terça-feira, 9 de junho de 2015

Jeanne Baré - A Primeira Mulher a Dar a Volta ao Mundo


A exploração do mundo durante a Idade Moderna foi um âmbito quase exclusivamente masculino, passando à história poucos nome femininos apesar de que não foram poucas as mulheres que durante o século XVIII e XIX, acabaram sendo assistentes de seus irmãos ou maridos em laboratórios e estudos.

Um dos casos mais chamativos por sua repercussão e por ter constituído um verdadeiro escândalo em sua época, só vindo a ter o seu trabalho como botânica reconhecido no ano de 2012, foi o de Jeanne Baré (1740-1807), a primeira cientista que deu a volta ao mundo.

Uma mulher vestida como um rapaz

Em 1766, partiu a primeira viagem de circunavegação e investigação naturalista francesa com o objeto de observar e registrar plantas e animais das terras novas. Naturalistas profissionais foram designados para a missão, integrando a equipe Philibert Commerson (1727-1773). Este naturalista era amigo de Voltaire e trocava correspondências com Carlos Lineu.

Viagem ao redor do mundo de Bougainville

Jeanne Baré era a sua ama de chaves e sua amante, uma mulher inteligente, valente e grande conhecedora de plantas e suas propriedades. Este conhecimento lhe valeu para convertê-la em sua assistente já antes de embarcar.

Mas para poder levá-la consigo na viagem, foi preciso que Baré se vestisse como um rapaz e embarcou como assistente de Commerson em seu trabalho como naturalista a bordo dos barcos que integravam à expedição: L'Etoile e o Boudeuse. Ambos realizaram um grande trabalho de descoberta e registro de novas espécies de plantas.

Boudeuse
A expedição estava sob o comando de Louis Antoine de Bougainville e esperava-se que durasse cerca de três anos. Já que uma portaria real proibia que mulheres embarcassem em barcos da Coroa, Commerson e Baré não tiveram mais remédio que enganar o resto da tripulação para permanecerem juntos

Descobertas maravilhosas

Além do seu atrevimento em participar nessa expedição, Baré atuou como uma cientista ao participar plenamente na investigação e ser a responsável por todas as coleções de plantas encontradas no Rio de Janeiro, no estreito de Magalhães, Taiti, Ilha Maurício e Madagascar, já que a má saúde de Commerson lhe afastou da investigação ativa durante certo tempo.

Uma das espécies mais conhecidas das registradas e estudadas durante aquela expedição foi a buganvilia (Bougainvillea), hoje tão popular e batizada com o nome do responsável pela expedição.

Ilustrações botânicas de Jeanne Baré

Baré e Commerson conseguiram catalogar mais de 6.000 espécies, hoje conservadas no Museu de História Natural de Paris, sendo que cerca de 70 batizadas como commersonii. Em 2012, e como homenagem e reconhecimento pelo trabalho de Jeanne Baré, foi decidido lhe dedicar uma espécie, a flor da Solanum baretiae, da América do Sul e pertencente ao gênero do tomate, da batata e da berinjela.

Solanum baretiae


Uma viagem de sombras

Mas a viagem de Jeanne também teve seu lado sombrio. A escritora Glynis Ridley apresentou há alguns anos, uma completa biografia reivindicando a figura dessa valente mulher e seu trabalho como botânica. Uma mulher de classe humilde que percorreu o mundo e conseguiu ao fim, recuperar seu nome na História, mas que também sofreu abusos pois quando foi descoberta que era uma mulher e a encontraram sem a proteção de Commeron, duramente foi estuprada pelos marinheiros da expedição.

Jeanne Baré precisou tomar a identidade de um rapaz.

Acontece que se ocultar sob roupagens de homem não era tarefa fácil em um mundo de homens; embora houve mulheres, como no caso de Hannah Snell, quem conseguiu se fazer passar por homem durante 5 anos depois de se alistar em 1745 na marinha britânica.

No caso de Jeanne, não foi até passados dois anos de viagem, em 1768, quando os marinheiros começaram a suspeitar da possível condição feminina do rapaz assistente de Commerson. A viagem foi concluída em 1769, fazendo de Jeanne Baré, a primeira mulher a dar a volta ao mundo, ainda que seu reconhecimento só viesse quase 250 anos depois dessa data.

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