suas pegadas não eram percebidas. Ele deixava somente a trilha à noite para acampar na margem, deixando um rastro que foi visto por May. O piloto avisou pelo rádio a sua descoberta e os policias se deslocaram até o local em 17 de fevereiro.

Morte

A equipe de perseguidores seguiu pela margem em uma curva do rio e encontrou Johnson a poucos metros à frente. Johnson tentou correr e se abrigar em um buraco na neve, mas não conseguiu por estar sem seus sapatos especiais. O tiroteio se iniciou e um policial foi gravemente ferido enquanto Johnson caiu sob nove projéteis e morreu ao ser baleado do lado esquerdo da bacia. Acredita-se que essa bala destruiu tecidos, intestinos e artérias importantes, o que causou a sua morte. May aterrissou e trouxe a bordo o oficial ferido e com isso, provavelmente, salvou-lhe a vida.

Foto do cadáver de Albert Johnson. A polícia espalhou
várias fotos pelo Canadá e EUA na tentativa de
descobrir a verdadeira identidade de Johnson,
mas não conseguiu nada.
Após a morte de Johnson, os policiais calcularam que ele viajara mais de 100 quilômetros de sua cabana em aproximadamente 3 dias.

Pelo exame do corpo dele, foi achado dois mil dólares americanos e canadenses além de um pouco de ouro, uma bússola, uma navalha, uma faca, anzóis, pregos, um esquilo e um pássaro mortos, muitas pílulas Beecham e dentes arrancados com obturações de ouro que acredita-se, que eram dele. 

Durante toda a caçada, os policiais nunca ouviram Johnson pronunciar qualquer palavra. Apenas sua risada quando baleou e matou o oficial Edgar Millen. Desde esse dia houve debates sobre a causa dele ter ido ao Ártico ou se era mesmo responsável pelos danos nas armadilhas de que foi acusado.

Identidade

Na década de 1930 houve uma investigação oficial para descobrir a verdadeira identidade de Albert Johnson, suspeitando de que seu nome real fosse Arthur Nelson. Detalhes da vida de Nelson no Yukon foram registrados pelo pesquisador e escritor Richard North. 

Nelson aparentemente viajava de Dease Lake, Colúmbia Britânica, e esteve no Yukon entre 1927 e 1931. Ele possuía armas de caça, uma Winchester  calibre .30-30 .30-30 e um rifle cano longo calibre .22, do mesmo modo que Albert Johnson. 

Exumação dos restos de Johnson
Nelson era conhecido pelos anciões Kaska que o chamavam de Art John Sr. e outros que o conheciam pelo nome de "Mickey Nelson" quando esse garimpava e comercializava pelo Yukon, na área do Rio Ross. O escritor local Dick North publicou a teoria de que Albert Johnson, Arthur Nelson e John Johnson ("Johnny Johnson") de Dacota do Norte, eram a mesma pessoa em seu livro de 1989 "Trackdown". 

John Johnson esteve em San Quentin e na Prisão Folsom, cujos seus relatórios médicos estão bem documentados. North disse que John Johnson era da Noruega. "Johnny Johnson" nasceu com o nome de Johan Konrad Jonsen em 1898 em Bardu, nordeste da Noruega, norte do Círculo Ártico, mas testes recentes de DNA rejeitaram a teoria sobre Johnny Johnson.

A família de Johnston de Pictou, Nova Escócia, acreditou por bastante tempo que Albert Johnson era na verdade Owen Albert Johnston, um parente que havia deixado a cidade no início da Depressão e procurou por trabalho nos Estados Unidos.

A última carta à família foi postada em Revelstoke, Colúmbia Britânica, no início de 1931. Não tiveram mais notícias depois disso. De acordo com uma entrevista no rádio um parente colaborou para os testes de DNA.

Teorias anteriores foram contestadas por Mark Fremmerlid no livro "What Became of Sigvald Anyway". Ele propôs que haviam coincidências demais para serem ignoradas sobre a possibilidade de que Sigvald Pedersen Haaskjold, da Noruega, ter surgido como Albert Johnson. Sigvald tinha 32 anos em 1927, 4 anos e meio antes da morte de Albert Johnson, com idade estimada entre 35 e 40 anos. 

Sigvald era obcecado com a ideia de ser perseguido pelas autoridades após fugir do alistamento (Crise Canadense de Recrutamento) em 1917 durante a Primeira Guerra Mundial. Ele construiu uma fortaleza em sua cabana na Ilha Digby ao norte da costa da Colúmbia Britânica antes de desaparecer.

O escritor aponta ainda outras circunstâncias que provariam sua tese. Essa teoria, além de outras que foram testadas, foram 100% rejeitadas após os testes de DNA. 

Uma equipe de cientistas forenses contactados pelo Canal Discovery, executou o procedimento em 11 de agosto de 2007. Todos os candidatos à verdadeira identidade de Johnson foram rejeitados após os testes. As análises isotópicas dos dentes de Johnson determinaram que ele não era canadense e que crescera no meio-oeste americano ou na Escandinávia. Foi determinado que sua idade estava por volta dos 30 anos quando morreu.

Fonte Fonte Fonte Fonte Fonte

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