quinta-feira, 28 de maio de 2015

Rohingyas - O Povo que Ninguém Quer


Na fronteira entre a Malásia e a Tailândia descobriram fossas comuns e acampamentos clandestinos utilizados pelas redes de tráfico de pessoas, mas acredita-se que isso seja apenas a ponta do iceberg, já que o Sudeste Asiático se vê estremecido por uma profunda crise migratória.

A raiz da crise que sofre o sudeste asiático está na Birmânia, especificamente, em um de seus estados, Rakhine. É a terra onde habita o grupo étnico de origem bengali conhecido como Rohingya. A diferença dos birmanos que professam o budismo, os Rohingyas são muçulmanos.

A fronteira setentrional de Rakhine limita com Bangladesh e há séculos, centenas de milhares de pessoas não hesitam em atravessar. Na década de 1970 foi produzida a última onda especialmente numerosa de imigrantes para o território birmano em uma tentativa de fugir da sangrenta guerra civil.


Hoje em dia, entre 800.000 e um milhão de pessoas pertencem a esta etnia segundo diferentes estimativas. Desde o ano de 2012, vivem uma situação que eles mesmos qualificam de "apartheid": os birmanos budistas massacram os Rohingyas e atribuem-lhes todo tipo de ideias radicais e comportamentos criminosos.

As autoridades do país, por sua vez, encontraram uma solução bastante particular para o problema: enclausuraram os Rohingyas em guetos e campos de refugiados internos e preferiram se esquecer deles. A linha oficial sempre foi que a etnia dos Rohingyas não existe como tal e sempre se referiram a eles como refugiados bengalis sem direito à nacionalidade birmana.




Muitos fugiram a sua "pátria histórica", mas a superpopulosa Bangladesh também não quer recebê-los nem facilitar-lhes documentos de nenhum tipo. Desse modo, os Rohingyas converteram-se em um povo em constante fuga que ninguém quer em seu país e que carece de uma terra própria.

Suas tentativas de procurar uma vida melhor em outros lugares também não tiveram muito sucesso. A vizinha Tailândia, que, além disso, sofre um conflito interno próximo de uma guerra civil, cuida de sua fronteira terrestre com muita precaução. Por esse motivo, dezenas de milhares de Rohingyas tentam alcançar o país por via marítima. No entanto, arriscam à vida em barcos sobrecarregados e velhos que circulam fora das rotas navegadas e com falta de alimentos e água potável. Muito com frequência os que sobrevivem terminam nas mãos dos traficantes de pessoas, que lhes infligem estupros, torturas, fome, escravidão e morte.

Mas nem sempre chegar à costa desejada é uma garantia de obter uma vida melhor já que os países do Sudeste Asiático costumam impedir-lhes a entrada. Não há nada surpreendente nisso: se inclusive os Estados da Europa se negam a abrir suas portas ao fluxo de imigrantes que chegam do Oriente Próximo, não há o que esperar muito dos Estados asiáticos, bem mais pobres e onde os direitos humanos não são uma prioridade.


Polícia da Malásia localiza 139 covas de vítimas do tráfico de seres humanos

As autoridades da Malásia acreditam que 139 corpos estão sepultados nas fossas encontradas em acampamentos na fronteira com a Tailândia e utilizados por traficantes de seres humanos. "Levando em consideração o tamanho das fossas e depois de ter trabalhado na região temos uma imagem mais clara, segundo a qual cada fossa corresponde a uma pessoa", disse o vice-ministro do Interior, Wan Junaidi Tuanku Jaafar.

Ao ser questionado pela AFP se acredita que 139 cadáveres estão sepultados, já que foram encontradas 139 fossas, o vice-ministro respondeu de maneira afirmativa.
Segundo a investigação preliminar, os corpos estavam envolvidos em um lençol branco, seguindo a tradição islâmica.

Na segunda-feira (25-05-14), a polícia anunciou ter encontrado em uma zona remota do norte do país 139 fossas e 28 acampamentos, que pareciam ter sido abandonados pouco tempo antes. Após a descoberta, Bangcoc decidiu atuar de maneira mais rígida contra o tráfico de imigrantes. Pressionados, os traficantes passaram a abandonar milhares de imigrantes em alto-mar.

Depois de rejeitar, em um primeiro momento, a entrada dos imigrantes, Malásia e Indonésia aceitaram dar abrigo temporário às pessoas afetadas.
A polícia malaia anunciou a detenção desde o início do ano, de 37 suspeitos de tráfico de seres humanos. Na Terça Feira (26-05), as equipes forenses da polícia da Malásia começaram a retirar os restos de dezenas de vítimas encontradas no local. Confira a matéria completa no Noite Sinistra.

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