quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Mariya Oktyabrskaya - A Mulher que Comprou Um Tanque Para Vingar o Marido


Mariya nasceu em 1905 em um pequeno povoado da região da Crimeia. De família humilde de camponeses e com 9 irmãos, teve que compartilhar a escola com o trabalho em uma fábrica de conservas para ajudar na economia familiar. Depois de completar seus estudos na escola secundária, conseguiu trabalho como operadora de uma central telefônica, até que com cerca de 20 anos um bem apessoado oficial do Exército Vermelho cruzou o seu caminho.

Casaram-se e Mariya deixou tudo para acompanhar o seu esposo aos diferentes destinos e bases militares onde era enviado. A vida militar permitiu com que Mariya se familiarizasse com o manejo das armas, pilotar veículos militares, aprender noções básicas de primeiros socorros e participar nas reuniões e associações das esposas dos oficiais.

Tudo mudou com o começo da Segunda Guerra Mundial e, principalmente, com a ofensiva alemã para invadir a União Soviética em 1941 (Operação Barbarossa). O esposo de Mariya foi transladado à frente e as mulheres dos militares foram enviadas a Tomsk (Sibéria), longe dos combates. Depois de quase dois anos esperando notícias de seu marido, chegou aquele fatídico dia: seu marido havia morrido em Kiev em agosto de 1941, apenas algumas semanas após se separarem. O resto das esposas se resignaram e choravam a perda de seus maridos, mas ela não... Mariya jurou vingança.

Mariya Oktyabrskaya.
O que ela poderia fazer? Vendeu todas as suas posses e financiou a compra de um tanque T-34 para doá-lo ao Exército Vermelho, mas com uma condição: ela seria a condutora. E assim, expôs por carta ao Comitê Estatal de Defesa. Ainda que surpreendidos por tão estranha proposta, viram naquele gesto um bom gancho publicitário para implicar na população em geral, e às mulheres em particular, na luta contra o exército invasor.

Aprovaram a petição de Mariya e foi alistada como condutora-mecânica na Brigada nº 26 de Tanques da Guarda. Depois de um período de instrução de cinco meses, com as desconfianças de seus colegas de instrução e, em ocasiões, alguma piada que outra, em outubro de 1943 Mariya teve seu batismo de fogo nos comandos do "Боевой Подруги - Boyevoy Podrugi" ("Namorada de Batalha"), assim chamava o seu tanque e assim mostrava uma inscrição na torre do T-34.

O deboche de seus colegas se converteram em admiração quando sua brigada combatia na área de Smolensk: A "Namorada de Batalha" quebrou a formação e se lançou contra as filas inimigas destruindo várias peças de artilharia e botando os alemães pra correr.

Depois de um pequeno puxão de orelhas de seus superiores por aquele ato de indisciplina, não restou mais remédio que reconhecer o valor daquela mulher, outrora uma simples propaganda. Também seria uma dos protagonistas quando os soviéticos recuperaram a cidade de Nóvoie Seló em novembro de 1943.

"Боевой Подруги - Boyevoy Podrugi"
("Namorada de Batalha").
Mariya parecia não temer à morte, era ousada e também, indisciplinada...

Tudo conspirava para que não sobrevivesse a guerra: Na noite de 17 de janeiro de 1944, em uma operação contra uma posição fortificada dos alemães, uma bomba anti-tanque destruiu as esteiras deixando a "Namorada de Batalha" imóvel; apesar de receber ordens de não sair do tanque, Mariya saiu junto do resto da tripulação para tentar consertar as esteiras...

Quando um estilhaço de metralhadora acertou sua cabeça perdendo os sentidos. Ela ficou em coma durante dois meses e em 15 de março de de 1944, faleceu.

Mariya Oktyabrskaya, a mulher que comprou um tanque para vingar a morte de seu marido, recebeu em 2 de agosto de 1944 o título de Heroína da União Soviética, a mais alta distinção outorgada pela União Soviética pelas façanhas heroicas ao serviço do Estado e da sociedade.

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