quarta-feira, 6 de setembro de 2017

OS PASTORES DE PERNA DE PAU DE LANDES


A região de Landes, no sudoeste da França, que faz divisa com o golfo da Biscaia, está coberta por um grande bosque de pinheiros. De fato, é o maior bosque de Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) da Europa, uma espécie nativa da região mediterrânea. Mas há cem anos, a paisagem era muito diferente. Em vez de bosques, haviam grandes planícies que se estendiam de horizonte em horizonte.

Esta planície era coberta por arbustos de crescimento reduzido e charnecas secas que periodicamente eram queimadas pela população local para criar terras de pastoreio para as ovelhas. Em meados do século XIX, estima-se que havia um milhão de ovelhas nessa zona.

As ovelhas eram manejadas por pastores que se moviam em longas pernas de pau. O uso de tais prolongamentos dava a eles várias vantagens práticas:

Estendia seu campo de visão permitindo que observassem rebanhos longínquos de ovelhas. As pernas de pau também aumentavam o tamanho do passo dos pastores, permitindo que cobrissem longas distâncias em menos tempo. E o que é mais importante, permitia que eles atravessassem o terreno lamacento e pantanoso que as planícies se convertiam após a menor chuva.


De fato, praticamente toda a população dos Landes sabia caminhar com pernas de pau para evitar o solo encharcado durante os dias de chuva. Este sistema de locomoção era tão eficaz que os homens com pernas de pau, podiam acompanhar o ritmo dos cavalos a trote completo.

Os habitantes locais chamavam este meio de transporte único de "tchangues", que significa "pernas grandes". 

As pernas de madeira tinham uma altura aproximada de 1 metro e meio e eram munidas de um ressalto para apoiar o pé e uma correia. A parte superior da madeira se aplanaiva e se apoiava contra a perna, onde era presa com uma forte correia.
A parte inferior, que pousava sobre a terra, se alargava, e às vezes era fortalecida com um osso de ovelha.


O pastor carregava uma vara, uma espécie de bengala longa que utilizava como ponto de apoio para subir nas pernas de pau e também, como cajado para dirigir os seus rebanhos.

Essas pernas de pau eram tão estáveis e cômodas que o pastor, empoleirado no alto, com frequência tricotava para passar o tempo.

Habilitados desde sua infância por esse tipo de exercício, muitos pastores desenvolveram extraordinárias habilidades de acrobacia e manobrabilidade.
Podendo pegar uma pedra do solo, arrancar uma flor, simular uma queda e se recuperar rapidamente, correr sobre um pé só, etc.


Em 1808, quando a imperatriz Josefina foi à cidade de Baiona para se encontrar com Napoleão I, o município enviou uma escolta de jovens caminhantes em pernas de pau para acompanhá-la e entreter às damas da corte.

As damas se deleitaram em fazer com que os pastores corressem, ou lançavam moedas sobre o solo para vê-los competir e resultando em tremendos tombos algumas vezes.

As corridas de perna de pau, eram também uma parte essencial de qualquer festa nos povoados da Gasconha. Os jovens se enfrentavam em velocidade e agilidade, e inclusive as jovens, tão hábeis nesse estranho meio de locomoção quanto os homens, participavam nos concursos.










Sylvain Dornon fez uma notável demonstração com pernas de pau em 1891, quando caminhou de Paris a Moscou -uma distância de mais de 2.800 km- em apenas 58 dias.

O uso de pernas de pau foi se extinguindo paulatinamente nos Landes a partir de meados do século XIX com o desenvolvimento sistemático de grandes plantações de pinheiro que transformaram a paisagem e a economia local.

O desaparecimento dos páramos, devido à expansão das plantações de pinheiros, provocou o fim do pastoreio de ovelhas e com isso, desapareceu também a imagem icônica dos pastores sobre pernas de pau.

Hoje em dia, os "pastores com pernas de pau" podem ser vistos dançando em eventos e festivais como o do seguinte vídeo:
Opção2
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Fonte Fonte

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