quarta-feira, 25 de março de 2015

Encontram Suposto Refúgio Secreto de Nazistas na Argentina


A lenda de um esconderijo nazista em plena Selva de Misiones, no nordeste da Argentina, é quase tão velha como a própria queda do Terceiro Reich em 1945. Mas agora uma investigação do Centro de Arqueologia Urbana (CAU) da Universidade de Buenos Aires (UBA) parece estar a ponto da confirmar a lenda, embora com uma importante resalva.

A evidência sugere que três edifícios de pedra, com muros de até três metros de espessura, erguidos em uma zona de selva da Argentina, podem ter sido um esconderijo nazista. Segundo o diretor do CAU, Daniel Schávelzon, a erroneamente denominada "Casa de Bormann" nunca alojou o secretário pessoal do líder da Alemanha nazista, Adolf Hitler, como sempre contou a lenda cuja a ciência agora está ajudando a revelar.

O que se sabe é que tal casa estava composta por três imensas edificações que foram levantada no meio da espessa mata do que agora é o parque Teyú Cuaré, próximo da fronteira com o Paraguai. E seus grossos muros de pedra -de até três metros de espessura- também não são o vestígio de uma velha missão jesuíta remodelada para acolher o homem de confiança do Führer, como ainda afirmam os letreiros com os quais o parque tenta explicar a insólita edificação.

Os pesquisadores da Universidade de Buenos Aires pensam que os muros foram erguidos por ordem da Alemanha para servir de esconderijo à hierarquia nazista em caso de uma eventual derrota na Segunda Guerra Mundial. A evidência encontrada na escavação, em qualquer caso, aponta nesse sentido.

Conexão alemã

"É uma construção provavelmente da década de 1940, isto é, que não há nada que seja jesuítico. E nunca foi utilizada: não há evidências de vida cotidiana, de vida doméstica", reconheceu Schávelzon. "Mas sim encontramos -embora para nós é uma hipótese, não uma afirmação definitiva- que isto possa ter sido um refúgio nazista que não chegaram a utilizar".

Pratos de porcelana feitos na Alemanha, frascos e garrafas próximas da década de 1940, são partes das pistas.

Os objetos encontrados na escavação, que incluem moedas do Terceiro Reich, sugerem uma clara conexão com a Alemanha da década de 1940.

"E encontramos um conjunto de moedas do Terceiro Reich -alemãs, nazistas- colocadas sob os alicerces da construção. Ou seja, que foram postas antes de fazerem as paredes; nesse local, não chega qualquer um, nem poderia ser posto por alguém hoje em dia", explicou Schávelzon.

Zona inacessível

Além disso, pelo que conta o arqueólogo, as mesmas caraterísticas do complexo, localizado em uma zona praticamente inacessível naquela época, também parecem confirmar que seu propósito era proteger e ocultar. "Não eram duas casas, como se pensava, mas sim que resultaram ser três edifícios bastante complexos: um é uma casa para poucas pessoas, o outro é um depósito muito grande e muito complexo, e o terceiro, que está acima de uma espécie de colina, é uma estrutura defensiva que não é para morar, mas para para controlar todo o território".

"E também há alguns papéis, sobre os quais estamos trabalhando, que indicam que já em 1941, o serviço secreto alemão estava preparando refúgios em lugares secretos e inacessíveis, para o caso da guerra chegar a dar uma volta", assinalou o arqueólogo.

Em meados da década de 1940 a selva de Misiones certamente cumpria com essas caraterísticas. E depois da derrota da Alemanha nazista, vários importantes membros do gabinete de Hitler -embora não Bormann, quem se suicidou em Berlim no final da guerra- decidiram buscar refúgio na Argentina.

Os edifícios ainda conservam letreiros que reafirmam a lenda de que eram parte de uma velha missão jesuíta que depois serviu de esconderijo a Martin Bormann, o secretário pessoal de Hitler.



Embora não precisaram se esconder em uma remota zona de selva a poucos minutos da fronteira com Paraguai, pois foram bem recebidos pelo governo de Juan Domingo Perón.

Adolf Eichmann, por exemplo, o oficial da SS que supervisionou o holocausto, viveu tranquilamente em uma periferia de Buenos Aires durante anos, até sua captura por agentes de Israel. Schávelzon acredita que "foram bem recebidos" e por isso "não foi necessário usar o esconderijo".

Essa hipótese é apoiada documentalmente por arquivos desclassificados há poucos anos pelo FBI, e já postado aqui no curionautas, que afirmam que Hitler e um grupo de seguidores escaparam da Alemanha em dois submarinos para emergir em terras argentinas, onde viveram aprazivelmente o resto de seus anos.

A investigação continua

"Agora é preciso estudar os objetos, é preciso analisar mais de 2.000 peças, uma por uma", expressou. "E idealmente precisaríamos de duas ou mais três temporadas de escavações e mais investigação documental e não tenho ideia de quando voltaremos (a Misiones), pois não temos um só dinheiro de subsídio, nem nada para fazer este trabalho".

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"A verdade, no entanto, é que como arqueólogo velho não me importo, pois o trabalho da ciência é abrir hipótese, e caso demora uma ou duas gerações em chegar a uma conclusão, perfeito.", concluiu o diretor do Centro de Arqueologia Urbana.









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