sábado, 16 de maio de 2015

Holandês Cria um "Concreto Vivo" Que se Conserta a Si Mesmo


O concreto é o material de construção mais popular do mundo, e desde que os romanos construíram o panteão com ele há uns 2.000 anos, temos estado tratando de encontrar maneiras de fazer com que o concreto seja mais duradouro.

Não importa quão cuidadosamente seja misturado ou reforçado, todo o concreto eventualmente cria rachaduras, e sob certas condições, essas fendas podem dar lugar a um colapso.

"O problema das fendas no concreto são as infiltrações", explica o professor Henk Jonkers da Universidade Técnica de Delft da Holanda.

"Se há fissuras, a água passa através delas... Nos porões, em um edifício de estacionamentos. Em segundo lugar, se essa água chega até os reforços de aço - no concreto temos todas essas barras de aço - e se corroem, a estrutura se colapsa".

Mas Jonkers criou uma forma completamente nova de dar ao concreto uma vida mais prolongada.

"inventamos o bio-concreto; trata-se de concreto que se conserta a si mesmo com o uso de bactérias", diz.

O bio-concreto é misturado como o concreto regular, mas com um ingrediente extra: o "agente de reparo". Permanece intacto durante a mistura e unicamente se dissolve e se ativa se o concreto cria rachaduras e a água entrar.

Jonkers, um microbiólogo, começou a trabalhar na ideia em 2006, quando um tecnólogo em concreto lhe perguntou se seria possível utilizar bactérias para fabricar concreto que pudesse se consertar a si mesmo.

Yonkers trabalhou três anos para decifrar o problema... Mas teve alguns desafios difíceis de superar.

"É preciso bactérias que possam sobreviver às duras condições do concreto", diz Jonkers. "É um material similar à rocha, parecido com pedra, muito seco".

O concreto é extremamente alcalino e as bactérias "curativas" devem esperar inativas durante anos antes de que se ativem por meio d'água.


Jonkers escolheu as bactérias bacillus para o trabalho, já que prosperam em condições alcalinas e produzem esporos que podem sobreviver durante décadas sem alimento nem oxigênio.

"O seguinte desafio era que as bactérias não somente se ativassem no concreto mas que também produzissem material para consertar o concreto... E essa é a pedra calcária", explica Jonkers.

Com o fim de produzir pedra calcária, os bacilos precisam de uma fonte de alimentação. O açúcar era uma opção, mas acrescentar açúcar à mistura daria como resultado um concreto macio e fraco.

Ao final, Jonkers escolheu o lactato de cálcio, colocou as bactérias e o lactato de cálcio em cápsulas feitas com plástico biodegradável e acrescentou as cápsulas à mistura úmida de concreto.

Quando finalmente as rachaduras começam a se formar no concreto, a água entra e abre as cápsulas.

As bactérias depois germinam, se multiplicam e alimentam-se do lactato, e ao fazê-lo combinam o cálcio com íons de carbonato para formar calcita ou pedra calcária, a qual fecha as fendas.

Agora Jonkers espera que seu concreto poderia ser o início de uma nova era de edifícios biológicos.

"Esta é a combinação da natureza com os materiais de construção", diz. "A natureza está nos fornecendo muita funcionalidade de forma gratuita... Neste caso, as bactérias produtoras de pedra calcária".


Se somos capazes de implementá-la nos materiais, na realidade podemos nos beneficiar dela, de modo que acredito que este é um grande exemplo de como unir os meios da natureza e da construção em um novo conceito".

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