terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Tsutomu Miyazaki - O Assassino Otaku


"Este assassino japonês nasceu com uma deformidade nas mãos que lhe causou um complexo de inferioridade e fez com que fosse marginalizado. Refugiado no anime, nos mangás e na pornografia, seu único vínculo humano era seu avô, mas quando este morreu, ele se converteu em um necrófilo assassino de crianças..."

Vida do monstro

A vida de Tsutomu Miyazaki começou em Itsukaichi, Tóquio, um fatídico 21 de agosto de 1962, dia em que este nasceu prematuramente. Ele mal pesava 2,2 kg, e as articulações de suas mãos estavam fundidas de tal forma que lhe era impossível dobrar os pulsos para cima. Aquilo marcou sua vida. Quando tinha cinco anos, um colega de aula debochava com frequência de suas "mãos divertidas." Devido ao complexo que desenvolveu com respeito a suas mãos, sempre evitava mostrá-las nas fotos familiares.

Tsutomu na escola secundária
Desde o momento em que chegou à escola primária Itsukaichi, Miyazaki viveu em modo invisível, por isso seus colegas e professores lembram dele como um menino tranquilo, solitário e incapaz de fazer amigos. Mas Tsutomu, igual que outras crianças, tinha sonhos para o seu futuro, tal e como mostra nestas palavras de um ensaio escrito no terceiro ano:

"...Quando eu for grande, quero comprar um carro e sair dirigindo. Vou parar em um restaurante e comer um pouco de caril (curry) com arroz ou algo assim. Inclusive poderia visitar os meus parentes..."

No entanto, a verdade é que muitas vezes terminava culpando a suas mãos deformadas por não conseguir suas metas. Sentia-se frustrado e seu refúgio eram o mangás, que lia avidamente até altas horas da noite.

Por outra parte, Tsutomu era definitivamente uma criança inteligente. Fechado em seu próprio mundo, estudou duro e chegou a alcançar a maior pontuação entre os estudantes que prestaram exame de capacitação para entrar na Universidade Meiji Nakano. A cada dia, por três anos, Tsutomu dedicou duas horas ao estudo, conseguindo sempre altas qualificações. Não obstante, posteriormente começou a perder a motivação pelos estudos e, em lugar de se unir aos grupos de estudos, retirava-se para desenhar mangás em um canto afastado.

Quanto à universidade, inicialmente Tsutomu planejava, principalmente com base no seu alto rendimento em Inglês, ingressar na Universidade Meiji filiada ao seu colégio; no entanto, depois de sua desmotivação acadêmica, acabou na categoria 40 dos 56 estudantes de sua sala de aulas, coisa que lhe impediu de entrar na Universidade Meiji, mas ele não se deu por vencido e se pôs a estudar Fotografia Técnica em uma universidade local, graduando-se em 1983, para posteriormente começar a trabalhar em uma gráfica que pertencia a um conhecido de seu pai.

Tsutomu estudou Fotografia Técnica e, depois
de poupar dinheiro em seu trabalho inicial, foi 

viver com sua família em um apartamento junto da 
casa principal, com uma irmã. 
Depois de trabalhar em alguns anos na gráfica e poupar mais de 3 milhões de ienes (aprox. 64.91 reais), Tsutomu transladou-se de novo à casa familiar, onde compartilhou com sua irmã maior, uma habitação dupla anexada à casa principal, próxima dos negócios de impressão de seu pai. Adicionalmente Katsumi Miyazaki, pai de Tsutomu, possuía o Akikawa Shimbun, um importante jornal local na área de Itsukaichi, a zona mais interiorana de Tóquio, onde a família Miyazaki desfrutava de uma significativa influência política.

Pese ao status da família de Tsutomu, esta teve pouca influência sobre ele, talvez pelo distante que se mostrava pois, por exemplo, seu pai e sua mãe eram dois viciados em trabalho e isso implicava em uma falta de contato que tentavam compensar com coisas materiais como o sedã Nissan Langley que lhe presentearam, e que usou para seus crimes...

"Se eu tratasse de falar com meus pais a respeito de meus problemas, eles teriam me ignorado", diria Tsutomu depois de sua captura, agregando que inclusive chegou a "pensar em suicídio".

Setsuko e Haruko, as duas irmãs menores de Tsutomu, achavam ele repulsivo... Unicamente seu avô Shokichi, homem reconhecido que tinha servido no conselho da cidade, se mostrou interessado nele.

Paralelamente, Tsutomu evitava o contato com as mulheres de sua idade, não só pelo complexo de suas mãos mas também por uma espécie de sentimento de inferioridade sexual; já que, segundo contou sobre ele um de seus colegas de secundária: "Seu pênis não era mais grosso que um lápis nem mais longo que um palito de dentes". Pese dita imperfeição, Tsutomu apresentava um apetite sexual mais elevado que a média, ao ponto de que na universidade costumava aproveitar as partidas de tênis para fotografar ou filmar o meio das pernas das jogadoras...
Como era de se imaginar, sua vida sexual era um assunto puramente onanista, embora terminou no caminho da parafilia porque, cansado da pornografia normal, em 1984 começou a consumir pornografia infantil. Tornou-se pedófilo, como frequentemente acontece a quem sofre de sentimentos de inferioridade sexual.

"Quando era criança, ele não fez amigos próximos, portanto, não conseguiu informação sobre o sexo no mundo real. Em vez disso, voltou-se para os vídeos, aos mangás, e a pornografia.", disse sobre Tsutomu o Dr. Oda.

Como os vícios anti-naturais que Miyazaki, tinha levaram ele a matar? Segundo o professor Ishii da Universidade Aoyama Gakuin, "As pessoas crescem em ambientes similares mas nunca se convertem em assassinos"

A fagulha dos assassinatos parece ter sido a morte do avô de Tsutomu em maio de 1988, três meses antes do primeiro assassinato. Seu avô era o único vínculo humano que tinha Tsutomu em sua vida adulta e sua morte marcou uma ruptura com a sociedade, significando um episódio tão doloroso em sua vida que, depois da cremação de seu avô, ingeriu parte de suas cinzas para encarná-lo de alguma forma...

A morte do avô também afastou a Tsutomu de sua família, no qual,  já vinha se mostrando agressivo. Por exemplo, uma vez sua irmã mais jovem pegou ele espiando-a enquanto tomava banho, e indignada gritou com ele, mas Tsutomu ficou colérico, entrou no quarto de banhos, a agarrou pelos cabelos e bateu sua cabeça contra o Ofurô (banheira), batendo depois na sua própria mãe quando esta, depois que descobriu, lhe disse que devia passar mais tempo trabalhando e menos tempo com seus vídeos...

No fundo Tsutomu sentia-se desabrigado, pois quando seus crimes saíram à luz ele disse: "Me sentia só, e cada vez que via uma criança brincando sozinha, era quase como ver a mim mesmo."

O monstro por trás do otaku

Entre 1988 e 1989, Tsutomu mutilou e matou quatro crianças, de quatro a sete anos; depois abusou sexualmente de seus cadáveres e da terceira e quarta vítima, devorou partes dos corpos...

Durante o dia, Miyazaki era um homem tranquilo, e um empregado afável e obediente, mas esse mesmo otaku descente e aparentemente inofensivo, foi o monstro que selecionou mais ou menos de forma ao azar, a quatro inocentes crianças, sendo inclusive tão cruel que, com o mesmo cinismo zombador com que Albert Fish enviou uma carta à mãe de uma de suas vítimas, mandou cartas às famílias das vítimas, descrevendo mórbida e detalhadamente o que fez em cada caso...

Entre 1988 e 1989, Tsutomu mutilou
e matou quatro crianças, de quatro a sete
anos; depois abusou sexualmente de seus
cadáveres e da terceira e quarta vítima,
devorou partes dos corpos...
Crônica dos horrores de Miyazaki Tsutomu

Pouco depois das 15:00 de 22 de agosto de 1988, a pequena Mary Konno de quatro anos de idade, saiu de sua casa localizada no complexo de apartamentos Iruma, na província de Saitama. Ela supostamente ia brincar com uma amiga, mas já eram as 18:23 e não regressava, assim que seu pai, o arquiteto Shigeo Konno, chamou à Polícia para notificar o desaparecimento, sem saber que, enquanto alguém atendia seu telefonema, sua filha estava sendo estrangulada a 50 quilômetros no meio do silencio cúmplice das árvores...

Voltando no tempo, Mary estava caminhando no meio do complexo de apartamentos no início da tarde, quando de repente, um Nissan Langley parou perto, o vidro do motorista baixou e um homem de olhar aprazível lhe perguntou: "Não gostaria de ir a um local mais fresco?". Fazia sol, de modo que Mary assentiu com a cabeça e sentou-se junto ao desconhecido.

Mary Konno
Em sua grande inocência, Mary brincava alegremente com os botões do rádio do carro, enquanto Tsutomu avançava para Hachioji, oeste de Tóquio. Justo antes de chegar à ponte Musashino, Tsutomu virou à direita, em direção a Itsukaichi.

Havia decorrido uma hora quando Tsutomu parou em um estreito caminho de terra, no meio dos bosques que rodeavam a central Shintama, um complexo de aparência abrasadora, que se alçava no meio da vegetação como se fosse uma imensa e profética lápide.

O homem e a criança desceram do carro e caminharam até onde começava o passo Komine, um caminho montanhoso rodeado de árvores Hinoki e Sugi. As cigarras zoavam por um e outro lado e o ruído das pombas era ouvido no meio daquele verde impregnado por um calor sufocante. Neste ponto, qualquer criança correria ou choraria, mas o coração de Mary era tão branco como as nuvens, e esta seguiu caminhando com o monstro até que, depois de uns 20 ou 30 minutos, ambos se sentaram à beira do desolado caminho.

Mary estava cansada e um tanto perturbada, assim que começou a soluçar. Tsutomu entrou em pânico: "que aconteceria se a criança gritasse e alguém viesse? Para prevenir isso, melhor era matar de uma vez," de modo que o monstro colocou as mãos no pescoço da menininha enquanto o rosto desta esboçou uma careta de pânico antes de se congelar para sempre...
Morria a criança e nascia o assassino de 26 anos, quem agora tomava o corpo inerte da pequena, despindo-o e acariciando-o com lascívia, incapaz de sentir remorso ou pesar algum...
Finalmente tomou as roupas da criança, deixou o cadáver em posição de repouso e voltou ao seu carro.

Após seu desaparecimento, os patrulheiros da Polícia advertiram com alto-falantes aos pais sobre o perigo de não manter vigiados, a todo momento, os seus filhos pequenos. Apesar de que foi classificado oficialmente como um caso de desaparecimento, desde o princípio a Polícia iniciou a investigação como se fosse de um assassinato.

Masami Yoshizawa
A procura infrutífera de Mary Konno finalmente diminuiu após quatro semanas; mas, mal decorreu duas semanas do fim das buscas, Tsutomu voltou a tirar uma vida inocente na tarde do dia 3 de outubro de 1988, quando viu à criança Masami Yoshizawa de sete anos caminhando à beira de uma estrada localizada na província de Saitama. Então convenceu a menina a subir no carro e dirigiu até às colinas de Komine, onde havia cometido o seu primeiro assassinato.

Ali, vendo que não havia nenhuma testemunha e em um momento em que a criança estava desprevenida, o assassino lhe apertou o pescoço, a despiu uma vez morta e abusou sexualmente do cadáver; no entanto, levou um grande susto ao ver que o corpinho da criança, aparentemente inerte, se estremeceu subitamente. Nesse momento não pôde prosseguir, e aterrorizado correu ao carro indo embora antes de que o sol caísse, deixando o cadáver de Masami a uma distância aproximada de uns 100 metros do cadáver de Mary.

Depois de ser reportado o desaparecimento, grupos de busca locais repartiram-se por toda a zona, e logo o rosto de Masami apareceu em centenas de cartazes emitidos pela Polícia, que terminaria entrevistando 2.300 residentes locais. Outra vez mais, não foram encontradas pistas sobre o paradeiro da vítima.

Em 12 de dezembro, o assassinato de uma criança de quatro anos de idade, originária de Kawagoe, faria a diferença e poria a Tsutomu em perigo de ser capturado, em grande parte porque o cadáver apareceria pouco depois do assassinato, e isso desataria uma enorme caçada policial sob a suspeita de que também Mary e Masami haviam caído pela mesma causa: um assassino em série de crianças...

Acontece que Tsutomu nunca tinha mostrado muito apreço pela vida: já antes, havia estrangulado um cachorrinho com arame, lançado ao rio um gato e fervido em água a outro... Como explicou o Dr. Oda, sua imersão no insano mundo de certos tipos de vídeos, lhe havia "tirado a consciência da realidade", de maneira que "tudo se converteu em um elemento para ele, incluindo às pessoas", assim que afinal de contas, "as crianças que matou não eram mais que personagens do livro de comics de sua própria vida..."

Erika Namba 
O caso de 12 de dezembro antes aludido era o de Erika Namba, quem voltava da casa de um amigo quando o assassino a meteu em seu carro e, sem se importar com seu choro, dirigiu até a área do estacionamento do "Young Nature House", em Naguri.

Ali, Tsutomu obrigou Erika a se despir no assento traseiro, e começou a fotografá-la com luz estroboscópica, até que outro carro passou perto, iluminando momentaneamente o rosto de Tsutomu e fazendo com que Erika soluçasse de novo, coisa que enraiveceu o assassino, o qual, a estrangulou, lhe tirando a vida por volta das 19 horas.

Depois de matá-la, o assassino envolveu cuidadosamente o cadáver em um lençol e pôs no porta-malas do carro, se desfez da roupa da vítima jogando no bosque próximo da zona do estacionamento, e deixou o cadáver com as mãos e os pés atados, a 50 km da casa onde a menina uma vez foi uma criança alegre e cheia de vida...

Capa do livro "Yuume no naka, ima mo" (Literalmente: "Dentro de um sonho, mesmo agora") que chegou a causar um grande rebuliço social e midiático, não só pelos assassinatos mas também porque, entre outras coisas, enviou cartas às famílias das vítimas e a uma família, chegou a mandar os restos carbonizados da criança junto com uma foto...


No dia seguinte, o cadáver de Erika foi encontrado e quinhentos homens da polícia de choque exploraram o bosque em busca de mais pistas, mas não encontraram nada. No entanto já estava claro que todas as meninas eram da província de Saitama e todos os cadáveres estavam próximos entre si, pelo qual, como disse um jornalista, "Tão logo como encontraram o corpo da terceira menina, começaram a tratar o assunto como um caso de assassinato em série".

As anteriores citadas não eram as únicas pistas estranhas, já que a Polícia soube que as famílias das vítimas tinham algo em comum: todas haviam sido incomodadas por chamadas telefônicas incomuns, em que o telefone soava mas a pessoa do outro lado da linha não dizia nada, sendo capaz de fazer timbrar por uns 20 minutos até que lhe atendessem, só para deixar um desconfortável silêncio. Assim mesmo, tanto os Namba como os Konno haviam recebido cartões postais com alusões a suas crianças mortas...

Devido à histeria popular desatada depois da morte de Erika, Tsutomu não voltou a matar até o seguinte verão, mas cometeu algumas atrocidades durante esse período.

Assim, em 6 de fevereiro, o pai de Mary encontrou uma caixa com restos humanos calcitrados, 10 dentes de leite, calças de criança, sandálias e uma peça de roupa interior infantil, além de uma folha de papel com estas palavras: "Mary. Ossos. Cremação. Pesquisar. Prova."

O sinistro envio desatou uma série de investigações, alvoroço social e alarme midiático, mas nesse enquadramento de acontecimentos duvidava-se de que os restos fossem de Mary, assim que o assassino, em um gesto desmedido de megalomania criminosa, enviou uma confissão escrita de 3 páginas em 11 de fevereiro. Junto à carta de 3 páginas, anexava uma foto da vítima e, entre outras coisas, escrevia o seguinte: 

"...Pus a caixa de papelão com os restos de Mary em frente de sua casa. Fiz tudo. Desde o início do incidente Mary, até o final. Vi a conferência de imprensa da Polícia, onde disseram que os restos não eram de Mary. Ante as câmeras, sua mãe disse que o relatório lhe deu novas esperanças de que Mary ainda poderia estar viva. Soube então que tinha que escrever esta confissão para que a mãe de Mary não seguisse esperando em vão. Repito-o: os restos são de Mary..."

A carta estava assinada por um tal "Yuuko Imada"*, nome evidentemente fictício que tinha sido escolhido porque seria um anagrama, um jogo de palavras em japonês.

*"勇子・今田 = Yuuko Imada" → "Yuuka Imada" → "Yuukai-Ma-Da = 誘拐魔だ = "O Demônio Sequestrador". 
Existe a versão de que poderia ser: 「今だから言う」= "Ima dakara iu" = "Agora posso dizer". NDT.

A confissão causou grande alvoroço. Peritos em caligrafia examinaram a nota de confissão, mas não puderam estabelecer o sexo do autor. Mais de meio milhão de cópias que citavam a confissão, foram entregues pela Polícia em lares das zonas onde viveram as vítimas.

A Polícia posteriormente identificou que a câmera com que foi tomada a foto anexada à confissão, era uma Mamiya 6×7, e que o tipo de letra dos postais estava feita com fotocomposição.

Funeral de Mary Konno 
Em 11 de março de 1989 foi efetuado o funeral de Mary com os restos devolvidos pelo assassino; mas, quando os Konno voltavam do funeral, encontraram outra carta do tal "Yuuko Imada", em que notificava, a modo de uma espécie de crônica forense, as mudanças que foi sofrendo o cadáver de Mary...

Mas...Por que Tsutomu fazia todas essas coisas? Queria chamar a atenção ou se vingar? Poderia haver algum sentido social por trás disso tudo? Segundo o professor Akira Ishii:

"Nada disso tinha um significado social, para ele, era como jogar um videogame, além do ponto de causar sensação. Não estava tratando de obter o reconhecimento da sociedade. Tinha uma sociedade em sua mente, da qual ele era o núcleo."

No verão de 1989, a inquietação de Tsutomu havia crescido e ele trabalhava menos passando mais tempo editando suas fitas de vídeo. No primeiro dia de junho, viu crianças brincando perto da Escola Primária Akishima, e convenceu a uma delas para que deixasse fotografar as suas calcinhas. Quando começou à fotografar, alguns vizinhos viram e o perseguiram. Ele escapou, mas cinco dias depois voltaria com muito mais força.

Ayako Nomoto
Em 6 de junho, em um parque de Ariake próximo da baía de Tóquio, Tsutomu encontrou-se com a criança Ayako Nomoto de cinco anos. A criança brincava só, e o monstro aproximou-se e pediu para a menina que se deixasse fotografar, ao que ela acedeu e Tsutomu tomou muitas fotos de forma que se acostumasse, se divertisse e criasse confiança nele. Então finalmente disse-lhe para tomar mais fotos no interior de seu carro, e a inocente criança aceitou.

O assassino estacionou o carro a 800 metros e entregou à criança um vibrador de borracha, mas esta, ao ver as mãos deformadas de Tsutomu, lançou um comentário que o assassino tomou como ofensivo...

Cheio de ira, Tsutomu vestiu luvas de látex e exclamou "Isto é o que acontece com as crianças que dizem coisas assim!", grunhiu, agarrou-a pelo pescoço, estrangulou-a e tendo-a matado, chutou repetidamente o cadáver por mais de cinco minutos, depois dos quais, se acalmou e envolveu o corpinho inerte em um lençol, colocando-o no porta-malas do carro.

Esquete de como o assassino amarrou o cadáver de
Ayako Nomoto
Desta vez, o desgraçado não se desfez do corpo mas, alugou uma câmera de vídeo em Koenji e levou-o ao seu apartamento, onde esperou duas horas, limpou o cadáver com uma toalha, pôs sobre uma mesa (Kotatsu), abriu suas pernas para destacar a vagina, e começou a tomar fotografias e a filmar enquanto se masturbava. Posteriormente, e depois de saciado, atou as mãos e os pés do cadáver com fios de náilon. 

Dois dias mais tarde, o cheiro do cadáver ficou insuportável. Tsutomu sabia que devia se desfazer do corpo, de modo que lhe cortou a cabeça, as mãos e os pés, deixando o tórax no banheiro público do cemitério de Hanno. Ele assou as mãos e comeu um pouco destas em seu quintal e jogou todo o resto em uma colina do bosque de Mitakeyama, a uns 230 metros de sua casa.

Não obstante, este último lugar também não resultava seguro já que a Polícia podia encontrar os restos facilmente, assim que, umas duas semanas após o crime, foi à colina, resgatou os restos, metendo em uma sacola que guardou atrás de sua habitação e finalmente espalhou esses restos pelo bosque, queimando o cabelo do cadáver, a roupa, os lençóis usados para envolvê-lo anteriormente e a sacola plástica.

Cinco dias mais tarde, depois que a Polícia havia distribuído 10.000 cópias com a descrição e a fotografia de Ayako Nomoto, o torso mutilado da criança foi encontrado no cemitério e identificado como pertencente a ela depois dos exames forenses.

Tsutomu assistindo à Polícia na revisão da cena do crime, no ano de 1989.


Com todo o alarme policial e a preocupação social que existia em torno do problema, Tsunomu deveria desistir de seus crimes, mas nem com isso se absteve de voltar à ação no domingo, dia 23 de julho de 1989. Nesse dia, Tsutomu viu a duas irmãs que brincavam próximas de uma lavanderia pública em Hachioji, onde parou seu carro e desceu.

"Fica aqui", disse a criança maior à menor perto de um rio, depois do qual saiu correndo à casa de seu pai, quem imediatamente correu para o lugar dos fatos só para encontrar a sua filha menor nua junto a um desconhecido que lhe fotografava a vagina... Furioso, o pai da criança agarrou a Tsutomu e atirou-o ao chão, mas este se afastou e saiu correndo para a beira pantanosa do rio e correu até voltar ao seu carro, mas ali estavam esperando alguns policiais que o detiveram sob a suspeita de "obrigar a uma menor a cometer atos indecentes."

O fim de Tsutomu Miyazaki

Este era o quarto do assassino,
em que haviam mais de 5000
vídeos, muitos animes, mangás,
pornografia e fotos de vítimas...
Depois de capturá-lo, a Polícia acreditava ter encontrado por fim ao seu assassino em série.

Dezessete dias mais tarde, Miyazaki confessou ter assassinado a Ayako Nomoto, cujo crânio foi encontrado no dia seguinte nas colinas de Okutama. Também confessou o assassinato de Erika Namba e o de Mari Konno, dos quais os vídeos foram encontrados entre as 5.000 fitas na habitação de Miyazaki. Posteriormente, em 6 de setembro foram encontrados os restos de Masami Yoshizawa nos bosques perto de Komine, em Itsukaichi.

Em 1989, Tsutomu Miyazaki foi declarado culpado do que ficou conhecido como "Os Crimes do Otaku".

Após a condenação, o pai de Tsutomu, que se negou a pagar a defesa legal de seu filho por razões morais, não tolerou a desonra e, como é relativamente habitual entre os japoneses que experimentam a reprovação pública, se suicidou. Todas as construções da propriedade foram demolidas e o terreno foi posto à venda, mas jamais encontrou comprador, sendo até hoje um terreno baldio.

Durante a década de 1990, Tsutomu permaneceu preso enquanto submetiam-no a uma série de avaliações psiquiátricas, concluídas em 1997, por parte de uma equipe de psiquiatras da Universidade de Tóquio, em que Miyazaki, apesar de que sofria de transtorno de personalidade múltipla e esquizofrenia extrema, ainda era consciente da gravidade moral e das consequências humanas de seus crimes, e portanto era responsável por eles.

Pouco depois foi condenado à morte na forca. No entanto esteve no corredor da morte por muitos anos, tentando reduzir sua condenação à prisão perpétua, além de que solicitou que, se o matassem, que lhe aplicassem injeção letal e não enforcamento, pena à qual temia profundamente. 

Quanto a sua vida em prisão, continuou sendo a mesma que antes: lia mangás e assistia séries e filmes de anime, na pequena TV, enquanto esperava a condenação inapelável de morte, ratificada pela Corte Suprema de Justiça, já que considerou, com base nas análises psiquiátricas, que o assassino não tinha nenhum transtorno mental cuja natureza pudesse livrá-lo da responsabilidade penal, em 17 de janeiro de 2006 e a pena foi aplicada em uma terça-feira de junho de 2008, mês no qual, junto a mais dois criminosos, Tsutomu Miyazaki foi enforcado. 

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