quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O Mistério do Crânio Esburacado do Século 15

Pesquisadores da Universidade de Pisa, na Itália, parecem ter resolvido o mistério sobre o crânio esburacado, que mais parece um favo de mel, de um dos mártires italianos degolados no século 15 por invasores turcos otomanos quando se recusaram a desistir de sua fé cristã.

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Com 16 buracos perfeitamente redondos de vários tamanhos e profundidades, o crânio pertencia a um indivíduo que foi executado em uma colina fora da cidade de Otranto, na Apúlia, juntamente com mais de 800 outros homens.

O crânio foi perfurado depois, para se obter o pó de osso para o tratamento de doenças como a paralisia, acidente vascular cerebral, epilepsia, e que acreditavam surgir a partir de influências mágicas ou demoníacas.

O crânio perfurado foi um longo mistério quanto aos seus furos.
A identidade do mártir permanece desconhecida.

Beatificados em 1771 e canonizados pelo Papa Francisco em 12 de Maio de 2013 os chamados Mártires de Otranto, cujas identidades são desconhecidas, são agora os santos padroeiros da cidade de Otranto.

Todos eles encontraram o seu fim em 14 agosto de 1480, depois de um cerco de 15 dias pela força Otomana comandada por Gedik Ahmed Paxá. Durante o assalto, todos os homens de Otranto com mais de 50 anos de idade foram executados, enquanto as mulheres e crianças menores de 15 anos de idade ou foram mortos ou vendidos como escravos.
Os restantes homens, incluindo mais de 800 sobreviventes exaustos, foram orientados a se converterem ao islamismo. Como eles se recusaram, foram levados para uma colina e lá decapitados um por um.

Os restos dos mártires estão agora expostos de forma impressionante em cinco grandes cristaleiras na Catedral de Otranto. De forma particular, os crânios estão meticulosamente encaixados em linhas horizontais, com os ossos da face voltadas para os visitantes.
No entanto, em uma linha de baixo da janela central, um crânio é posicionado com o rosto em direção ao teto, e a parte de cima do crânio voltada para os visitantes.

Cristaleiras com os restos dos mártires na Catedral de Otranto
"O espécime foi provavelmente organizado desta maneira, de modo a mostrar uma série de buracos sobre a calota craniana," diz Gino Fornaciari, professor de história da medicina e paleopatologia na Universidade de Pisa, e seus colegas escreveram na edição de fevereiro do Journal of Ethnopharmacology.

Embora a janela não possa ser aberta, não permitindo a remoção do crânio para estudos, os pesquisadores notaram que os buracos possuem uma forma arredondada regular.
Dos 16 buracos, 8 orifícios são de perfurações completas, que envolvem o osso em toda a sua espessura e a produção de orifícios cônico de forma arredondada. As bordas caracterizam paredes arredondadas.

"A forma perfeitamente em forma de concha das perfurações incompletas, leva a supor a utilização de um tipo particular de trépano, com lâmina em forma de meia-lua ou um tanto arredondada; uma ferramenta desse tipo não poderia produzir discos de ossos, mas apenas pó de osso", disse Fornaciari.

Trépanos, ferramentas da idade média utilizados para perfurar ossos.

Isto faria do crânio de Otranto a única evidência que suporta os relatos históricos sobre o uso de pó de osso de crânios como um ingrediente em preparações farmacológicas.
"A descoberta é particularmente interessante por causa de seu contexto religioso," disse Fornaciari.

Acreditavam que o pó de ossos do crânio obtidos de restos mortuários de santos ou indivíduos que morreram de morte violenta e não foram enterrados, como os mártires de Otranto, era particularmente eficaz contra doenças e prescrições já aparecem na Idade Média.

"A cabeça era considerada a parte mais importante do corpo humano. Acreditava-se que ali forças espirituais invisíveis permaneciam ativas mesmo após a morte," diz Valentina Giuffra, da divisão de paleopatologia da Universidade de Pisa.

Na "Pharmacopée universelle", um trabalho exaustivo sobre a composição farmacêutica, o químico francês Nicolas Lemery (1645 -1715) detalhou como o pó de crânio humano diluído em água era eficaz para tratar a "paralisia, derrame cerebral, epilepsia e outras doenças do cérebro."

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Fonte Fonte

Um comentário:

  1. cara no meu tempo de sondador de percussão eu trabalhava utilizando uma peça chamada trepano para abrir furo no solo para extração de amostra, nunca imaginei que essa peça era tão antiga assim :0

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