quarta-feira, 6 de setembro de 2017

SACA-ROLHAS DO DIABO - EXTRAORDINÁRIAS ESPIRAIS GIGANTES DAS MONTANHAS ROCHOSAS DO NEBRASKA


Em meados do século XIX, os rancheiros do condado de Sioux, no estado norte-americano de Nebraska, começaram a desenterrar estranhas estruturas em espiral de rocha endurecida que sobressaíam verticalmente do chão. As espirais eram tão grossas como um braço e algumas delas eram mais altas que um homem. Sem saber o que eram, os rancheiros começaram a chamar aquelas coisas de "saca-rolhas do diabo".

As desconcertantes estruturas chamaram pela primeira vez à atenção da comunidade científica através do geólogo Dr. E. H. Barbour em 1891, quando pediram para que ele pesquisasse um espécime de 2 metros e 73 cm de comprimento que um rancheiro local havia descoberto em sua propriedade ao longo do rio Niobrara.

Barbour descobriu que as espirais eram na verdade canos cheios de areia com as paredes externas feitas de algum material fibroso branco. Barbour sabia que eram fósseis, mas do quê, ele não tinha certeza. Chamou as peças de Daemonelix, que era o equivalente em latim do seu nome local, "saca-rolhas do diabo".


No ano seguinte à descoberta, Barbour apresentou sua primeira teoria. O material fibroso dos parafusos proporcionou a ele a primeira pista, enquanto a história geológica antiga dos arredores, onde se encontravam esses "parafusos", lhe proporcionou a segunda.

Barbour decidiu que Daemonelix, devia ser a raiz de uma esponja gigante de água doce que prosperava em imensos lagos que alguma vez teriam coberto aquela região.

Durante um tempo, a teoria se manteve firme e influente, mas uma coisa que confundia à comunidade científica naquele momento, era a presença de ossos de roedores dentro dos "saca-rolhas".


Investigações posteriores também revelaram que as rochas que rodeavam os fósseis de Daemonelix tinham mais em comum com as pastagens semiáridas do que com os lagos, o que levou a Barbour a sugerir que as espirais eram um novo tipo de planta gigantesca. Mas foram os ossos de roedores os que finalmente desfizeram a teoria das plantas fósseis.

Em 1893, Edward Drinker Cope Theodor Fuchs propuseram de forma independente que os Daimonelix eram os restos de antigas tocas em espiral que se enchiam de areia e limo. Os ossos encontrados dentro dos "saca-rolhas "pertenciam aos roedores que os cavaram e terminaram enterrados em seu interior.

Mas Barbour não queria abandonar a sua teoria das planta fósseis naquele momento. Argumentou que a forma de saca-rolhas era perfeita demais para ter sido construída por uma "criatura racional".


A disputa terminou com a descoberta de marcas de arranhões no interior das espirais que indicavam que os animais haviam escavado na terra úmida.

Em 1905, os animais responsáveis pela criação dos "saca-rolhas" foram identificados como o agora extinto gênero de castores chamado Paleocastor, que viveu nas terras baixas norte-americanas há cerca de 22 milhões de anos.

Os Paleocastores eram do tamanho das Marmota monax ou mais pequenos. Eles tinham rabos curtos, orelhas e olhos pequenos, como toupeiras, mas garras longas e dentes dianteiros inusualmente longos que cresciam rapidamente para contrariar o desgaste que resultava da escavação.


A evidência sugere que o castor abria suas tocas, fixando suas patas traseiras em um eixo da espiral e literalmente se aparafusava diretamente no chão. A cerca de 60 centímetros sob a terra, a toca se estendia em várias câmaras laterais que serviam para dormir e criar os filhotes.

Algumas destas câmaras continham bolsões baixos que podem ter servido como reservatório d'água ou latrinas. Algumas tocas também continham câmaras altamente inclinadas que poderiam ter mantido os Paleocastores a salvo de inundações.


A natureza em espiral da toca poderia ter proporcionado proteção contra predadores que não podiam adentrar na estrutura como teriam feito em uma toca reta. A estrutura em espiral também poderia ter facilitado para que o paleocastor empurrasse a sujeira escavada em uma espiral ligeiramente inclinada acima de uma toca reta mais pronunciada.

Os Paleocastores se extinguiram durante a época do Oligoceno, quando a ecossistema do planeta mudou de um clima mais úmido a um mundo tropical seco dominado pelas pastagens.



Hoje em dia, se pode visitar o Agate Fossil Beds e passear pela trilha Daemonelix para ver por si mesmo, várias tocas com forma de saca-rolhas de Paleocastores como os da imagem acima, ainda incorporadas nas ladeiras das colinas.

Fonte

Nenhum comentário:

Postar um comentário