quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

DESTILADOR AUSTRALIANO CRIA AGUARDENTE À BASE DE VINHO CUSPIDO


"Beijando Um Estranho" promete ser uma das bebidas mais originais de 2018.

Peter Bignell, responsável pela empresa Tasmanian Belgrove Distillery, teve ideia logo após visitar o Festival de Rootstock em Sydney, um evento de referência mundial na gastronomia e enologia, onde analisam e potenciam práticas sustentáveis na produção de vinho.

No festival, Bignell percebeu que os provadores faziam o seu trabalho de um modo característico: Provavam o vinho para logo em seguida cuspir dentro de um recipiente. Desse modo, podem provar uma enorme quantidade de bebidas sem se embriagar e sem contaminar sua papilas gustativas por eflúvios de vinho já ingerido.

No entanto, Bignell considerou que se tratava de um desperdício em contrapartida à proposta do festival, que promove práticas amigáveis com o meio ambiente.

Neste momento, o empresário decidiu falar e lançar um desafio:

"Esse balde no meio da sala, com o vinho que todos cuspiram dentro, é um verdadeiro desperdício e vai ser jogado ralo abaixo", disse e agregou que: "Se eu levasse para casa e destilasse, e trouxesse no ano que vem, quem beberia?", desafiou. Para sua surpresa, a maioria das mãos se levantaram.

"Eu odeio o desperdício, odeio absolutamente o desperdício", insistiu Bignell aos meios.

Uma vez lançado o desafio, Bignell fez um acordo com os organizadores do festival para levar todo o vinho descartado, acumulando a impressionante a quantidade de 500 litros.


Nem todo esse vinho veio da boca dos provadores. "Os visitantes enchem a taça e bebem um só gole e logo querem provar outro vinho". Disse o destilador aos meios. No entanto, os 500 litros arrecadados não se destacavam por sua pureza. "Haviam pedaços de bolachinha, de queijo e até de cerveja", explicou.

12 meses depois, Bignell havia transformado o "vinho escarrado" em uma aguardente perfeitamente apta para o consumo que batizou como Kissing A Stranger ("Beijando um estranho"), e dizem que o sabor é comparável ao Brandy (conhaque) sem envelhecer. A graduação alcoólica é de 48%.

Bignell cumpriu com sua palavra e levou a maior parte do seu produto à edição de 2017 do festival, levado a cabo em novembro passado, mas deixou uma parte da produção em sua destilaria para envelhecer. A aguardente foi bem recebida pelos assistentes no evento e o empresário voltou a coletar o vinho com cuspe para elaborar uma nova safra de Kissing A Stranger.


Alguns consumidores se mostraram preocupados pelos eventuais riscos à saúde que poderia implicar o ato de bebê saliva alheia, por mais destilada que estivesse. Para sanar as dúvidas, a Radio Australia consultou Tom Ross, docente microbiologia dos alimentos na universidade da Tasmânia que opinou que o produto não deve oferecer nenhum risco sanitário.

"Oque mais poderia preocupar, seria a transmissão de microrganismos, gérmens, mas o calor do processo de destilação deve desfazer a maioria". Quanto aos possíveis micróbios restantes, "devem ser bastante inofensivos porque eram alimentos antes de mais nada, a única coisa que foi agregada é saliva. Não acredito que exista um grande risco para a saúde".

Por outro lado, convém lembrar que a saliva foi e é, utilizada para elaborar bebidas fermentadas em diferentes culturas.

Fonte

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