segunda-feira, 13 de junho de 2016

AR-15 usado em Orlando é o fuzil mais popular dos EUA


Para matar 50 pessoas em um clube gay, Omar Mateen usou um dos 3,3 milhões de fuzis AR-15 nos EUA. Para advogado que processa fabricantes, semiautomático com histórico de atentados é a arma padrão de tiroteios em massa.

Artigo de autoria de Deutsch Welle.

Fuzil semiautomático AR-15 é apreciado por leveza e velocidade
Aurora, Sandy Hook, San Bernardino e agora Orlando: em cada um desses lugares dos Estados Unidos, um agressor portando um fuzil de assalto AR-15 deu fim a vidas de crianças de escola, frequentadores de cinema, gente celebrando o Natal ou uma noitada.

Projetado pela firma ArmaLite para o Exército americano e originalmente produzido pela Colt na década de 1960, o AR-15 é a arma de cano longo mais popular dos EUA, de acordo com a National Rifle Association (NRA).

Omar Mateen comprou suas armas legalmente, poucos dias antes do massacre

Segundo o jornal USA Today, em 2013 a Fundação de Nacional de Tiro Esportivo (NSSF, na sigla em inglês) divulgou que entre 5 milhões e 8,2 milhões de fuzis de assalto pertencem a pessoas físicas nos EUA. Em pesquisa realizada em 2012, a revista Slate estimou que cerca de 3,3 milhões deles eram AR-15.

A arma semiautomática é elogiada por usuários e admiradores por ser leve, acomodar cartuchos de alta capacidade e relativamente fácil de personalizar.

Segundo o jornal USA Today, em 2013 a Fundação de Nacional de Tiro Esportivo (NSSF, na sigla em inglês) divulgou que entre 5 milhões e 8,2 milhões de fuzis de assalto pertencem a pessoas físicas nos EUA. Em pesquisa realizada em 2012, a revista Slate estimou que cerca de 3,3 milhões deles eram AR-15.

A arma semiautomática é elogiada por usuários e admiradores por ser leve, acomodar cartuchos de alta capacidade e relativamente fácil de personalizar.

"Padrão-ouro dos assassinatos em massa"

Durante uma década, foi ilegal comprar um AR-15 novo nos EUA, sob o estatuto de proibição de armas de assalto Federal Assault Weapons Ban (AWB, na sigla em inglês). Após a morte de 34 crianças e um professor em 1989, em Stockton, Califórnia, por um homem usando um rifle semiautomático AK-47, Washington quis impedir os fuzilamentos em massa possibilitados pela precisão e velocidade de armas como o AK-47 e o AR-15.

Em 1994, o presidente Bill Clinton transformou a AWB em lei, como parte de uma legislação criminal mais ampla. Contudo, a proibição tinha uma validade inicial de dez anos, e em 2004 o Congresso não a renovou.

Desde que voltou a ser legalizado, o AR-15 se transformou no "padrão-ouro para o assassinato em massa de civis inocentes", diz o advogado que representa as famílias das vítimas do tiroteio na escola fundamental Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, num processo contra os fabricantes por negligência.

A partir dessa tragédia, em dezembro de 2012, quando Adam Lanza, de 20 anos, fuzilou 20 crianças e seis funcionários, suicidando-se em seguida, o AR-15 não pode ser vendido em Connecticut, Nova York e Maryland, entre outros estados.

A NRA sustenta que o fuzil semiautomático é útil como arma de caça. No entanto, segundo um grande número de websites, tanto anti quanto pró-armas, os caçadores o descartam como pouco útil na perseguição de presas a uma certa distância.

Convite a novos atentados

Diversos grupos terroristas, inclusive o "Estado Islâmico", conclamaram seus seguidores a perpetrarem atentados aproveitando-se da branda legislação americana em relação à posse e venda de armas.

Segundo a mídia, o assaltante Omar Siddiqui Mateen jurou lealdade ao EI (Daesh) antes de matar pelo menos 50 pessoas e ferir 53 no clube gay Pulse, em Orlando Flórida, na manhã deste domingo (12/06). Em seguida ao atentado a tiros mais mortal da história dos EUA, ele foi abatido pela polícia.

Apesar de Mateen ter sido alvo de investigações do FBI em 2013, por conexões terroristas, considerou-se que ele não constituía "perigo concreto". Mateen comprara suas armas legalmente poucos dias antes do atentado. Pelo menos uma delas era um AR-15.

O MASSACRE DE ORLANDO

No fim da noite
O tiroteio na casa noturna Pulse, em Orlando, começou por volta das 2h (horário local), pouco antes de o clube fechar. "Todos estavam bebendo o último drinque", conta um sobrevivente. O atirador abriu fogo e matou ao menos 50 pessoas. Mais de 50 outras ficaram feridas.

Reféns por três horas
O homem armado com um rifle e uma pistola abriu fogo contra os frequentadores do clube noturno Pulse, na área central da cidade, e fez reféns por cerca de três horas. A polícia decidiu entrar no local e chegou a trocar tiros com o atirador, que foi morto. Não se sabe quantos dos reféns foram mortos na troca de tiros.

Ação da Swat
Agentes da Swat, forças especiais da polícia americana, entraram na Pulse por volta das 5h (horário local) e mataram o homem.

Estado de emergência
O maior massacre da história dos Estados Unidos fez a Flórida e a cidade de Orlando declararem estado de emergência. A Casa Branca informou que o presidente americano, Barack Obama, está acompanhando as investigações junto ao FBI.

"Você reza para não levar um tiro"
"Pensei, isso é sério? Então só me agachei. E disse 'por favor, por favor, quero conseguir sair daqui'. E quando eu fui, vi pessoas baleadas. Vi sangue. Você reza para não levar um tiro", contou Christopher Hansen, que estava na área VIP da boate quando o homem armado com um rifle e uma pistola começou o massacre. Na foto, parente de vítima é consolado em frente à casa noturna.

Tiros ininterruptos
"Pessoas na pista de dança e no bar se deitaram no chão e alguns de nós que estávamos no bar e perto da saída conseguimos sair e correr", lembra Ricardo Almodovar. Segundo o portorriquenho, os tiros foram disparados sem interrupção por cerca de um minuto.

Obama lamenta
O presidente americano afirmou que o maior massacre a tiros da história dos EUA foi um ataque contra todos os americanos e voltou tocar na questão do porte de armas, um discurso repetido em mesmo tom por Hillary Clinton.

Ruas isoladas
Mais de 12 horas após o ataque, as ruas em torno da discoteca continuavam isoladas. O incidente é investigado pelo FBI (a polícia federal americana) como um ato de terrorismo. Os primeiros detalhes sobre o atirador sugerem um homem instável, violento, homofóbico e simpatizante do "Estado Islâmico".

Doação de sangue
Americanos fizeram fila em Orlando para doar sangue, após um apelo feito pelas autoridades locais. Pelo menos 53 pessoas ficaram feridas no ataque, muitas delas em estado grave.

dw.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário