segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Heróis Anônimos - O código Navajo na Segunda Guerra Mundial


Os tradutores do código navajo foram chave para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Não conhecemos todos os seus nomes, de fato, no ano de 2014, faleceu o último desses valentes soldados navajos recrutados em 1942 pela Marinha norte-americana, com o fim de criar um código secreto. Uma linguagem indecifrável para, os então, inimigos japoneses.

O importante papel dos índios navajos na Segunda Guerra Mundial

O código navajo foi um segredo de Estado, até que em 1968, os Estados Unidos desclassificou a informação. Foi então quando alguns nomes se tornaram conhecidos, como o de Chester Nez. Esses jovens índios navajos deixaram as belas terras do Arizona e Novo México para serem recrutados em uma importante missão.

Peter MacDonald, um dos code talkers dando entrevista quando ainda vivo.

Como já se sabe, o papel dos EUA durante a Segunda Guerra mundial esteve em um discreto segundo plano até que em 1941, o Japão, atacou a frota dos americana em Pearl Harbor, Havaí. Aquilo ultrapassou os limites e acendeu a chama do patriotismo americano, fazendo a nação tomar parte definitivamente daquela guerra.

Códigos de Guerra

Os norte-americanos começaram atacando as ilhas do Oceano Pacífico ocupadas pelos japoneses. Mas havia um problema, os japoneses não eram ingênuos e sabiam perfeitamente interceptar suas mensagens e saber de antemão onde iam atacar. Não importava que criptografia utilizassem, os japoneses decifravam todas. Até que um dia, deixaram de fazê-lo. O que estava acontecendo? Da noite para o dia, os americanos estavam trabalhando em um código completamente desconhecido.

Eles não sabiam, mas as mensagens que recebiam estavam redigidas em uma língua chamada Diné Bizaad: o idioma dos índios navajos. O artificio foi obra de Philip Johnston, um jovem branco criado em uma reserva de índios navajos, que teve a ideia e quem a sugeriu ao comando da marinha. Sabiam que era uma vantagem enorme em frente ao inimigo japonês, já que era quase impossível que algum japonês soubesse falar navajo. Não haviam livros sobre essa língua e eram poucos os homens brancos que dominavam com perfeição.

Muitos dos soldados Navajos eram menores de 18 anos e tiveram que modificar suas datas de nascimento para se alistarem.

Mas a marinha tinha suas dúvidas. No idioma navajo não existiam termos para falar de "foguetes", "bombas", "tanques" ou outros termos bélicos. Mas Philip Johnston riu ante essa ideia e disse que para comprovar, não precisava mais que fazer um teste.

E assim foi feito. Deram-lhe uma mensagem em inglês com todo tipo de termos militares, e depois ele a cifrou por rádio em navajo para que outro colega da reserva decifrasse e entregasse a tradução. A mensagem era perfeita. As duas versões eram idênticas. A estratégia ia ser um grande sucesso.


O seguinte passo foi rápido: 191 jovens foram instruídos, mas para isso, foi solicitada uma permissão ao Conselho Tribal Navajo, que esteve de acordo. Muitos deles eram menores de 18 anos, com o qual, tiveram que modificar suas datas de nascimento para se alistarem.

E para eles foi um grande acontecimento, com sair de suas reservas, viajar de trem, de avião e se converterem em peças indispensáveis para a engenharia bélica dos Estados Unidos. Enviavam mensagens, montavam postes e cabos e foram heróis em muitas ilhas do Pacífico enviando e traduzindo seu código, o código de seus ancestrais, de sua terra e de seu sangue.


Os japoneses, jamais conseguiram decifrar uma palavra. Não foi até 1968, quando descobriram que aquela era uma língua de uma tribo nativa americana. Uma língua chamada Diné Bizaad. Em 2002, homenagearam esses heróis anônimos com um filme  protagonizado por Nicolas Cage: Windtalkers.


Fonte Fonte

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