quarta-feira, 20 de maio de 2015

Quem Fez as Ferramentas Mais Antigas do Mundo?


Cientistas encontraram no Quênia ferramentas de pedra que datam de 3,3 milhões de anos, muito antes dos humanos modernos e são os artefatos mais antigos descobertos. As ferramentas, cujos fabricantes podem ou não ter sido uma espécie de antepassado humano, atrasam a data conhecida deste tipo de ferramenta em 700.000 anos, desafiando a noção de que os antepassados humanos mais diretos foram os primeiros em bater duas pedras para criar uma nova tecnologia.

O achado é a primeira evidência de que um grupo ainda mais antigo de proto-humanos pode ter tido as habilidades de pensamento necessárias para encontrar a maneira de fazer ferramentas de bordas afiadas. As ferramentas de pedra marcam "um novo começo para o registro arqueológico conhecido", dizem os autores de um artigo sobre a descoberta, publicado nesta quarta-feira na revista científica Nature. 

"O sítio inteiro é surpreendente, simplesmente reescreve o livro sobre um monte de coisas que pensávamos que eram verdadeiras", sublinha o coautor do artigo Chris Lepre, geólogo do Lamont-Doherty Earth Observatory e da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos. 

"As ferramentas lançam luz sobre um período inesperado e até agora desconhecido de comportamento homínido e nos podem dizer muito sobre o desenvolvimento cognitivo de nossos antepassados que não podemos entender a partir só de fósseis", afirma a autora principal Sonia Harmand, arqueóloga da Universidade Stony Brook, em Nova York, e a Universidade de Nanterre, em Paris, França.

As ferramentas mais antigas do mundo. 
Os homínideos são um grupo de espécies que inclui os humanos modernos, os Homo Sapiens, e os antepassados do homem evolutivos mais próximos. Os antropólogos pensaram durante muito tempo que os parentes do gênero Homo - a linha que conduz diretamente ao Homo Sapiens - foram os primeiros em elaborar este tipo de ferramentas de pedra. Mas os cientistas têm descoberto pistas que apontam para algumas outras espécies anteriores, em que alguns "primos longínquos", poderiam tê-las criado.

Os pesquisadores não sabem quem fizeram estas ferramentas tão antigas mas os achados anteriores sugerem uma possível resposta: o crânio de um homínido de 3,3 milhões de anos de idade, Kenyanthropus platyops, encontrado em 1999 a aproximadamente um quilômetro do local das ferramentas. Também acharam um dente e um osso do crânio de K. Platyops a algumas poucas centenas de metros de distância, assim como um dente, ainda não identificado, a aproximadamente 100 metros de distância.

Crânio de Kenyanthropus platyops
A árvore genealógica acurada dos humanos modernos é discutível e, até agora, não se sabe exatamente como K. Platyops relaciona-se com outras espécies de homínideos. Kenyanthropus atrasa a data da espécie mais antiga conhecida de Homo em meio milhão de anos. Esta espécie poderia ter feito as ferramentas; ou o fabricante destes utensílios poderia ter sido alguma outras espécie da mesma época, como o Australopithecus afarensis, ou um tipo mais antigo ainda não descoberto de Homo.

Lepre assinalou que uma camada de cinza vulcânica por debaixo do local em que se encontram as ferramentas, oferece uma pista da idade da zona: coincide com as cinzas em outro local que havia sido datado em cerca de 3,3 milhões de anos, com base na proporção de isótopos de argônio no material. Para definir mais claramente o período de tempo das ferramentas, Lepre e o coautor e colega de Lamont-Doherty, Dennis Kent, examinaram minerais magnéticos embaixo, ao redor e acima dos locais onde foram encontradas as ferramentas.

Datando a zona

O campo magnético da Terra se inverte periodicamente e a cronologia dessas mudanças está bem documentada milhões de anos atrás. "Essencialmente temos um gravador de fita magnética que registra o campo magnético, a música do núcleo externo", assinala Kent. Ao rastrear as variações na polaridade das amostras, estes especialistas dataram o sítio entre 3.330.000 até 3.110.000 anos.

Chris Lepre (foto) datou os artefatos ao analisar as camadas circundantes em busca de inversões no campo magnético da Terra.
Além disso, os cientistas estudaram os isótopos de carbono no chão, que junto de fósseis de animais no local, permitiram aos pesquisadores reconstruir a vegetação da zona. Isto levou à outra surpresa: a área era naquele momento um meio arbustivo parcialmente arbóreo. O pensamento convencional foi que as ferramentas sofisticadas foram produzidas em resposta a uma mudança no clima, que levou à propagação das amplas pradarias da savana e a consequente evolução de grandes grupos de animais que poderiam servir como fonte de alimento para os antepassados humanos.

Ferramentas para quebrar nozes ou abrir tubérculos

Uma linha de pensamento é que os hominídeos começaram batendo uma pedra contra outra para fazer pedras afiadas com o fim de poder cortar a carne dos animais mortos, explica o coautor Jason Lewis. Mas o tamanho e as marcas das ferramentas recém descobertas "sugerem que estavam fazendo algo diferente e principalmente, se estavam em um ambiente mais arbóreo com acesso a diferentes recursos vegetais".

Os pesquisadores deste trabalho acreditam que poderiam ter utilizado as ferramentas para quebrar nozes ou abrir tubérculos ou bater em troncos mortos para chegar aos insetos no interior. As ferramentas com nova data "começam a levantar o véu do mistério em um momento antes do esperado", acrescenta Potts, quem examinou as ferramentas de pedra durante uma visita ao Quênia em fevereiro.

"Os pesquisadores pensaram que deve haver alguma forma de escamas de pedra que precedeu às ferramentas mais simples conhecidas até agora - sugere-. A equipe de Harmand mostra-nos como são essas rochas simplesmente alteradas antes de que a tecnologia virasse uma parte fundamental da conduta humana antiga".

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