quarta-feira, 13 de maio de 2015

Aspirina - O Ás na Manga da Espionagem Alemã


Durante os primeiros anos da Primeira Guerra Mundial, os Eua se manteve neutro. E embora sempre simpatizou com a causa aliada, aquela não era a sua guerra e além disso, não sentia perigo sobre os seus interesses.

A opinião pública encontrava-se dividida até que em maio de 1915 um submarino alemão afundou próximo da Irlanda, o transatlântico inglês RMS Lusitania com mais de 100 americanos a bordo. É importante frisar que a embaixada alemã em Washington havia emitido um comunicado de aviso:

"AVISO! Os Viajantes que tenham a intenção de embarcar em viagem pelo Atlântico: lembrem-se da declaração de guerra entre Alemanha e seus aliados e Grã-Bretanha e os seus, e que a zona de guerra inclui as águas adjacentes às Ilhas Britânicas, que, de conformidade com os pertinentes avisos dados pelo Governo Imperial alemão, os navios que flamulem a bandeira da Grã-Bretanha, ou qualquer um de seus aliados, poderão ser destruídos nessas águas e que os viajantes que navegam na zona de guerra nos barcos de Grã-Bretanha ou de seus aliados fazem-no sob seu próprio risco. 

Embaixada Imperial da Alemanha em Washington DC, 22 de abril 1915"

Thomas Edison
A Alemanha reagiu rapidamente e pôs em alerta o seu embaixador, Johann Heinrich von Bernstorff, para que mantivesse à opinião publica dividida e sabotasse os envios de fenol (utilizado na preparação do ácido pícrico, usado na preparação de explosivos) aos britânicos.

Ainda que a Grã-Bretanha era o primeiro produtor de fenol do mundo, importava a escassa produção da indústria americana.

Até que...

Apareceu Thomas Edison. Depois da invenção do fonógrafo, Edison havia lançado o seu selo discográfico Diamond Disc e os discos em que as gravações eram realizadas estavam feitos de uma substância plástica chamada baquelite que, casualmente, é o resultado da condensação do fenol com o formaldeído. De modo que, dada a escassa produção americana de fenol, ele decidiu criar sua própria fábrica capaz de fabricar doze toneladas por dia.

Os alemães deviam impedir que o excesso da produção de Edison caísse em mãos britânicas. Assim que Johann Heinrich von Bernstorff, o embaixador, colocou a questão nas mãos de Hugo Schweitzer, um de seus agentes que também era químico.

Aspirina.
Schweitzer, como bom químico, lembrou que o fenol também era utilizado na fabricação do ácido acetilsalicílico (aspirina) e que desde o começo da guerra, depois que a Grã-Bretanha deixou de exportar o fenol, a marca Bayer teve que reduzir a sua produção de aspirinas. 

Apelando para à consciência de Edison, Schweitzer convenceu-o a assinar um acordo comercial com a Alemanha e destinar o excesso de fenol para fins prioritariamente farmacêuticos. Uma jogada de mestre...

Lamentavelmente para os alemães, a trama foi descoberta. O serviço secreto americano tinha vigiado o enlace de Schweitzer com o embaixador e conseguiu obter a maleta cujo conteúdo detalhava todo o plano.

No entanto, não podiam prender o químico porque os EUA ainda não haviam entrado em guerra, só entrando em 1917, e também os acordos comerciais com a Alemanha não eram ilícitos.
Mas quem se sentiu enganado foi Edison que, rapidamente, quebrou o acordo e vendeu todo o seu excedente ao exército americano...E este por sua vez, ao exército britânico.

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