quarta-feira, 27 de maio de 2015

Como é Sofrer um Transtorno de Ansiedade Explicado em 12 Autorretratos

A fotógrafa Katie Joy Crawford lutou contra um transtorno de ansiedade durante toda a sua vida, e por isso está especialmente qualificada para criar esta apaixonante série de fotos em que nos mostra o que é viver com essa carga.

"A ansiedade bloqueia quem a sofre do risco da descoberta, do desejo de explorar novas ideias e da possibilidade de escapar a um área de conforto," escreve na descrição de seu projeto, "Meu coração inquieto". "A ansiedade trata de nunca vir só. Ela encontra você quando contente, ou quando está só em sua mente. É silenciosa e constante, lembra você de todas as suas falhas passadas e fabrica os seus resultados futuros."

Este projeto é algo profundamente pessoal para Crawford; "Utilizando minhas próprias histórias e experiências, capturo a essência crua da ansiedade. Através da minha viagem pessoal cresci, e descobri que mostrar meus medos é algo terapêutico, da mesma forma que para outros expressar o que lhes oprime é, e assim começar o seu próprio processo curativo."

Cativa de minha própria mente. Instigadora de meus próprios pensamentos. Quanto mais penso, pior fica. Quanto menos penso, pior fica. Só respire. Deixe-se levar. Logo acalmará.
Não importa quanto resista, sempre estará ali, desesperada por me agarrar, me cobrir e me quebrar. Cada dia luto contra ela, - não é boa para mim e nunca o será -, mas ali está me esperando quando me acordo, desejosa de me caçar enquanto durmo. Corta-me a respiração e deixa-me sem fala.
Todos me dizem para respirar. Posso sentir meu peito movendo-se para cima e para baixo. Para cima e para baixo. Então, por que me sinto como se asfixiasse? Ponho a mão sob meu nariz e me certifico de que o ar sai. Mas mesmo assim não posso respirar.
Um copo d'água não pesa. Quando se pega um, não é nem preciso pensar. Mas, o que acontece se não se pode esvaziá-lo ou o soltá-lo? O que acontece quando é preciso suportar o seu peso durante dias? meses? anos? O peso não muda, mas a carga sim. Chega um momento em que você não lembra o leve que parecia ser. Algumas vezes custa um mundo tentar aparentar que não ele está ali. E às vezes, é preciso deixá-lo cair.
Tinha medo de dormir. Sentia o pânico mais absoluto em completa escuridão. Na verdade, essa escuridão não dava medo. Era essa pitada de luz que projetava uma sombra, uma sombra terrível.
Sentir-se insensível. Como um oximoro (paradoxismo) mais que acertado. De verdade você pode se sentir insensível? Ou é a incapacidade de sentir? Estou tão acostumada a me sentir insensível que tenho isso equiparado a um sentimento real?
Minha cabeça se enche de hélio. A concentração desaparece. Uma decisão tão pequena que tomar. Uma pergunta tão fácil de responder. Mas minha mente não me deixa. É como se milhares de circuitos estivessem cruzando ao mesmo tempo.
Foi criada por e para mim. Foi criada para minha reclusão. Foi criada por uma defesa venenosa. Está feita de medo e mentiras. Medo de promessas não cumpridas e de perder a confiança tão raramente outorgada. Tem estado formando minha vida inteira. Mais e mais forte.
Cortes tão profundos que parece que nunca vão curar. A dor é tão real que é quase insuportável. Nisto me converti...Neste corte, nesta ferida. Tudo o que conheço é esta própria dor, respirações bruscas, olhos vazios, mãos trêmulas. Se é tão doloroso, por que deixar continuar? A não ser que...Talvez isso seja tudo o que você conhece.
Tenho medo de viver e tenho medo de morrer. Que maneira de existir.
A depressão é quando não se pode sentir nada em absoluto. A ansiedade é quando se sente em demasia. Sofrer ambas é uma guerra constante dentro de sua própria mente. Sofrer ambas significa não vencer nunca.
Se sente estranho na boca do estômago. É como quando você está nadando e quer apoiar os pés, mas a água é mais profunda do que você pensava. Você não pode tocar o fundo e o seu coração dá um pulo.

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