terça-feira, 16 de maio de 2017

O TANQUE DE GUERRA QUE RESISTIU UMA EXPLOSÃO NUCLEAR E DEPOIS FOI ENVIADO AO VIETNÃ


A princípios da década de 1950, as provas nucleares tinham dois objetivos: estudar o efeito das explosões em equipamentos e veículos militares, e conseguir reduzir o tamanhos dos dispositivos nucleares.

Para o primeiro objetivo, o normal era organizar grupos de diferentes veículos, estruturas e fortificações, alocadas em diversas distâncias do ponto central e depois, estudar tanto os níveis de contaminação como os de destruição.

Em agosto de 1953 durante a Operação Totem no sul da Austrália, o Exército Britânico detonou dois dispositivos nucleares a 450 metros de distância de diferentes tipos de veículos e equipamentos militares.

O objetivo da operação era estudar o nível de destruição dos objetos, mais precisamente, o efeito sobre um grupo de veículos que avançava para uma posição e a subsequente detonação de um dispositivo nuclear poucos metros mais adiante.

Operação Totem.

Por essa razão, todos os veículos foram deixados com seus motores ligados e suas partes frontais viradas para o epicentro da explosão, enquanto seu armamento e compartimentos de munições e projéteis estavam completamente carregados.

Depois que a primeiro detonação teve lugar, que alcançou a potência de 9,1 quilotons, todos esperavam encontrar com um nível total de destruição...

Mas algo surpreendente aconteceu naquele dia: enquanto a maioria dos equipamentos ficaram completamente destruídos, um dos veículos utilizados para a prova, um tanque de guerra Mk 3 Centurion Type K denominado como tanque "169041", sofreu somente danos externos mas continuou completamente funcional.

Antes e depois da explosão. Nas fotos, se pode apreciar que tudo o que equipava o tanque foi praticamente pulverizado e inclusive, a explosão modificou o terreno em volta. Seu número de série, 169041, permaneceu perfeitamente legível.




Todas as antenas foram arrancadas ou simplesmente derreteram, as luzes e periscópios foram completamente destruídos e os painéis que serviam como couraça lateral do tanque, foram arrancados violentamente e lançados a centenas de metros.

O veículo se encontrava a mais de um metro e meio de sua posição original, o que significa que apesar de ser um monstro de 52 toneladas, a explosão foi tão espetacular que conseguiu empurrá-lo com facilidade.

Placa do tanque Centurion 169041 arrancada pela explosão nuclear.

Inicialmente, os engenheiros acharam que o dano sofrido pelo tanque havia sido total e irrecuperável, já que partes de seu exterior se encontravam derretidas, carbonizadas ou arrancadas e o tanque, que havia sido deixado em funcionamento como todos os outros veículos utilizados no prova, não emitia nenhum ruído do motor.

No entanto, e para surpresa de todos, logo um dos engenheiros se tocou que talvez o motor não estivesse avariado, mas sim, que simplesmente considerando o tempo que decorreu desde a explosão até que os especialistas começaram a estudar a zona, que simplesmente havia ficado sem combustível.


Nenhum deles sequer imaginou que qualquer um dos veículos iria "sobreviver" com seu interior relativamente intacto apesar do dano externo. Assim que depois de reabastecer e ativar o sistema de ignição, o motor voltou a rugir e o "169041" podia ser controlado normalmente.

De fato, o tanque se encontrava em tão boas condições que não precisaram rebocá-lo e três soldados foram encarregados de pilotar o veículo através de centenas de quilômetros pelo deserto australiano para o centro de operações em Woomera, o altamente secreto Long Range Weapons Establishment, de onde coordenavam e controlavam tanto as provas nucleares e ainda outras provas secretas da RAF.

Enquanto que o "169041" realizou a maior parte da da viagem por seus próprios meios, faltando 50 quilômetros para chegar à base o seu motor se rendeu e precisaram rebocá-lo.

Finalmente precisou ser rebocado, não por causa da explosão, mas devido ao desgaste.

Enquanto que todos os veículos da primeiro prova voltariam a ser utilizados na segunda prova para estudar o efeito de explosões múltiplas, decidiram extrair o "169041", no qual, havia ganhado o apelido de "O tanque atômico", para estudá-lo com mais profundidade.

Depois de vários meses em que foi minuciosamente estudado, o "tanque atômico" foi consertado, pintado e teve suas antenas e periscópios substituídos. Também decidiram substituir o motor que se encontrava em péssimas condições.

Só que curiosamente, não pela explosão nuclear em si, mas pelas avarias sofridas pela viagem de centenas de quilômetros pelo deserto, e pelo fato do "tanque atômico" ter precisado arrastar um reboque com peças de outros veículos.

O "Tanque Atômico" totalmente reformado.

Seis anos mais tarde o "Tanque Atômico" foi enviado ao Vietnã junto à Royal Australian Armoured Corps, e utilizado em combate em múltiplos missões.

Durante um desses confrontos, o tanque foi atingido por um RPG, uma granada lançada por foguete, que adentrou através da lateral esquerda do veículo causando grandes danos nos sistemas inferiores.

No entanto, ainda que o dano tenha sido considerável, o tanque permaneceu perfeitamente funcional, o que permitiu a dois dos tripulantes seguirem pilotando o veículo e lutando contra os seu inimigos enquanto se dirigiam para um ponto de evacuação a fim de dar atenção médica a um terceiro tripulante que ficou gravemente ferido. Depois da batalha, os três tripulantes sobreviveram.

O "Tanque Atômico"

Hoje em dia o "tanque Atômico" repousa no museu da base Robertson Barracks do Exército Australiano.

Fonte Fonte Fonte

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